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Bandle City

em Seg Out 01, 2018 11:05 pm


Há opiniões divergentes quanto ao local exato onde se situa a terra dos yordles. Uns acreditam que estas criaturas excêntricas vivem a sudeste, por trás de uma cordilheira intransponível de montanhas. Outros juram que os yordles vivem debaixo de vales verdejantes ou no coração de florestas impenetráveis. Talvez alguma destas histórias seja verdade; talvez nenhuma delas seja, pois não houve uma única expedição criada para encontrar Bandle City que fosse bem sucedida. Isto não quer dizer que nunca ninguém visitou esta terra! Muitos afirmam ter viajado através de portais invisíveis e entrado numa terra encantada, povoada por criaturas pequenas e travessas. Em Bandle City, todas as sensações são mais intensas para não-Yordles: as cores são incrivelmente vívidas, a comida e a bebida inebria os sentidos durante anos e, uma vez provadas, nunca mais são esquecidas. A luz do sol é eternamente dourada, as águas cristalinas e todas as colheitas são imensamente frutíferas. É também um local de magia ilimitada, onde os imprudentes podem ser desencaminhados por uma miríade de maravilhas e acabar perdidos em sonhos intermináveis até morrerem de fome ou sede. Aqueles que dizem ter viajado para Bandle City falam de uma qualidade atemporal, o que pode explicar porque muitos deles aparentam ter envelhecido tanto, ou até porque nunca regressaram.

  Governo  
  Nível de Tecnologia  
  Ambiente Geral  
  Idioma  
  Inexistente   
  Desconhecido  
  Desconhecido  
  n/a  


Última edição por Necis em Dom Out 14, 2018 9:13 pm, editado 2 vez(es)
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Re: Bandle City

em Qui Out 11, 2018 3:36 pm


Champions presentes: Annie, Lulu, Nami, Rumble




- SEGUNDA-FEIRA, TARDE -

ANNIE
Localização: Mercado de Bandle City

Annie passou pelo portal pouco depois de Lulu e mal chegou do outro lado a sua boca abriu-se de espanto. Encontravam-se numa zona bastante movimentada e várias pessoas assustaram-se com a sua chegada. Estavam num grande mercado onde vários yordles expunham os seus produtos à venda. Os que se encontravam a redor do portal, fugiram a gritar a sete pés. Alguns mais sépticos, olhavam-nos de espanto. Não era todos os dias que um portal se abria num dos locais mais movimentados de Bandle City. Annie estava tão admirada com tudo ao seu redor que ignorou os gritos e as pessoas a fugirem. Limitou-se a observar toda aquela cor existente no mercado, nas pequenas casinhas que pareciam-lhe de brincar e nos vários yordles de todas as cores e feitios. A sua tristeza desapareceu-lhe por momentos e a sua vontade era abraçar todos aqueles yordles fofinhos!

Lulu
Localização: Mercado de Bandle City

Já do outro lado do portal, esqueci-me do quão estranho poderia ser ver várias pessoas a saírem de um portal. Ainda por cima eu vinha a voar no meu cajado.
Saltei imediatamente para o chão e ainda pensei em pegar nele normalmente mas aí teria que levar as minhas malas sozinha e isso ainda me custava um bocado pois eram muito pesadas. Decidi então fazer como antigamente: ignorar as opiniões dos outros e continuar na minha. Afinal, desta vez não estava sozinha em Bandle City e isso também me dava outro alento para enfrentar tudo e todos.
Reconheci o espaço à nossa volta como sendo o mercado e, por momentos, quase que me afoguei em memórias que tinha com os meus pais aqui. Existira alguma evolução na tecnologia em Bandle City mas, para mim, o mercado parecia continuar o mesmo. Só então me apercebi que, depois de ter voltado de Glade, nem sequer explorara as evoluções da minha terra natal, simplesmente encontrara um canto só meu para depois ter sido levada para orfanato, demasiado assustada para voltar para as ruas.
Visto que existia imensa confusão, decidi dar a mão a Annie para que ela não se perdesse. Além disso, aqui era fácil confundi-la com um yordle, apesar de ela não ter um tom de pele colorido ou pêlos. Fiquei então à espera que Nami e Rumble atravessassem o portal também.

NAMI
Localização: Mercado de Bandle City

As viagens de portal ainda me causavam alguma aflição. A pressão da magia fazia-me recordar mais a água que o ar, então insistia em bater a cauda durante a travessia, mesmo que de forma inconsciente. Quando cheguei ao outro lado, apareci de rompante e como vinha a dar à barbatana avancei um pouco mais para a frente quase embatendo nas pessoas, que logo desataram a gritar.
- Desculpem! Peço desculpa! Foi sem querer, desculpem, desculpem...
Regressei para a beira de Annie e Lulu e só aí é que pude realmente observar o local onde estava.

RUMBLE
Localização: Mercado de Bandle City

Eu só rezava que não fosse parar a um sítio muito movimentado, seria bom que fosse logo directamente a casa, mas assim que passei o portal vi como estava enganado. Estava em pleno mercado da cidade, em hora de ponta. Se as pessoas já se encontravam assustadas pelas minhas amigas (aparentemente) então quando me viram na Tristy ficaram totalmente pálidas. Senti o portal fechar-se atrás de mim e toda a gente tinham os olhos postos em nós, quer os mais de perto, quer os que estivessem mais afastados. Aos poucos e poucos fui ouvindo os burburinhos dos yordles, tanto dirigidos a mim e a Nami, já que não era todos os dias que viam uma sereia. Já a Lulu e Annie pareciam não ligar tanto, possivelmente nem repararam que Annie era humana, devido ao seu tamanho.
Antes que desse para o torto, chamei logo as minhas amigas:
- Vamos sair daqui. A minha casa não é muito longe. Se eu pudesse carregava-vos na Tristy, mas acho que ela não aguentaria tanto peso.
E sem pensar duas vezes conduzi dali para fora, forçando os yordles a desviarem-se enquanto sentia os seus olhares caídos em mim e em Tristy.

Lulu
Localização: Ruas de Bandle City

Nami e Rumble finalmente atravessaram o portal. Os yordles, que já estavam agitados, ficaram ainda mais perante a presença de uma sereia e a máquina de Rumble. Este tratou de sair dali o mais depressa possível. O caminho que ele criava com a sua máquina era o suficiente para nós irmos atrás sem chocarmos com ninguém. Sem nunca largar a mão de Annie, fui observando as coisas à minha volta.
Estávamos a passar por habitações um pouco mais antigas quando comecei a sentir-me estranha. Que sensação era esta? Era como se aquela rua me fosse familiar. Até o seu cheiro fazia o meu coração palpitar com mais força. No entanto, eu nunca estivera ali, nem mesmo com os meus pais. Eles nunca tinham gostado de ir para as ruas mais antigas e escondidas.
Fiquei paralisada a olhar para a porta de uma das casas. Cheirava a ervas e poções. No entanto, era óbvio que a habitação estava abandonada pois as janelas estavam todas partidas e só se ouvia o vento a uivar lá dentro.

NAMI
Localização: Ruas de Bandle City

Naquele lugar, diversos yordles atarefavam-se a fazer muito do que eu tinha visto na Gloomy Village. Saltavam de vendedor em vendedor, trocando as suas moedas cintilantes por várias coisas, mas maioritariamente alimentos. A minha curiosidade por eles era tal, que nem me apercebi que estava a ser olhada da mesma forma.
Foi só quando Rumble atravessou o portal que o meu transe terminou. Ainda pensei que pudéssemos juntar-nos ao resto das pessoas e dar uma vista de olhos no que estava em exposição, mas Rumble tinha intenção de ir para casa. O yordle abriu caminho com a sua máquina e eu, Lulu e Annie seguimos-lo, saindo do meio da confusão.
A dada altura, tive uma sensação estranha e dei então conta que Lulu não estava mais connosco. Olhei para trás e vi-a parada no meio do caminho a olhar fixamente para uma das casas.
- Esperem. - pedi aos meus amigos. - A Lulu ficou para trás. Vou ver o que se passa.
Refiz os últimos metros do trajecto no sentido oposto e parei ao lado de Lulu.
- Está tudo bem? Viste alguma coisa?

ANNIE
Localização: Ruas de Bandle City

Annie só despertou do seu transe quando Rumble chegou por último. Todos os yordles os olhavam com algum receio, tendo mais curiosidade em Rumble e Nami. Rumble não quis ali ficar muito mais tempo e decidiu abrir caminho e dirigirem-se a sua casa.
De mão dada a Lulu, Annie seguiu atrás de Rumble pelas ruas maravilhosas de Bandle City. Os seus olhos brilhavam de admiração por todas aquelas casinhas de "brincar" e os seus habitantes a andarem de um lado para o outro atarefados. Do nada, Annie sentiu-se ser puxada quando viu que Lulu parou no meio da rua admirando uma casa abandonada.
- Porque paraste? - perguntou Annie. Nami acabou por parar também e perguntar a Lulu o que se tinha passado, pedindo a Rumble para parar e esperar por elas.

RUMBLE
Localização: Ruas de Bandle City

Do nada, ouvi Nami a pedir para parar porque Lulu tinha ficado para trás. Parei Tristy e virei-me para elas de modo a perceber porquê é que ela tinha parado. Não me apetecia nada estar ali, ainda para mais um yordle de certa idade tinha parado e olhado para mim com cara de poucos amigos. Eu ainda o ouvi dizer baixinho "Foi este o sacana que nos envergonhou, pfff!" e virou costas. Comecei a sentir alguma raiva e tinha vontade de o mandar para o caralho, mas consegui me controlar. Nem mesmo com a minha máquina conseguia ganhar respeito deles. Os yordles só admiravam Heimerdinger e ponto final. E eu que era fiel à minha cidade, nada, era um zé ninguém que armou merda com os humanos.
- Meninas, vamos embora, por favor! - pedi-lhes. Estava a ficar impaciente.

Lulu
Localização: Ruas de Bandle City

A minha concentração foi subitamente interrompida por Nami, seguidamente de Annie e Rumble. Ficara demasiado tempo parada e eles estavam a ficar impacientes, como era natural. Recuperei a postura e senti uma súbita vontade de chorar, como se algo pesado tivesse batido contra o meu peito e aquela dor tivesse que sair cá para fora. Com muito esforço, contive-me enquanto olhava para o chão. Respirei fundo várias vezes, pensei nas canções alegres de Glade e depois encarei os meus amigos com um sorriso que era a máscara perfeita.
- Desculpem, pensei que esta era a antiga casa da minha avó mas estava enganada. - respondi eu.
Comecei a caminhar novamente. Mas aquela sensação não queria desaparecer. Pix mantinha-se dentro do meu chapéu a morder-me o cabelo e a perguntar-me mentalmente o que se passava. Ela também ficara curiosa em relação àquela casa velha a cair aos bocados mas não sabia o porquê. "Pix, vamos tentar não pensar nisso, sim? Vamos tentar aproveitar a companhia dos nossos amigos..."

Rumble
Localização: Casa da família de Rumble

- Se quiseres voltas aqui depois, mas agora vamos embora. - disse num tom um bocado rude. Estava bastante impaciente e só me queria ir embora. Se elas quisessem depois podiam ir para onde quisessem.
Voltei-me para a frente e conduzi até casa. Se elas pararam pelo caminho não reparei, eu só queria chegar a casa e esconder-me daqueles olhares que caiam em nós. Seria possível que todos me odiavam? Depois do que fiz por Bandle City? Estas questões bombardeavam na minha cabeça e já estava a ficar bastante mal humorado.
Não demorou muito até chegarmos. Numa zona onde as casas já estavam mais dispersas e não eram assim tão grandes, aproximamos-nos numa casa simples de primeiro andar com uma oficina ao lado Esta ainda tinha um pequeno jardim e um quintal nas traseiras. Finalmente vi a consegui ver a oficina que o meu pai abriu, mesmo sem mim. No momento em que chegamos, ele encontrava-se a fechar o portão e viu-nos chegar. Ele estava a puxar o portão e para-o a meio, olhando-nos de boca aberta. Apesar de termos estado à pouco tempo juntos, ele de certeza que nunca imaginou que me iria ver tão depressa. Ouvi-o a gritar para dentro da oficina:
- O RUMBLE ESTÁ AQUI! GISELE, O RUMBLE ESTÁ AQUI! RUMBLE, NEM ACREDITO!
Pronto, tudo aos gritos. Estava arruinado. Agora com os dois aos berros iam acordar metade de Bandle City e toda a gente ia reparar que tinha chegado...

Gisele
Localização: Casa da família de Rumble

Gisele não estava muito longe da oficina, tinha acabado de ajudar o seu marido George a dar uma pequena limpeza depois do último cliente ter saído. Este do nada desatou aos berros o que fez a yordle de meia idade, um bocado roliça, de pele azulada e cabelos esbranquiçados curtos, rodar sobre si mesma e voltar para trás. Mal ouviu o nome do seu filho o seu coração disparou. Há imenso tempo que não o via e depois de tudo o que tinha acontecido estava constantemente preocupada com ele.
Ela correu até à entrada da oficina e espreitou para o exterior. Rumble esta realmente lá fora. O seu filho montava aquela monstruosa máquina que construiu sozinho e trazia companhia: duas yordles e um ser demasiado estranho que não conseguiu identificar à primeira, porque a única coisa que via à sua frente era o seu querido filho.
George já se encontrava ao pé deles e Rumble saiu da sua máquina. Gisele nem pensou duas vezes e correu o mais rápido que pôde até ele abraçando-o quase o sufocando. Não disse uma palavra, mas as suas lágrimas escorriam sem parar pelas suas faces azuladas. Depois desatou aos beijos na sua cara peluda, enquanto ainda o agarrava com força, não querendo saber das pessoas que os observavam.

NAMI
Localização: Casa da família de Rumble

Afinal Lulu tinha apenas confundido uma casa pela qual passamos com a da sua avó. Estranhamente, isso parecia tê-la afetado mais do que eu considerava normal, mas a insistência de Rumble em nos pormos a andar dali para fora não deu aso a mais perguntas. Eu, principalmente, tinha de poupar o fôlego se queria acompanhar a passada de Tristy.
Talvez não fosse só eu a achar difícil manter-me por perto da máquina de Rumble, porque o resto do caminho foi feito sem grande conversa. Era impressão minha ou o desânimo tinha-se novamente abatido sobre nós?
Mantivemos esse estado de espírito mesmo até ao final da viagem, quando Rumble começou a abrandar e a meter pelo terreno de uma das casas que adornavam a estrada, mas o que se sucedeu a seguir levantou-me o humor.
De uma das partes da casa, começaram-se a ouvir vários gritos e quando dei por mim, o senhor George tinha vindo ter connosco a correr, seguido de uma senhora yordle, com o pelo muito parecido ao de Rumble, que mal o alcançou fê-lo desaparecer no seu abraço. Sorri perante aquela reunião entre mãe e filho tão carregada de emoção (pelo menos por parte da senhora) e aproveitei o momento para cumprimentar o pai de Rumble.
- Como está, senhor George? Lembra-se de nós? - perguntei em tom simpático ao mesmo tempo que acenava.

Lulu
Localização: Casa da família de Rumble

Não precisámos de caminhar muito mais até chegar a casa de Rumble mas o resto do caminho foi um pouco tenso. Felizmente, quando lá chegámos, as reacções dos pais do Rumble foram demasiado entusiásticas para ficarmos indiferentes. Era quase possível tocar no amor que eles expeliam por Rumble. Feliz pelo meu amigo, sorri e apertei a mão de Annie, contente por estar ali com eles.

Annie
Localização: Casa da família de Rumble

Passado pouco tempo chegaram a casa de Rumble. Ao mesmo tempo que este descia a máquina, ouviram-se gritos do Sr. George a dizer que o Rumble tinha chegado. Annie manteve-se de mão dada a Lulu enquanto assistia àquela reunião de família em silêncio. A mãe de Rumble a abraça-lo era demasiado comovente e Annie soltou algumas lágrimas. Ela só queria que fosse possível para ela dar esse tipo de abraços aos seus pais novamente.

Rumble
Localização: Casa da família de Rumble

Claro que a minha mãe ia entrar em parafuso e fazer aquele filme todo. Aquele abraço que me engolia por completo no corpo dela, estava a sufocar-me! Eu já era pequeno, a minha mãe era ligeiramente mais alta que eu e um bocado cheiinha, não tinha por onde escapar. Depois aqueles beijos... SOCORRO! Apeteceu-me gritar. Claro que estava feliz por estar com os meus pais, mas não era preciso aquela cena toda!
- Tá bom, tá bom... Mãe... Já chega... Larga-me! - pedi até que por fim ela me deu espaço para respirar.
- Como, porquê? Que aconteceu para estares aqui? - começou ela de imediato a disparatar perguntas - São teus amigos? - perguntou apontando para Annie, Lulu e Nami. Ela ainda não parecia ter reparado muito nelas, pois ainda não lhe tinha visto o espanto por ter uma sereia ao pé dela.
O meu pai aproximou-se entretanto (já que a minha mãe nem lhe deu tempo para me cumprimentar) e abraçou-me fortemente. Ele ao menos não esteve com tanta lamechice, no que eu agradeci mentalmente. Talvez fosse por termos estado juntos à pouco tempo.
- Sim, são os amigos dele, Gisele. Deixem-me ver se me lembro dos vossos nomes - disse o meu pai com um grande sorriso - Esta é a Lulu, uma yordle como nós, Annie, uma criança humana, e Nami, uma sereia. A sereia que te falei Gisele! Lembras-te?
Os olhos da minha mãe brilhavam (ainda a escorrerem algumas lágrimas de emoção) enquanto se aproximava de cada uma delas e as cumprimentava.

Gisele
Localização: Casa da família de Rumble

George acabou por apresentar as amigas de Rumble a Gisele. Aproximou-se de Lulu e deu-lhe um abraço forte.
- Olá Lulu! Amiga do Rumble é minha amiga! - disse num grande sorriso e com os olhos ainda encharcados de lágrimas.
- Annie, uma humana? - disse observando-a com atenção. Ela sempre pensou que fosse uma yorde como eles! - Oh minha querida, nem reparei que eras humana, pensei que fosses yordle como nós por seres pequenina! - disse dando-lhe também um forte abraço - Até me admira dares-te com humanos, Rumble! - disse ela ao filho enquanto desfazia o abraço com Annie.
- S-sereia? - murmurou ela. Finalmente pôde observar a terceira amiga de Rumble, a famosa sereia que o seu marido tanto lhe falou. Não era todos os dias que se via uma criatura que só se ouvia falar em contos e histórias. Aproximou-se dela e abraçou-a igualmente pela cintura, já que a sereia era muito mais alta que eles - Que prazer conhecer-te Nami! Nunca tinha visto uma sereia antes!
Depois de apresentações feitas, Gisele tentou recompor-se (nem ligou muito à humidade que Nami lhe transmitiu, estava demasiado feliz e emocionada) e convidou-os a entrar na sua casa:
- Venham, entrem que está a ficar escuro! Não vais deixar a tua máquina no meio do caminho, pois não? Arruma-a lá para trás, vá, mas não me pises as flores! Sigam-me, vá, façam de conta que estão em vossa casa.
E nisto encaminhou-as para dentro de casa, entrando primeiramente na simples sala de estar. Esta tinha um sofá com três lugares virada para uma grande lareira acessa que ocupava quase uma das paredes todas. No lado oposto da lareira, existia uma grande estante com vários livros, revistas e peças de maquinaria. As restantes paredes mal se davam para ver a cor delas com tantos quadros e molduras pendurados. O pé direito da divisão é que era pequeno (1,60 metro de altura, o normal numa casa yordle) o que podia não ser fácil para Nami principalmente.
- Sentem-se, sentem-se! Vou buscar algo para comer! Pousem as vossas coisas. Não temos muitos quartos, mas havemos de nos desenrascar! Passam cá a noite, certo? Ou a Lulu ainda vai para casa?

Lulu
Localização: Casa da família de Rumble

O senhor George ainda se lembrava de todos os nossos nomes e a quem pertenciam. Sorri perante o seu reconhecimento e lembrei-me do jantar de Natal. Tinha sido agradável até certo ponto. Depois, como era habitual, alguém arranjara confusão. Naquela noite tinham sido duas diferentes: o homem do bigode e Syndra. E Wukong ainda lançara umas quantas cadeiras pelo ar, se bem me recordava. Era por causa de confusões como estas que estávamos aqui, fora da Academia. Felizmente, esta semana tinha todos os indícios de que iria ser bastante divertida e agradável.
Entretanto veio a mãe de Rumble, Gisele, cumprimentar-nos. Abracei-a de volta e esperei que ela terminasse para lhe apresentar Pix. Esta ainda estava escondida debaixo do meu chapéu, incomodada com tanta gente nova, especialmente yordles. Mas a senhora tratou imediatamente de nos pôr à vontade. Decidi que a apresentaria dentro de casa. Quando me vi dentro da sala de estar, olhei em volta curiosa. A pergunta que a senhora Gisele fez quase que quebrou toda a felicidade que estava a sentir dentro de mim.
- Os meus pais falecerem há muito tempo atrás. - respondi eu. - Mas se vir que lhe estamos a dar muito trabalho eu posso sempre voltar ao orfanato. A Annie e a Nami é que não têm mesmo mais nenhuma hipótese.
Pousei as minhas malas no chão enquanto esperava uma reacção da parte dos pais de Rumble.

NAMI
Localização: Casa da família de Rumble

Quando eu e Lulu julgáramos que Rumble ia morrer por causa do arranhão feito pelos Iceborns, também eu o tinha abraçado pelo meio de lágrimas e já aí ele tinha pedido algum espaço. O mesmo voltou a acontecer agora que quem o abraçava era a sua mãe e isso fez-me rir. Rumble era mesmo Rumble. Tinha os seus dias de mau humor e tendência para se isolar, mas o seu bom coração fazia com que gostássemos muito dele. E agora via a quem tinha saído.
Depois dos abraços, vieram ainda mais abraços, pois assim que Rumble voltou a poder respirar, o Sr. George tratou se nos apresentar a todas à sua esposa. Aparentemente, depois de nos termos conhecido pelo Natal, o Sr. George tinha falado muito de nós e isso foi comprovado quando a D. Gisele (era assim o seu nome) nos cumprimentou uma a uma.
- Prazer em conhecê-la! Obrigada por nos receber.
De apresentações feitas, rumamos ao interior da casa, onde eu tive de permanecer de costas curvadas para não bater com a cabeça no tecto. Diria que a casa dos pais de Rumble era proporcional ao seu tamanho e deduzi que não deveriam receber muitas visitas de outras espécies, pois eu não consegui ver um único cantinho onde fosse possível estar em pé completamente direita.
A D. Gisele convidou-nos a sentar numa cadeira gigante e eu assim o fiz, para não ficar dorida, mas o assunto em que a mãe de Rumble tocou de seguida, fez-me olhar rapidamente para Lulu. Quando a minha amiga referiu que podia ir para o tal sítio do qual não gostava, eu intervim.
- Não, não, não. Se não houver espaço, eu tenho montes de sítios onde posso ficar, tu devias ficar aqui no quentinho.

Annie
Localização: Casa da família de Rumble

Depois da mãe de Rumble desfazer o abraço, Sr. George apresentou a sua mulher a Annie e às suas amigas. Ela não perdeu um minuto e distribuiu abraços por todas elas. Annie soltou um risinho quando ela disse que a confundiu com um yordle, por ainda ser uma criança.
- Prazer Dona Gisele. Eu nem me importava de ser yordle! Vocês são todos tão fofinhos! - disse Annie mais animada.
De seguida seguiram para dentro da casa de "brincar" de Rumble. Era pequena, o que fazia com que Annie lhe apetece-se brincar lá dentro e fingir que era uma boneca numa casa de campo. Ela começou a admirar todos os quadros pendurados nas paredes enquanto ouvia de fundo a conversa entre eles. D. Gisele depois fez uma pergunta crucial: perguntou se Lulu ia para casa dela. Annie virou-se de repente, preocupada com a amiga, já que sabia que ela não tinha casa. Annie correu de imediato para ela, pegou-lhe nas mãos e disse:
- Eu vou para onde tu fores! Não ficas sozinha!

Rumble
Localização: Casa da família de Rumble

Eu vi logo que a minha mãe ia começar a distribuir abraços por toda a gente. Cruzei os braços e soltei um sorriso. Podia ser mau humorado, mas ao menos estava em casa e tinha trazido amigos, o que me deixava feliz. Amigos pouco convencionais, mas eram amigos e isso era de prevalecer. Não era como Ziggs que decidira ir para Piltover para a universidade do desertor, ou Tristana que foi para o Exército Megling mas depois apareceu na academia e abandou-a sem me deixar uma palavra. Já Chris... Que seria feito dela? Iria perguntar mais tarde aos meus pais. Agora aquelas amigas, apesar da idade e ingenuidade, sabia que podia contar com elas.
A minha mãe convidou-as a entrar e pediu que eu pusesse Tristy atrás de casa, tendo cuidado com as flores. Acenei-lhe em sinal de concordância e assim o fiz. O meu pai ficou comigo durante esse procedimento, admirado por ver a minha máquina a trabalhar. Eu até estava para propor colocar a Tristy na oficina, mas ela era maior que a oficina. Aliás, a minha máquina com quase 2 metros de altura, era quase maior que a altura da casa toda.
Entramos os dois depois dentro de casa e senti um ambiente tenso lá dentro. Teria a minha mãe dito alguma coisa que não devia?
- Que se passa? - perguntei.

Gisele
Localização: Casa da família de Rumble

Quando Gisele viu Lulu pela primeira vez, julgou que, pela idade dela, ela teria casa e família assim como o Rumble. Bem que o Rumble com a idade que tinha já podia ter a sua própria casa, mas o destino assim não lho tinha destinado. Nunca lhe passou pela cabeça que a pequena yordle pudesse ser orfã e que não tivesse para onde ir.
- Oh minha querida... - disse Gisele esticando-lhe os braços para a abraçar - Não fazia idea! Desculpa, desculpa! Pensei que tivesses gente à tua espera. Vocês cabem todos aqui, não se preocupem! Ninguém vai a lado nenhum! - disse enquanto abraçava Lulu num daqueles abraços calorosos típicos de mãe. - Nami, sei que a casa é baixinha para ti, mas nem que arranjemos um espacinho na oficina para ti que é mais alta. Nós havemos de nos desenrascar ora essa! Está tudo bem Rumble, não te preocupes. - acrescentou e desfez o abraço. Depois de garantir que estava tudo mais animado, disse - Vou começar a fazer o jantar! Gostam de bifes? Ou... Nami, querida, desculpa, mas não sei o que costumas comer... - disse curiosa aproximando-se dela que estava sentada no sofá.

Lulu
Localização: Casa da família de Rumble

Tanto Nami como Annie trataram logo de arranjar maneira a que eu não ficasse sozinha. Nem sequer tivera tempo para melancolias. Com amigos destes para que é que eu ficaria triste? Era impossível. Entretanto Rumble chegou também e a senhora Gisele pediu-me desculpa várias vezes, abraçando-me de uma maneira carinhosa.
- Não se preocupem, eu estou bem! - exclamei eu. - E muito obrigado pela sua hospitalidade, senhora Gisele.
As lágrimas que queriam cair eram de alegria por me sentir tão feliz no meio deles e não de tristeza. Mas contive-as. Enquanto tentava guardar este momento precioso para sempre na minha memória, o meu estômago começou a fazer barulho. Não tínhamos comido grande coisa ao almoço devido ao acidente na Academia por isso um bom jantar era muito bem-vindo.
- A Nami não come animais. Só plantas e derivados. Na Academia costumava comer saladas, não é Nami? - respondi eu.
Lembrei-me entretanto do que ela dissera. Para onde pensara ela ir, no caso de não haver espaço? Para um lago? Nem nós a queríamos assim tão longe de nós.
- Eu gosto de bifes, sim. - disse, por fim.

NAMI
Localização: Casa da família de Rumble

Depois de saber que Lulu não tinha para onde ir, a D. Gisele ficou comovida e voltou a abraçar a yordle com um pedido de desculpas. Era muito bonito de ver uma senhora que não nos conhecia de lado nenhum a oferecer-nos a sua casa e, mais que isso, o seu amor. Apesar de nós não querermos incomodar, daí termos dito que se não houvesse espaço iríamos para outro lado sem problema, a D. Gisele frisou que ninguém ia a lado nenhum. A única coisa que sugeriu foi que eu ficasse na garagem para poder estar mais à larga, algo que eu concordei com um aceno de cabeça já que naquela casa tão pequenina eu sentia-me um bocadinho engolida.
Como se a dormida e o amor não fossem o suficiente, a D. Gisele queria oferecer-nos também o jantar! No entanto, como não sabia que tipo de alimentos eu comia, veio ter comigo ao sofá para averiguar isso mesmo. Estava prestes a dizer para não ter trabalho comigo, mas Lulu falou primeiro que eu, dando a verdadeira resposta.
- Sim, as vossas espécies de algas são saborosas. Mas também gosto de... - Semicerrou os olhos enquanto se tentava de lembrar dos nomes daquilo que já tinha provado e gostado na academia. - ...pão e... iogurte. Ah! E chocolate.

Annie
Localização: Casa da família de Rumble

Felizmente ninguém precisava de ir a lado nenhum. Dona Gisele não fazia ideia que Lulu não tinha pais o que tratou de a abraçar de imediato de modo a conforta-la. De seguida perguntou o que queríamos comer.
- Eu como qualquer coisa! - disse Annie com um sorriso sentando-se no chão em frente à lareira acesa com Tibbers no seu colo.

Rumble
Localização: Casa da família de Rumble

Finalmente compreendi aquela tensão: a minha mãe não sabia que Lulu era orfã e que não tinha para onde ir. Depois de a confortar e perguntar o que queriam para jantar, a minha mãe retirou-se para a cozinha para preparar o jantar. Encontrava-me exausto e faminto o que me fez aproximar-me do sofá e deixar-me cair ao lado de Nami, no resto que sobrava do sofá. Ouvi o meu pai dizer:
- Rumble, porque não mostras onde as tuas amigas vão ficar? A Annie e a Lulu podem ficar no quarto de hóspedes. A cama é pequena, mas acho que cabem as duas. Quanto à Nami, podíamos arranjar um canto para ela na oficina. Ajudas-me?
- A sério? Estou tão cansado pai... - murmurei de olhos fechados. Agora que me tinha sentado, não me apetecia nada levantar.

Lulu
Localização: Casa da família de Rumble

Entretanto a senhora Gisele foi para a cozinha preparar o nosso jantar. Rumble sentou-se no sofá e o senhor George sugeriu que ele nos fosse mostrar o quarto onde íamos dormir. No entanto, Rumble parecia demasiado cansado para o fazer.
- Não é preciso, senhor George. Diga-nos só em que porta é que nós desenrascamos-nos sozinhas. - disse eu.
Peguei nas minhas malas e esperei que ele indicasse o que lhe tinha pedido.

George
Localização: Casa da família de Rumble

Rumble encontrava-se demasiado cansado para mostrar o quarto às visitas. Em outras situações, George já tinha mandado uma boca para o filho parar de ser mandrião, mas notava-se o seu cansaço, e George deixou-o descansar.
- Eu mostro-vos onde é. Sigam-me. Depois levo-te à oficina Nami, é melhor ficares sentada se não ainda te magoas nas costas. Haha. - disse num tom brincalhão.
George mostrou-lhes então o caminho até um simples quarto de hóspedes, onde tinha simplesmente uma pequena cama de casal, duas mesas de cabeceira e uma cómoda. A cama tinha uma colcha bordada à mão feita pela sua esposa.
- Estão à vontade meninas, vou ajudar Gisele na cozinha. - disse e depois saiu da divisão deixando-as à vontade.


Última edição por Sanguinia em Seg Out 15, 2018 10:55 pm, editado 2 vez(es)
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Re: Bandle City

em Qui Out 11, 2018 3:40 pm
Annie
Localização: Casa da família de Rumble

Annie levantou-se e foi buscar as suas coisas de modo a seguir o Sr. George até ao quarto de hóspedes onde ela e Lulu iriam dormir. Este era pequeno (assim como o resto da casa) e Annie achou imensa piada à cama que, apesar de ser de casal, era bem mais pequena que as que existiam na academia e até a que ela tinha na sua antiga casa.
Depois do pai de Rumble as deixar sozinhas, Annie descalçou as suas botas rapidamente e saltou para cima da cama, deitando-se. Depois ela esticou-se o máximo que podia, para mostrar a Lulu o quanto a cama era pequena, já que ela quase que tocava com os pés ao fim da cama.
- Eh! Quase que toco no fundo! Hahaha. Isto é tudo tão pequeno e tão giro! - disse Annie bastante animada.

Rumble
Localização: Casa da família de Rumble

Estava tão cansado que decidi fechar os olhos e dormitar um bocado antes de jantar. Nem dei conta que Annie e Lulu tinham ido para o quarto de hóspedes acompanhadas pelo meu pai. Senti a minha cabeça a cair para o lado e não tinha forças para a levantar. Esta pousou em cima do ombro de Nami e apaguei por completo de seguida.

Lulu
Casa da família de Rumble

O senhor George acabou por nos mostrar onde era o quarto. Este era bastante simples e confortável. Annie tratou logo de saltar para cima da cama, esticando-se toda. Não pude deixar de me rir com o seu comentário. Pousei as minhas coisas também num canto do quarto.
- Não deve faltar muito para não caberes na casa de um yordle. Os humanos crescem tão depressa! - exclamei eu.
Não tinha qualquer experiência de ver humanos a crescerem mas já tinha lido sobre o assunto. Além disso, fazia todo o sentido. Eles viviam muitos menos anos que nós e cresciam o triplo!
- Vou apresentar a Pix aos pais do Rumble. Queres vir? - perguntei eu.
Tirei finalmente o chapéu e a minha pequena Fae começou a explorar o quarto.

Annie
Casa da família de Rumble

- Ainda bem que ainda consigo andar cá dentro sem me dobrar. Eheh. Já a Nami, tem que andar toda dobrada. - disse Annie torcendo o nariz quando disse o último comentário.
Depois Lulu tirou finalmente Pix debaixo do seu chapéu. Annie por momentos até se tinha esquecido da pequena Fae, pois ela nunca tinha aparecido em momento algum da viagem, por ter estado sempre escondida. Lulu disse que queria ir apresenta-la aos pais de Rumble.
- Sendo assim também vou apresentar Tibbers! - exclamou ela levantando-se e agarrando Tibbers por um braço, que se encontrava deitado do outro lado da cama.

Lulu
Casa da família de Rumble

Annie aproveitou a minha deixa para também apresentar Tibbers. Provavelmente os pais de Rumble não iriam perceber à primeira que ele era apenas um urso de peluche; e talvez também não compreendessem depois que ele não era perigoso sem ordens de Annie. E como iriam eles reagir a uma criatura como a minha Fae, que era falada apenas em histórias para adormecer?
Saímos ambas do quarto e entrámos na cozinha. Fui tentando absorver aquele ambiente familiar de entreajuda e carinho entre os pais de Rumble. Foi com alguma pena que os interrompi.
- Desculpem estarmos a incomodar mas queríamos apresentar-vos os nossos companheiros. - disse eu.
Fiz sinal a Pix para sair do meio dos meus cabelos e ela voou devagarinho para o centro da cozinha. Tinha as mãos fechadas sobre o peito, envergonhada com o que poderiam pensar dela.
- Esta é a Pix, a minha Fae. Eu e ela fazemos um dupla de magia imbatível. - apresentei-a eu.

NAMI
Localização: Casa da família de Rumble

Lulu e Annie ausentaram-se, juntamente com o Sr. George, para ir ver o quarto onde iriam ficar a dormir e guardarem as suas coisas. O meu ser-me-ia mostrado mais tarde, embora já o tivesse visto de fora quando chegamos a casa dos pais de Rumble. Da minha parte não havia pressa porque só tinha trazido comigo o bastão e isso arrumava-se bem em qualquer lado, como atrás do sofá por exemplo.
Estava prestes a virar-me no lugar e esticar-me para pousar o bastão, quando sinto um pequeno peso pousar-se no meu ombro. Rumble tinha acabado de adormecer encostado a mim.
Abafei um risinho e deixei-me ficar quieta para não acordar o meu amigo. Não tardaria a D. Gisele iria chamar-nos para jantar e aí sim teria de o arrancar do seu sono, mas por enquanto ia deixá-lo descansar um bocadinho.
Mal sabia eu que pouco depois, no meio da tranquilidade e conforto daquela sala, viria também a fechar os olhos e a adormecer.

Annie
Casa da família de Rumble

Annie seguiu Lulu até à cozinha de modo a apresentar Pix aos pais de Rumble. Bem que o Sr. George já tinha conhecido Pix e até Tibbers transformado no meio da confusão da noite de Natal. Talvez este já tivesse contado esses pormenores à sua mulher, que com tanta excitação de reencontro com o filho, possivelmente se esqueceu desses pequenos aliados de Annie e Lulu. Quando chegaram à cozinha, um cheiro maravilhoso chegou às narinas da criança deixando-a com um apetite monstruoso. Ela só tinha comido uma sandes durante o dia todo, era normal que estivesse com fome.
Pix finalmente saiu do seu esconderijo para se apresentar e Annie colocou-se ao lado da amiga estendendo o seu urso de peluche:
- E este é o Tibbers!

Gisele
Casa da família de Rumble

A mesa estava posta e o jantar praticamente feito. Gisele tinha acabado de mandar o marido chamar Rumble e os amigos para a mesa, mas pelo que parecia, duas delas anteciparam-se. Annie e Lulu aproximaram-se deles e apresentaram dois dos seus companheiros. Bem que o de Annie era só um simples urso de peluche, mas Gisele associou logo ao urso gigante que o seu marido viu na noite de Natal.
- O-olá Tibbers - começou pelo urso, pois queria esclarecer rapidamente um ponto que a deixava nervosa - Este é o urso que se transforma, certo? E-ele não se vai transformar do nada, pois não? - disse arregalando os olhos.

Annie
Casa da família de Rumble

Gisele associou logo quem Tibbers era, e antes de se dirigir a Pix questionou a pequena logo se ele não se iria transformar do nada.
- Não, não! - assegurou a pequena - Ele só se transforma quando estou em perigo, ou tem saudades minhas, ou até fome! Mas ele avisa, fique descansada. Ele começa a ficar muito quente antes de se transformar. Se ele der esse sinal eu corro logo para a rua!

Gisele
Casa da família de Rumble

Annie garantiu-lhe que o seu urso não se ia transformar, deixando-a ligeiramente mais aliviada. De qualquer das maneiras não seria propriamente seguro um urso aparecesse do nada no meio de Bandle City, era muito possível que as pessoas entrassem em pânico.
- De qualquer das maneiras tem cuidado lá fora, os yordles podem-se assustar caso vejam um urso gigante na rua. - ouviu George dizer para a pequena. Ele tinha um ar grave na cara, pois como ele já tinha visto o urso pessoalmente, sabia bem o quanto ele era assustador.
Gisele pôde finalmente prestar atenção à companheira de Lulu. Parecia uma borboleta enorme aquela "Fae" ou o quer que fosse a sua espécie. Ela voava agora à frente de Gisele e ela esticou-lhe um dedo de modo a tocar-lhe.
- Prazer Pix, és muito bonita! De onde vens tu? George contou-me da tua companheira Lulu, mas admito que nunca vi nada assim antes! Ela... fala? - disse Gisele cada vez mais abismada com tudo o que via à sua frente. Primeiro uma sereia, depois uma humana (que não era muito habitual ver em Bandle City), de seguida um urso de peluche que se podia transformar a qualquer momento num urso gigante e agora uma... Fae? Ou borboleta? De qualquer das formas, aquela criatura era belíssima, e Gisele quase que se sentia criança outra vez dentro de um livro de contos de fadas.

Lulu
Casa da família de Rumble

Felizmente o senhor George já tinha explicado à senhora Gisele tudo acerca de Tibbers. Eu sabia o quanto aquilo era um assunto delicado para Annie, especialmente depois do que acontecera na Academia. Esse assunto acabara por ficar pendente e Annie continuava sem saber se ele iria ser considerado demasiado perigoso para andar dentro do edifício ou não; se bem que ela normalmente só o levava lá para dentro quando era apenas um urso de peluche. Sempre que ele se transformava, Tibbers tinha a tendência de sair imediatamente para a rua.
Entretanto, a senhora Gisele cumprimentou Pix, que parecia contente pelo contacto que a yordle estava a tentar iniciar com ela.
- Ela só fala comigo através da mente. Para o resto das pessoas ouvem-se apenas alguns guinchos que nem sempre são amorosos. - respondi eu. - Ela veio... de...
Será que eu devia dizer?
- Ela veio de Glade. - acabei eu por responder. - É um mundo diferente do nosso.

Gisele
Casa da família de Rumble

- Interessante. - disse Gisele sem saber bem como reagir a tudo aquilo, já se tornara demasiada informação para uma simples yordle - E onde fica Glade então? Bem... - fez uma pequena pausa voltando-se para o jantar - Já contas isso tudo ao jantar que já está pronto! Eu e o George vamos por a mesa, vão chamar a Nami e o Rumble, pode ser meninas? Vocês devem estar famintos!

Lulu
Casa da família de Rumble

Não conseguia perceber se a senhora Gisele acreditara na parte que eu acrescentara acerca de Glade pois ela voltou a perguntar onde era. Estava para responder novamente "noutro mundo" quando ela nos pediu para irmos chamar Rumble e Nami. Acenei afirmativamente com a cabeça e saí da cozinha, indo para a sala. Não consegui conter um risinho quando os vi aos dois tombados um sobre o outro a dormir em cima do sofá.
- Meninos, está na hora de jantar! - exclamei eu.

Rumble
Casa da família de Rumble

Ouvi uma voz ao fundo ao longe a chamar. Abri os olhos de repente e vi que estava encostado a Nami. Endireitei-me e senti o lado que tinha pousado no seu ombro ligeiramente húmido, mas nada de mais. Aquela pequena sesta tinha-me sabido às passas e sentia-me como novo e cheio de energia. Espreguicei-me e chamei a Nami que também tinha adormecido.
- Vamos jantar Nami.
Levantei-me e dirigi-me para a cozinha, sentando-me no meu lugar habitual. A mesa já estava composta com uns bifinhos de cebolada e pimentos juntamente com batatas cozidas. Havia uma enorme taça de salada no centro da mesa, possivelmente para Nami também poder comer alguma coisa.
Assim que todos se sentaram, servi-me e comecei a comer.
- Pai, mãe... - comecei por dizer. Queria perguntar-lhes alguma coisa sobre os meus únicos amigos que tive em Bandle City - O Ziggs tem dado novidades? E a Tristana, viram-na? Ahm... E a Chris?

Gisele & George
Casa da família de Rumble

Depois de se sentarem todos à mesa, Gisele tinha planos em perguntar mais sobre essa dita Glade a Lulu, pois tinha ficado bastante curiosa. No entanto o seu filho quis saber sobre os seus amigos.
- Tristana já não a vejo há imenso tempo. Meses, acho eu. Certo querido? - começou por dizer olhando para o seu marido que com a boca cheia acenou com a cabeça em concordância - Soube que Ziggs passou cá o Natal com a família, mas não o cheguei a ver. No entanto ele já regressou a Piltover. Já Chris... Depois de... do episódio com os humanos... Ela mudou-se para a casa dos pais em Demacia.

Rumble
Casa da família de Rumble

A minha mãe acabou por me contar o que sabia do paradeiro dos meus amigos. Não estava cá nenhum deles, no entanto.
- Compreendo. - disse cabisbaixo - Até Chris se mudou para o mundo dos humanos. Pensava que ela era diferente...

Annie
Casa da família de Rumble

George aconselhou Annie para ter cuidado caso o seu urso se transformasse. Poderia causar o pânico a muitos yordles caso um urso gigante das sombras aparecesse no meio das ruas, e Annie compreendia-o. Apesar de Tibbers não fazer mal a ninguém, era necessário ter cuidado, ela não queria nada que aqueles yordles fofinhos tivessem medo dela e de Tibbers! Aliás, ela queria ser amiga de todos eles!
- Sim Senhor George! - disse num sorriso.
Gisele ficou a falar com Lulu sobre Pix durante algum tempo. A mãe de Rumble parecia bastante abismada com aquela conversa toda de faes, ursos das sombras e sereias.
Gisele pediu de seguida que fossem chamar Rumble e Nami para jantar. Lulu foi fazer isso enquanto Annie sentou-se de imediato na mesa pronta para comer, pois encontrava-se faminta! Assim que se instalaram todos, Annie serviu-se e comeu avidamente o seu jantar enquanto ouvia a conversa de Rumble com os seus pais. Annie conhecia por alto Tristana e que ela tinha causado uma grande dor em Rumble depois da sua partida. Já Ziggs e Chris, nunca tinha ouvido falar.
- Eles eram teus amigos, Rumble? - perguntou.

Gisele
Casa da família de Rumble

A pequena Annie perguntou se aqueles yordles eram os seus amigos, no que tratou logo de responder.
- Ziggs é o melhor amigo dele e Chris foi a única namorada que nos chegou a apresentar. Se teve mais namoradas, nunca nos apresentou, o malandro! Ele devia de saber que qualquer rapariga que trouxesse a casa era bem vinda, mas pronto, só teve coragem para apresentar a Chris. Ela era um doce de rapariga! Tive tanta pena quando soube da sua partida. - contou num tom alegre.

Rumble
Casa da família de Rumble

Annie perguntou quem eles eram, mas antes que pudesse responder a minha mãe quase que contou a nossa história toda! Credo, para quê espalhar assim tanta informação?
- Mãaeeeee! - exclamei envergonhado. Se a minha face não fosse coberta com pelos azuis, de certeza que estaria super corado! - Pára!

Lulu
Casa da família de Rumble

Acabámos por ir todos para a mesa, onde nos sentámos para comer. A dinâmica familiar de Rumble era bastante diferente da minha e isso notava-se pela maneira como eles conversavam uns com os outros. Lembrava-me perfeitamente das refeições com os meus pais: ambos em silêncio e eu com a cabeça noutro sítio qualquer enquanto nem sequer prestava atenção ao que estava a comer. Nunca percebera o porquê, mas eles não gostavam de conversar durante as refeições - ou mesmo noutra altura qualquer. Cheguei várias vezes a perguntar-me se eles ainda se amavam ou se simplesmente estavam juntos por minha causa.
Ouvi entretanto a senhora Gisele a falar acerca de uma antiga namorada de Rumble. Pelos vistos eles não sabiam que Rumble e Tristana tinham namorado, se bem que por um breve período de tempo.
Tentei não me meter na conversa por isso continuei simplesmente a comer.

NAMI
Localização: Casa da família de Rumble

- Hum? S-Sim, vou já. - disse na minha língua nativa ainda meia a dormir, não me apercebendo de onde e com quem estava. Só quando Rumble se levantou do sofá e fez com que eu tombasse para o lado onde estava antes apoiada é que acordei verdadeiramente, dando de caras com uma Lulu de pé à entrada da sala a dar pequenas risadas enquanto Rumble passava por ela e desaparecia noutra divisão.
- Adormeci? Oh não, que vergonha! - exclamei ao mesmo tempo que me levantava para me juntar a toda a gente na cozinha.
Uma vez sentada à mesa, Rumble iniciou uma conversa com os pais acerca do paradeiro de alguns dos seus amigos. Enquanto conversavam eu travei uma pequena batalha com uns talheres enormes que estavam na taça da salada para conseguir passar uma porção dela para o meu prato, mas sem nunca me distrair do que estava a ser dito à mesa. Quando por fim lá consegui encher o prato ao meu gosto, entrei na conversa.
- Tristana? Não tinhas uma amiga na academia com esse nome também? - Lembrava-me vagamente de Rumble ter falado dela quando Syndra o magoara num dos seus ataques de loucura no refeitório. - Ou é a mesma pessoa?

Annie
Casa da família de Rumble

A Dona Gisele tratou logo de explicar quem era quem, e no que parecia Chris tinha sido uma namorada de Rumble. Annie lembrava-se que Tristana também tinha sido namorada dele, ou pelo menos parecia, já que andavam todo o tempo juntos na academia e ele ficou demasiado magoado quando ela o abandonou. Com a conversa da mãe, Rumble ficou bastante envergonhado e Annie sentiu-se culpada com tal. Até ela ficava envergonhada quando os seus pais perguntavam na brincadeira se ela gostava de algum rapaz, apesar de ser bastante novinha. Claro que ela gostou de um rapaz, filho de um dos membros da Grey Order, e eles brincavam imenso cada vez que haviam reuniões. Mas ela não compreendia o amor, ela gostava desse rapaz como melhor amigo e ficava demasiado envergonhada quando os adultos vinham com as conversas na brincadeira que "eles davam um bonito casal" e "ele é teu namorado Annie?". Eram aqueles tipos de conversa que faziam qualquer criança corar e esconder a cara nas saias da mãe. E neste momento, mesmo Rumble sendo bastante mais velho que ela, parecia igual com a mãe a dizer aquelas coisas.
- N-não sabia Rumble, não precisas de ficar envergonhado! - exclamou a pequena igualmente envergonhada pelo amigo.

Gisele & George
Casa da família de Rumble

Gisele por vezes esquecia-se que aqueles pequenos comentários criavam embaraço no seu filho, principalmente na presença de outras pessoas. Ela soltou um sorriso caloroso e passou a mãe na cabeça de Rumble:
- Qual é o mal filho? Não precisas de ficar assim. Ahah. - e Rumble enxotou logo a mão da mãe, amuado.
Nisto Nami perguntou se Tristana era a mesma pessoa que tinha estado na academia, no que George respondeu:
- Ah sim, o Rumble disse-me que ela tinha estado na academia convosco. E eu contei-te Gisele. É a mesma pessoa sim, Nami.
- Pois foi, o George contou-me que ela também tinha ido para lá. - concordou Gisele - Por momentos até fiquei mais descansada por saber que o Rumble tinha um amigo com ele. Depois de tudo o que ele sofreu... Ele precisava de alguém em quem confiasse. - e voltou a passar a mão no seu filho, no que ele novamente a enxotou.

Rumble
Casa da família de Rumble

- Está tudo bem Annie. - respondi-lhe enquanto afastava a mão da minha mãe.
Aquela conversa começa a cheirar mal. Estavam a levar por caminhos que não estava a gostar. Depois Nami perguntou se essa Tristana era a mesma na academia no que os meus pais disseram que sim. A minha mãe acabou por dizer que ficou aliviada por saber que ela estava lá e que assim tinha apoio. Mas... Não tinha sido bem assim o que aconteceu.
- É... Confiança a mais para depois me abandonar como quando entrou no exército! Saiu-me uma bela amiga ela. Foi preciso abandonar-me duas vezes para realmente perceber quem ela era! Foda-se! - disse claramente chateado empurrando o prato para trás e cruzando os braços. Se bem que... A culpa era minha de estar assim, pois tinha sido eu a puxar a conversa inicialmente.

Lulu
Casa da família de Rumble

Rumble já estava a ficar mal-humorado. Tristana tinha-o magoado a sério. Eu nunca me apaixonara por ninguém e não fazia a mínima ideia do que era sentir aquela perda mas... Se fosse parecido ao que eu sentira depois de saber que os meus pais estavam mortos há séculos, devia doer bastante.
- Agora tens amigos novos, já não precisas de te preocupar com o passado. Se te agarrares demasiado ao passado, deixas de conseguir viver o teu presente como deve de ser. - disse eu, falando por experiência própria.

NAMI
Localização: Casa da família de Rumble

O Sr. George confirmou as minhas suspeitas em relação a Tristana e a ele juntou-se a voz da D. Gisele, que contou como tinha ficado descansada por o filho ter pelo menos um amigo na academia.
Rumble, por outro lado, parecia ter perdido a confiança nessa amizade e quanto mais se falava no assunto mais ele ficava chateado. Lulu acabou por tentar levantar o seu ânimo com palavras sábias ao que eu concordei com um acenar vivamente de cabeça enquanto mastigava uma folha de alface.
- E nós gostamos muito de ti Rumble. - disse de boca cheia.

Annie
Casa da família de Rumble

Todo aquele mau humor estava a entristecer Annie. Ela não compreendia como é que depois de regressar à sua família podia estar tão triste com simples comentários sobre os amigos. Para Annie a família era tudo, e ela faria qualquer coisa para ter a sua de volta. Felizmente Lulu disse uma frase com todo o sentido de modo a alegra-lo. Nami ainda acrescentou que gostavam muito dele.
- Sim, pois gostamos! E para mais tens a tua família contigo Rumble. Tens que aproveitar isso o máximo que puderes. - acrescentou a pequena enquanto se recordava dos seus pais.

Rumble
Casa da família de Rumble

Todo aquele apoio dos meus amigos menos prováveis era impressionante. Eu gostava muito delas as três, disso não havia dúvida, mas sentia a falta de alguém mais adulto na minha vida. Annie era uma criança, Lulu apesar de ter passado por muito, não era muito madura, e Nami era uma sereia, que apesar de nem saber a idade dela, era bastante ingénua e não conhecia muito dos nossos hábitos. Tinha saudades dos meus poucos amigos yordles da minha idade, essa era a verdade. E saber que nenhum deles estava em Bandle City, partia-me o coração.
- Eu também gosto muito de vocês meninas. Agradeço por terem paciência para me aturarem. E tens razão Lulu, mas não é fácil. - disse por fim enquanto me levantava, já tinha terminado de comer - Vou para o meu quarto.
E saí. Não estava com grande cabeça para mais conversas. Ao chegar ao meu quarto vi como ele estava exatamente igual desde que abandonara Bandle City. Deitei-me na minha cama de barriga para cima e suspirei cansado. O efeito da pequena sesta tinha passado e toda a energia que tinha desapareceu.

Gisele & George
Casa da família de Rumble

O feitio do seu filho já era hábito para o casal. Mas mesmo assim magoava-lhes imenso vê-lo assim. Depois do ataque que sofreu, definitivamente que nunca mais foi o mesmo. Depois dele sair, Gisele comentou:
- Ele nunca foi fácil. Sofreu imenso... Ainda bem que vos arranjou como amigas, aposto que foram um grande pilar para ele desde que entrou para a academia.

Lulu
Casa da família de Rumble

O meu conselho parecia não ter tido o efeito desejado. Todas nós tentámos que ele se animasse e não saísse daquela reunião familiar naquele estado de espírito, mas foi praticamente impossível que isso não acontecesse. Depois de nos responder, dizendo que também gostava muito de nós - quase que existia um "mas" ali pelo meio que sugeria que isso não era o suficiente - Rumble foi para o seu quarto.
Caí no silêncio que se tinha instalado e continuei a comer, focada somente no meu prato de comida.

NAMI
Localização: Casa da família de Rumble

Annie completou o coro das mensagens animadas, mas Rumble tinha ficado mesmo triste com a conversa dos amigos de Bandle City. Tanto que mal acabou de jantar, levantou-se e disse que ia para o quarto. Instalou-se um silêncio na mesa que foi quebrado pela D. Gisele que de certa forma desculpou o comportamento do filho e voltou a envolver-nos em conversa.
- Acho que acabamos por ser os pilares uns dos outros lá no instituto, mas gostava de ver o Rumble mais feliz. Nós sabemos que não tem sido fácil para ele...


Última edição por Sanguinia em Seg Out 15, 2018 10:58 pm, editado 2 vez(es)
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Re: Bandle City

em Qui Out 11, 2018 3:49 pm
Gisele & George
Localização: Casa da família de Rumble

George suspirou enquanto bebia do seu copo de vinho. Depois de o pousar na mesa e dar por finalizado a sua refeição, comentou:
- Até mesmo quando eu o visitei ele parecia triste. E depois apareceu Heimerdinger o que não ajudou... Custa-nos muito como pais vê-lo assim e ele ainda recusar a nossa ajuda - pausou e levantou-se para ir buscar o seu cachimbo. Enquanto o enchia continuou - Todos nós gostaríamos de o ver mais feliz, mas já percebi que temos que lhe dar espaço. Apesar de o amarmos muito, ele sempre foi muito solitário, fazendo com que tivesse poucos amigos. Depois esses poucos amigos abandonaram-o mesmo quando ele ainda cá estava. - pausou outra vez e colocou o cachimbo na boca acendendo-o. Depois de ter dado uns bafos, prosseguiu - Ziggs mudou-se para Piltover, Tristana entrou no exército Megling e depois ele andou com a Chris, que agora também foi embora. Enfim...
- O que também lhe custa, - interrompeu Gisele - é que a maior parte do povo de Bandle City o odeia, por isso torna-se complicado fazer amigos novos por aqui.

Annie
Casa da família de Rumble

A conversa acabou por azedar e Rumble foi embora para o seu quarto. Ele disse que gostava delas, mas Annie supôs que ele sentisse realmente saudades dos seus antigos amigos, assim como Annie também tinha saudades dos seus e da sua família.
Annie deixou-se ficar em silêncio enquanto terminava a sua refeição. Aquela conversa estava a tornar-se demasiada adulta para ela, e não sabia bem ao certo o que dizer que pudesse ajudar. Porém, ouviu os pais de Rumble falar do seu feitio e dos seus antigos amigos. Por último, o Sr. George comentou que vários yordles de Bandle City o odiavam.
- Porquê? - questionou a pequena espantada.

Lulu
Casa da família de Rumble

Eu conseguia perceber a frustração de Rumble. Os seus únicos amigos, aqueles em que ele confiava, tinham acabado por o abandonar de uma forma ou de outra. Cada um tinha seguido o seu caminho e ele tinha sentido que tinha sido deixado para trás.
Eu nunca tivera amigos antes da Academia mas se algum deles me deixasse da mesma maneira, acho que me sentiria igual. A partida de Taric era um sentimento agridoce para mim. Ele dera as suas justificações e tínhamos que respeitá-las; mas não conseguia deixar de sentir que ele nos deixara para trás. Talvez se nos tivesse pedido ajuda, as coisas teriam sido diferentes.
Entretanto, apercebi-me que Rumble não era assim tão diferente de mim em relação às pessoas de Bandle City. Elas não me odiavam, se eu bem me recordava. Acho que tinham medo de mim...
Ouvi Annie a perguntar o porquê de tal ser assim e cruzei os meus talheres no prato. Também queria saber o que se tinha passado. Talvez conseguíssemos fazer algo para o ajudar depois de sabermos.

NAMI
Localização: Casa da família de Rumble

Não consegui esconder o meu espanto quando a D. Gisele disse que grande parte do povo de Bandle City odiava Rumble.
No meu caso as coisas eram bem diferentes, totalmente opostas, melhor dizendo. Eu tinha feito um acto de altruísmo e isso valera-me a adoração do meu povo. No entanto, esse acto não estava completamente finalizado e nunca antes um Tidecaller se tinha demorado tanto tempo a cumpri-lo. O mais provável era que por esta altura os Marai já tivessem estranhado o facto de eu não ter regressado a casa e começado a perder a esperança. Mas ainda que eu não fosse bem sucedida na minha jornada, eu acreditava que não era o suficiente para ser odiada. Para isso era preciso ter feito algo de muito, muito errado.
Estava a perguntar-me o que poderia então Rumble ter feito de mal (ou a quem), quando Annie teve a coragem de questionar os pais de Rumble sobre o porquê de todos o odiarem. Logo um silêncio se instalou à mesa enquanto eu, Annie e Lulu aguardamos expectantes por uma resposta do Sr. George e da D. Gisele.

Gisele & George
Localização: Casa da família de Rumble

O espanto do casal foi notório. Eles pensavam que as amigas de Rumble sabiam a sua história, já que o seu filho parecia ter bastante confiança nelas. Possivelmente escondeu esse segredo para si, por não ser assim tão fácil falar dele. Gisele trocou olhares com o seu marido sem saber ao certo se devia de contar o que aconteceu ou não. George deixou sair o fumo do cachimbo lentamente pela sua boca e fez sinal com a mão livre para que a sua mulher não falasse. Era preferível George falar assim por alto antes que a sua mulher desse todos os pormenores. Se Rumble não lhes tinha contado, o melhor era não contar muitos pormenores ou ele iria ficar chateado.
- Por onde começar... - disse George ajeitando-se na cadeira - Rumble adora Bandle City e ele faria qualquer coisa por esta pequena cidade. Mas há algo que ele fez que deixou o povo de Bandle City com raiva dele. Basicamente... - fez outra pausa levando o cachimbo à boca e pensando nas palavras melhores para descrever aquela situação - Ah é verdade! Vocês sabem o porquê dele odiar Heimerdinger? Vocês viram a cena no dia de Natal, certo? - esperou que as raparigas acenassem e depois prosseguiu - Basicamente Heimerdinger trocou Bandle City e construiu uma universidade em Piltover levando a maior parte das nossas invenções para lá, para os humanos. Rumble não gostou disso, porque na opinião dele, os humanos só querem roubar as nossas invenções, e Heimerdinger tratou de lhas "dar" de mão beijada.
- Eu acho que Rumble exagera um bocado para ser sincera, mas que se há-de de fazer... - interrompeu Gisele dando a sua opinião. George olha-a ligeiramente chateado por o ter interrompido, e ela cala-se.
- Bem, acontece que a maior parte de Bandle City venera Heimerdinger. Rumble odeia-o e assim sendo o povo odeia Rumble. Ponto final. - concluiu George rapidamente sem pronunciar a tortura que o filho levou dos humanos. Seria melhor assim e esperava que elas não fizessem mais questões.

Annie
Localização: Casa da família de Rumble

Os pais de Rumble ficaram com uma cara de espanto e Annie não percebeu bem porquê. Depois de alguns momentos de silêncio, o Sr. George tratou de explicar o porquê de o povo de Bandle City odiar Rumble. Ele começou por perguntar às três amigas se elas se lembrava de Heimerdinger e Annie acenou positivamente. Ela lembrava-se perfeitamente daquele yordle de cabelo estranho amarelo e óculos grandes. Ele andava sempre às turras com Rumble e este já andava a perder a paciência com ele. Basicamente, de acordo com a explicação de Sr. George, como Heimerdinger era adorado pelo povo de Bandle City por ter criado uma universidade em Piltover e ter levando algumas invenções para lá, fez com que Rumble ficasse chateado e assim sendo o povo ficava chateado com Rumble. Ligeiramente confuso para a cabeça da pequena Annie, ela não compreendia o porquê de eles o odiarem só por meras bugigangas, neste caso invenções. Então e a máquina que Rumble construiu? Ele a construiu para provar alguma coisa ao seu povo?
- Então... - começou Annie por dizer - Rumble construiu a sua máquina para mostrar alguma coisa ao povo de Bandle City?

Lulu
Casa da família de Rumble

A história que os pais de Rumble estavam a contar era confusa. Na altura em que eu habitara Bundle City, a tecnologia não estava avançada o suficiente para as invenções dos yordles serem consideradas importantes o suficiente para abrir uma universidade noutra zona de Runeterra. A meu ver, era um bom progresso. Porque estaria Rumble contra o progresso? Teria que lhe perguntar directamente, provavelmente.
A pergunta de Annie acabou por ser bastante pertinente.

George & Gisele
Casa da família de Rumble

Nami e Lulu nem eram no entanto as mais curiosas, mas a criança humana não parava de fazer perguntas o que deixava o casal um bocado inquieto. Eles não se importavam de lhes contar a história, mas tinham medo de o fazer, pois era algo demasiado privado para Rumble e ele podia ficar chateado.
- Ahm... Pode-se dizer que sim. - começou por dizer Gisele enquanto se levantava para limpar os pratos. Ela suspirou e decidiu contar mais - É que...
- É que temos que ir dormir! Está tarde! - interrompeu de imediato George. Ele sabia que se Gisele começasse a falar nunca mais se calava, por isso seria melhor enterrar aquele assunto por aquela noite. Levantou-se também e dirigiu-se a Nami - Nami, anda comigo, vou preparar um cantinho para tu dormires.
Assim que Nami se levantou também, George conduziu-a pela cozinha até uma porta que dava às traseiras da casa. Uma vez na rua, George esfregou as mãos de modo as aquecer, devido ao frio imenso que se fazia sentir, e prosseguiu por um pequeno carreiro ao lado de casa até chegarem a uma outra porta que dava acesso à oficina. Apesar da porta ser também baixinha, a grande divisão cheia de maquinarias e ferramentas já era alta o suficiente para Nami caber lá dentro. George entrou e dirigiu-se a outra divisão existente na oficina e foi puxar um dos dois colchões de tamanho adulto que tinha lá guardado. Eram colchões velhos, mas esperava que Nami não se importasse. Transportou um encostando-o a um canto e depois foi buscar um segundo de modo que lhe desse mais cumprimento.
- Não é muito e são um bocado velhos, mas é o que podemos arranjar. Eu já vou dizer a Gisele para ir buscar almofadas e cobertores. Ou... Como é que dormes exatamente? Precisas de algo mais específico para te sentires confortável? - perguntou George assim que deixou cair o segundo colchão.

Rumble
Casa da família de Rumble

Devia de ir buscar as minhas coisas a Tristy. Se bem que ainda devia de ter uns pijamas perdidos no meu quarto, mas não me apetecia exatamente procura-los com medo de encontrar nas minhas gavetas demasiadas recordações daquelas pessoas a quem considerei amigas. O meu quarto estava carregado dessas recordações. Presentes, desenhos, quadros, amuletos, tudo e mais alguma coisa que troquei com eles durante a minha infância e adolescência. Agora voltar para aquele quarto e observar aquilo tudo, só me fazia aumentar a minha dor.
- Que se lixe, durmo de boxers. - murmurei para mim mesmo.
Comecei a despir-me, mas ao baixar as calças elas roçaram no arranhão que o iceborn me tinha causado acordando a comichão que à muito tinha-me deixado de incomodar.
- Merda! A poção ficou na Tristy.
Aborrecido, voltei a vestir as calças e a calçar-me, tinha que ir lá fora buscar se não quisesse ser consumido pela magia negra. Seria bom não contar nada disto aos meus pais, ou eles ainda ficariam mais preocupados comigo.
Saí do quarto e fui em direção à cozinha onde na mesa só se encontravam Annie e Lulu. A minha mãe já estava a lavar a loiça e quando eu passei ouvi-a perguntar:
- Estás bem?
Eu simplesmente ignorei e sai para a rua. Vi a luz da oficina acesa e questionei-me se o meu pai estaria lá com Nami a preparar-lhe algum canto para dormir. Comecei a sentir-me um bocado mal, pois eu convidei-as para virem para minha casa e nem ajudei em nada, simplesmente fiquei chateado e elas nem tinham culpa. Fui então à oficina em vez de ir à Tristy, abri a porta e entrei. Vi que o meu pai tinha ido buscar dois colchões e colocara-os no canto. Observei por alto o resto da divisão que estava muito diferente desde que tinha saído de casa.
- Precisam de ajuda? - perguntei enquanto me abaixava ligeiramente para coçar a perna.

Annie
Casa da família de Rumble

Estava curiosa para saber mais sobre o que se tinha passado com Rumble, mas subitamente o Sr. George pôs um fim à conversa afirmando que já estava demasiado tarde. Este levou Nami consigo para onde ela ia dormir, enquanto a D. Gisele começou a arrumar a cozinha. Definitivamente eles não iam responder a mais nada naquele dia, no que Annie não fez mais nenhuma pergunta para não os incomodar. Annie esticou os seus braços por cima da mesa com Tibbers na sua mão e pousou o queixo na mesa enquanto abanava o seu urso de peluche de um lado para o outro como se estivesse a dançar.
- Estou cansada... - murmurou a pequena.
Entretanto passa Rumble pela cozinha sem dizer uma palavra. A sua mãe ainda lhe perguntou se estava bem, mas ele simplesmente a ignorou saindo para exterior.
- Será que ele afinal não quer que fiquemos aqui? - disse Annie baixinho, de modo que só a Lulu a ouvisse.

Lulu
Casa da família de Rumble

O ambiente estava a ficar tenso. Parecia que a senhora Gisele queria conversar connosco e o senhor George não deixava, talvez por a questão de Rumble não ser assim tão simples. Também os compreendia; provavelmente ele ficaria furioso se soubesse que estávamos a falar dele nas suas costas. Aquele feitiozinho não enganava ninguém, nem mesmo a mim que nunca tivera assim tanta socialização com outras pessoas.
Entretanto, Nami e o senhor George saíram para ir preparar o sítio onde ela ia ficar. A senhora Gisele levantou-se, começando a tratar da loiça. Annie comentou que estava cansada. De estômago cheio, também estava a começar a sentir sono. Apesar de não termos tido todas as aulas que eram supostas, o dia tinha sido cansativo e um bocado emotivo.
A pergunta de Annie apanhou-me de surpresa, se bem que não era descabida para uma criança:
- Não tem nada a ver connosco, Annie. Ele deve ter muitas recordações aqui e isso magoa-o. E o Rumble não é como nós, que contamos umas às outras o que se passa e choramos para que a dor alivie. Ele fica chateado e fecha-se em si mesmo. Quando se sentir preparado, tenho a certeza que virá falar connosco. - disse eu.
Levantei-me finalmente. Apesar do cansaço, não queria abusar da generosidade dos pais de Rumble, por isso aproximei-me da senhora Gisele:
- Precisa de ajuda? - perguntei eu.

Annie
Casa da família de Rumble

- Hmm... Compreendo. - disse a pequena à resposta de Lulu que até tinha alguma razão - É por ser rapaz, né? Os meninos nunca gostaram muito de chorar à frente dos outros, têm vergonha. Eu já tive amigos assim. - disse Annie suspirando.
De seguida Lulu ofereceu-se para ajudar a D. Gisele, no que Annie atirou a língua de fora para Tibbers sem que Lulu e D. Gisele a visse. É que Annie odiava ajudar na cozinha ou nas tarefas domésticas. Já quando a sua mãe lhe pedia para ajudar, ela fazia de tudo para fugir dessa responsabilidade. Bem que se isso trouxesse a sua mãe de volta, ela iria com certeza arrumar todas as cozinhas do mundo! Mas como não era possível, preferia ficar ali a brincar com o seu urso.
- Ao menos tu não choras, né Tibbers? - disse ela baixinho para o seu urso enquanto o fazia caminhar ao longo da mesa de um lado para o outro.

Gisele
Casa da família de Rumble

Claro que o seu filho a iria ignorar, já o conhecia demasiado bem para saber a sua reação, mas de qualquer das formas encontrava-se preocupada. Deixando-o ir, retomou ao seu trabalho lavando a loiça.
Entretanto Lulu apareceu-lhe ao lado perguntando se precisava de ajuda.
- Oh querida, está tudo bem. Eu arrumo isto num piscar de olhos - disse alegremente - Vocês devem é estar exaustas, podem ir descansar se quiserem ou ir para a sala para a frente da lareira. Estão à vontade!

Lulu
Casa da família de Rumble

Após a resposta da senhora Gisele, decidi não insistir mais. Odiava que o fizessem comigo quando eu dizia que "não", portanto também não o fazia com os outros. Além disso, ainda não sabia muito bem distinguir quando é que estavam a dizer que não por educação, simpatia ou por realmente o quererem.
A sua proposta era aliciante. Bocejei e aproximei-me de Annie, que estava a brincar com Tibbers.
- Annie, queres ir já para a cama? - perguntei eu. - Ou ainda tens que ir alimentá-lo?
Apontei para Tibbers.

Annie
Casa da família de Rumble

- Acho que está bem, ele costuma dar sinais quando tem fome e como ainda não os deu... - disse Annie assim que Lulu regressara para ao pé dela. Se bem que da primeira vez que Tibbers se transformou na academia, os sinais tinham sido demasiado rápidos e quase que assustou várias pessoas. Antes que Lulu se lembrasse disso, acrescentou - Se bem que ele comeu à pouco tempo e por vezes ele até aguenta vários dias sem se transformar. Por isso não há problema.
Enquanto falava, movimentava Tibbers na direção de Lulu como se ele caminhasse para ela. De um momento para o outro, Annie atira Tibbers para cima de Lulu, sempre a agarra-lo pelas costas, e grita na brincadeira:
- O Tibbers quer-te dar um abraço! Hehehe!

Lulu
Casa da família de Rumble

Enquanto ouvia a resposta de Annie via o ursinho de peluche a caminhar para mim. Annie devia estar com muito sono mas também alguma vontade de brincar. Há quanto tempo não brincaria ela? Lá na Academia havia sempre algo a acontecer: aulas, missões, cartas a aparecerem... Quando tivera ela tempo para pegar no seu ursinho e brincar, despreocupadamente?
Ri-me quando ela atirou Tibbers praticamente para cima de mim, dizendo que ele queria um abraço. Abracei o ursinho com carinho e depois estendi a mão a Annie.
- Vamos deitar-nos, então? - perguntei eu. - Se não podemos sempre brincar um bocadinho ao pé da fogueira. Ou contar histórias!

Gisele
Casa da família de Rumble

Enquanto lavava a loiça, ouviu Lulu e Annie a brincarem e rirem. Pelo menos elas estavam felizes o que deixava Gisele mais animada, apesar de saber que o seu filho continuava a sofrer. Depois ouviu Lulu dizer a Annie que podiam ir brincar ou contar histórias. Nisto, ela decidiu interrompê-las:
- Se quiserem temos montes de livros de histórias na estante da sala. Estão à vontade para os ler se quiserem.


Annie
Casa da família de Rumble

Lulu retribuiu o abraço de Tibbers que fez com que Annie soltasse uma gargalhada. Ela tinha imensas saudades de brincar sem se estar constantemente a preocupar-se com as aulas, ou com todas as confusões da academia. Ela na realidade já não brincava praticamente desde que os seus pais tinham partido, ela tinha crescido imenso depois desse incidente e não havia tempo para brincadeiras!
A dona Gisele, que entretanto tinha ouvido a conversa das duas, disse que haviam livros na sala e que elas podiam ler os que quisessem. Entusiasmada, mas também cansada, Annie disse:
- Lulu, Lulu! Podemos ir escolher um livro e lê-lo na cama! Que dizes?

Lulu
Casa da família de Rumble

A senhora Gisele ouviu a nossa conversa e informou-nos que existiam imensos livros de histórias na estante da sala. Annie ficou imediatamente entusiasmada, pedindo-me para que levássemos um livro para a cama. Concordei com a ideia e dirigi-me até à sala. As estantes não eram altas, visto que estávamos na terra dos yordles, o que era diferente para mim desde que me mudara para a Academia. Aqui, estava tudo à nossa medida.
- Qual queres ler? - perguntei eu, enquanto encarava aquelas lombardas grossas e lindíssimas.
Não sabia que histórias é que Annie conhecia por isso mais valia deixá-la escolher.

Annie
Casa da família de Rumble

Concordando as duas em ir ler antes de dormir, Annie acompanhou Lulu até à sala e puseram-se ambas de frente para a estante observando os vários livros. Lulu deu-lhe a oportunidade de escolher o que queria ler, o que deixou Annie ainda mais animada. Será que tinham lá algum dos seus livros preferidos? Ou seriam todos eles com histórias de yordles desconhecidos para ela? Annie começou por tocar em algumas lombardas enquanto lia os seus títulos e não estava a reconhecer nenhum deles. Mas houve um que lhe chamou mais à atenção, um bastante grande em comparação aos restantes e esse ela já o tinha visto antes, aliás, ela teve um igual em sua casa. Na sua lombarda podia-se ler "Os contos dos irmãos Grimm", e era um livro com vários contos bastante populares que a pequena conhecia quase de cor e salteado. Ela puxou esse livro para fora e disse a Lulu:
- Vamos escolher algumas histórias deste! Tem contos muito bons, já o li antes.

Lulu
Casa da família de Rumble

O livro que Annie tinha escolhido já eu lera diversas vezes na biblioteca quando era pequena. Era um livro muito antigo que já existia na altura em que eu fora uma criança "normal". Contente por ver algo dos antigos tempos ainda em destaque nas novas gerações, soltei uma pequena lágrima sem querer. Limpei-a rapidamente, fungando de seguida. Ainda não contara aos meus novos amigos a minha história toda. Eles sabiam que eu era orfã e que estivera em Glade, onde fora buscar Pix. Mas não sabiam do pequeno pormenor em que ficara lá durante séculos sem me aperceber.
Peguei no livro pesado e toquei-lhe na capa, passando os dedos pelas letras em relevo. Esta edição era muito mais bonita que a que eu costumava ler na biblioteca antiga.

Annie
Casa da família de Rumble

Lulu ficou esquisita perante a escolha de Annie. Enquanto Annie aguardava por uma resposta da amiga, ela fungou e limpou um dos olhos muito rapidamente. Por fim pegou no livro que Annie escolheu e limitou-se a observa-lo.
- Não gostas da minha escolha Lulu? Se quiseres podemos escolher outro... - disse a pequena com medo que Lulu não gostasse daquele tipo de contos.

Lulu
Casa da família de Rumble

- Pelo contrário, adoro a tua escolha! - exclamei eu.
Sorri-lhe para demonstrar que estava tudo bem e trouxe o livro debaixo do braço enquanto nos encaminhávamos para aquele que seria o nosso quarto durante a semana.
Quando lá entrei, pousei o livro em cima da cama e fui procurar o meu pijama numa das minhas malas. Apesar de aqui não estar tanto frio como na Academia, as noites de Bandle City também podiam deixar alguém menos cuidadoso engripado. Comecei a despir a roupa que tinha vestida enquanto olhava para o ambiente à minha volta. Pix ainda estava tão tímida que mal saíra do meu ombro para explorar mas agora estava sentada na cama a cheirar o livro que tínhamos trazido.

Annie
Casa da família de Rumble

Felizmente Lulu tinha gostado da escolha de Annie o que a deixou mais aliviada. Dirigiram-se então para o seu quarto e prepararam-se para deitar. Annie pousou Tibbers ao lado do livro enquanto Pix se se aproximava deste e o cheirava curiosa. Será que não haviam livros na terra de onde Pix viera? Curiosa, Annie perguntou enquanto se dirigia à sua mala para tirar o pijama:
- A Pix sabe ler?
De seguida Annie vestiu o seu pijama quentinho, puxou as mantas da cama para trás, endireitou as almofadas e sentou-se nela cobrindo as suas pernas de seguida.
- Conheces os contos que estão no livro? São imensos, claro que não vamos consegui-los ler todos hoje... Os meus preferidos são a Ranpuzel, Hanzel e Gretel e O Capuchinho Vermelho!

Lulu
Casa da família de Rumble

Terminei de vestir o meu pijama.
- Não, não sabe. Mas ela consegue sentir as coisas que eu sinto e sabe o quanto gosto deste livro, por isso é que está curiosa. - respondi eu.
Annie entretanto já estava dentro da cama, por baixo das mantas. Peguei no livro e fiz a mesma coisa que ela, aconchegando-me de maneira a que conseguíssemos as duas olhar para as páginas amareladas do livro.
- Nunca consegui ler todos os contos deste livro. O que achas de abrirmos uma página ao calhas? - perguntei eu.
Fechei os olhos, coloquei o livro no meu colo e folheei o livro. Quando achei que devia parar, abri os olhos e vi que estava na página quarenta e sete, num conto chamado "A amoreira". Por sorte - ou não - nunca lera este.
Encarei Annie e comecei a ler:

«Há muito tempo, há uns dois mil anos, havia um homem rico, casado com uma mulher muito bonita e piedosa; eles amavam-se muito mas não tinham filhos e, por mais que os desejassem e a mulher rezasse dia e noite para tê-los, não apareciam.
A frente da casa havia uma amoreira. Certa vez, no inverno, a mulher estava debaixo da amoreira descascando uma maçã e, inadvertidamente, cortou o dedo; o sangue, escorrendo, caiu na neve.
- Ah, - disse a mulher com profundo suspiro, olhando tristonha para aquele sangue, - se eu tivesse um menino vermelho como o sangue e branco como a neve!
Mal acabara de falar, sentiu-se serenamente calma como se tivesse um pressentimento. Voltou para casa; passou uma lua e a neve desapareceu; após duas luas, a terra reverdeceu; após três luas, desabrocharam as flores; após quatro luas, todas as árvores no bosque revestiram-se de galhos viçosos; os pássaros cantavam, ressoando por todo o bosque e as flores caíam das árvores; passara a quinta lua e a mulher estava sob a amoreira; seu perfume era tão suave que sentiu o coração palpitar de felicidade, então caiu de joelhos fora de si pela alegria; depois na sexta lua, as frutas iam-se tornando mais grossas e ela acalmou-se; na sétima lua, colheu algumas amoras e comeu-as avidamente, mas tornou-se triste e adoeceu; passou a oitava lua e ela chamou o marido e disse-lhe chorando:
- Se eu morrer, enterra-me debaixo da amoreira.
Depois voltou a ficar tranquila e alegre até que uma outra lua, a nona, passou; então, nasceu-lhe um menino, alvo como a neve e vermelho como o sangue e, quando o viu, sua alegria foi tanta que faleceu.
O marido enterrou-a debaixo da amoreira e chorou muito durante um ano; no ano seguinte, chorou menos e, finalmente, cessou de chorar e casou-se novamente.
Da segunda mulher, teve uma filha, ao passo que da primeira tivera um filho rosado como o sangue e alvo como a neve. Quando a mulher olhava para a filha, sentia que a amava com imensa ternura; mas quando olhava para o menino, sentia algo a lhe aguilhoar o coração e achava que era um estorvo para todos. E pensava, continuamente, que deveria fazer para que a herança passasse inteiramente à filha. O demônio inspirava-lhe os piores sentimentos; passou a odiar o rapazinho, a enxotá-lo de um canto para outro, a esmurrá-lo e empurrá-lo, de maneira que o pobre menino vivia completamente aterrorizado e, desde que saía da escola, não encontrava um mínimo de paz.
Certo dia, a mulher dirigiu-se à despensa e a linda filhinha seguiu-a.
-Mamã, - pediu ela, - dá-me uma maçã.
-Sim, minha filhinha, - disse a mulher tirando uma bela maçã de dentro do caixão, o qual tinha uma tampa muito grossa e pesada além de uma grossa e cortante fechadura de ferro.
-Mamã, - disse a menina, - não dás uma também a meu irmão?
A mulher irritou-se, mas respondeu:
-Dou, sim, quando ele voltar da escola.
E quando o viu da janela que vinha chegando da escola, foi como se estivesse possuída pelo demónio; tirou a maçã da mão da filha, dizendo:
-Não deves ganhá-la antes do teu irmão.
Jogou a maçã dentro do caixão e fechou-o. Quando o menino entrou, ela disse-lhe, com fingida doçura:
-Meu filho, queres uma maçã? - e lançou-lhe um olhar arrevesado.
-Oh, mamã, - disse o menino, - que cara assustadora tens! Sim, dá-me a maçã.
-Vem comigo, - disse ela animando-o, e levantou a tampa; - tira tu mesmo a maçã.
Quando o menino se debruçou para pegar a maçã, o demónio tentou-a e, paff! ela deixou cair a tampa cortando-lhe a cabeça, que rolou sobre as maçãs. Então sentiu-se tomado de pavor e pensou: "Ah, como poderei livrar-me dele!" Subiu, então, para o quarto, tirou da primeira gaveta da cómoda um lenço branco, ajeitou a cabeça no devido lugar atando-lhe, em seguida, o lenço, de maneira que não se percebesse nada; depois sentou-o numa cadeira, perto da porta, com a maçã na mão.
Pouco depois, Marleninha foi à cozinha, onde estava a mãe mexendo num caldeirão cheio de água quente.
-Mamã, - disse Marleninha, - meu irmão está sentado perto da porta... todo branco; e tem uma maçã na mão; pedi-lhe que ma desse, mas ele não me respondeu e eu assustei-me.
-Volta lá, - disse a mãe, - e se não quiser responder-te, dá-lhe uma bofetada.
Marleninha voltou e disse:
-Meu irmão, dá-me um pedaço de maçã!
Mas ele continuou calado; ela, então, deu-lhe uma bofetada e a cabeça caiu-lhe. Ela espantou-se e começou a chorar e a soluçar. Correu para junto da mãe dizendo:
-Ah, mamã; arranquei a cabeça de meu irmão!
E chorava, chorava sem parar.
-Marleninha, - disse-lhe a mãe, - que fizeste! Acalma-te, não chores, para que ninguém o perceba; não há mais remédio! Vamos cozinhá-lo com molho escabeche.
A mãe pegou o menino, cortou-o em pedaços, pôs este numa panela e cozinhou-os com vinagre. Marleninha, porém, chorava, chorava sem cessar e suas lágrimas caíam todas dentro da panela. Assim não precisaram salgá-lo.
O pai regressou à casa, sentou-se à mesa e perguntou:
-Onde está meu filho?
Então a mãe trouxe-lhe uma travessa cheia de carne em escabeche. Marleninha chorava sem poder conter-se. O pai repetiu:
-Onde está meu filho?
-Ele foi para o campo, para a casa de um parente onde deseja passar algum tempo, - respondeu a mãe.
-E que vai fazer lá? Saiu sem mesmo despedir-se de mim!
-Ora, tinha vontade de ir e pediu-me para ficar lá algumas semanas. Será bem tratado verás!
-Ah, - retorquiu o homem, - isso aborrece-me! Não está direito, devia pelo menos despedir-se de mim!
Assim dizendo, começou a comer.
-Marleninha, - perguntou ele, - por que choras? Teu irmão voltará logo. Oh, mulher, - acrescentou, - como está gostosa esta comida! Dá-me mais um pouco.
Mais comia, mais queria comer e dizia:
-Dá-me mais, não sobrará nada para vós; parece que é só para mim.
E comia, comia, jogando os ossinhos debaixo da mesa, até acabar tudo. Marleninha foi buscar seu lenço de seda mais bonito, na última gaveta da cómoda, recolheu todos os ossos e ossinhos que estavam debaixo da mesa, amarrou-os bem no lenço e levou-os para fora, chorando lágrimas de sangue. Enterrou-os entre a relva verde, sob a amoreira, e, tendo feito isso, sentiu-se logo aliviada e não chorou mais. A amoreira então começou a mover-se, os ramos apartavam-se e reuniam-se de novo, tal como quando alguém bate palmas de alegria. Da árvore desprendeu-se uma nuvem e dentro da nuvem parecia estar um fogo ardendo; do fogo saiu voando um lindo passarinho, que cantava maravilhosamente e alçou voo rumo ao espaço; quando desapareceu, a amoreira voltou ao estado de antes e o lenço com os ossos haviam desaparecido. Marleninha, então, sentiu-se aliviada e feliz, tal como se o irmão ainda estivesse vivo. Voltou para casa muito contente, sentou-se à mesa e comeu.
O pássaro, porém, voou longe, foi pousar sobre a casa de um ourives e se pôs a cantar:
- Minha mãe me matou.
meu pai me comeu.
minha irmã Marleninha
meus ossos juntou.
num lenço de seda os amarrou.
debaixo da amoreira os ocultou.
piu, piu, que lindo pássaro sou!
O ourives estava na oficina, confeccionando uma corrente de ouro; ouviu o pássaro cantando sobre o telhado e achou o canto maravilhoso. Levantou-se para ver, e ao sair perdeu um chinelo e uma meia, mas foi mesmo assim ao meio da rua, com um chinelo e uma meia só. Estava com o avental de couro, numa das mãos tinha a corrente de ouro e na outra a pinça; o sol estava resplandecente e iluminava toda a rua. Ele deteve-se e. olhando para o pássaro, disse:
-Pássaro, como cantas bem! Canta-me outra vez a tua canção.
-Não, - disse o pássaro, - não canto de graça duas vezes; dá-me a corrente de ouro que eu a cantarei outra vez.
-Aqui está a corrente de ouro! - disse o ourives; - agora canta outra vez.
O pássaro então voou e foi buscar a corrente de ouro, apanhou-a com a patinha direita, sentou-se diante do ourives e cantou:
-Minha mãe me matou,
meu pai me comeu,
minha irmã Marleninha
meus ossos juntou,
num lenço de seda os amarrou,
debaixo da amoreira os ocultou,
piu, piu, que lindo pássaro sou!
Depois o pássaro voou para a casa de um sapateiro, pousou sobre o telhado e cantou:
-Minha mãe me matou,
meu pai me comeu,
minha irmã Marleninha
meus ossos juntou,
num lenço de seda os amarrou,
debaixo da amoreira os ocultou,
piu, piu, que lindo pássaro sou!
O sapateiro ouviu-o e correu à porta em mangas de camisa; olhou para o telhado, resguardando os olhos com a mão para que o sol não o cegasse.
- Pássaro, - disse ele, - como cantas bem! - E da porta chamou: - mulher, vem cá fora, está aqui um pássaro que canta divinamente bem! Vem ver.
Depois chamou a filha, os filhos, os ajudantes, o criado e a criada; e todos foram para a rua ver o passarinho, que era realmente lindo com as penas vermelhas e verdes, em volta do pescoço parecia de ouro puro e os olhinhos eram cintilantes como estreias.
-Pássaro, - pediu o sapateiro, - canta-me outra vez a tua canção!
-Não, - respondeu o pássaro, - não canto de graça duas vezes, tens que me dar alguma coisa.
-Mulher, - disse o sapateiro, - atrás da banca, na parte mais alta, há um par de sapatos vermelhos, trás-los aqui.
A mulher foi buscar os sapatos.
-Aqui tens, pássaro, - disse o homem, - agora canta-me novamente a tua canção.
O pássaro foi buscar os sapatos com a pata esquerda, depois voou para o telhado e cantou:
- Minha mãe me matou,
meu pai me comeu,
minha irmã Marleninha
meus ossos juntou,
num lenço de seda os amarrou,
debaixo da amoreira os ocultou,
piu, piu, que lindo pássaro sou!
Terminado o canto, foi-se embora, levando a corrente na pata direita e os sapatos na esquerda, e voou longe, longe, sobre um moinho, e o moinho girava fazendo: clipe clape, clipe clape, clipe clape. E na porta do moinho estavam sentados os ajudantes do moleiro, que batiam com o martelo na mó: tic tac, tic tac, tic tac; e o moinho girava: clipe clape, clipe clape, clipe clape. Então, o pássaro pousou numa tília em frente ao moinho e cantou:
- Minha mãe me matou.
E um ajudante parou de trabalhar.
meu pai me comeu.
Outros dois ajudantes pararam de trabalhar para ouvir.
minha irmã Malerninha,
Outros quatro pararam de trabalhar.
meus ossos juntou,
num lenço de seda os amarrou.
Oito ainda continuavam batendo.
debaixo da amoreira
Mais outros cinco pararam,
os ocultou,
Ainda mais um, mais outro.
piu, piu, que lindo pássaro sou!
Então, o último ajudante também largou o trabalho e pôde ouvir o fim do canto.
-Pássaro, - disse ele, - como cantas bem! Deixa-me ouvir também, canta outra vez.
-Não, - disse o pássaro, - não canto de graça duas vezes; dá-me essa mó e cantarei de novo.
-Sim, - respondeu o ajudante, - se fosse minha somente, eu ta daria.
-Sim, - disseram os outros, - se cantar novamente, a terá.
Então o pássaro desceu e os moleiros todos pegando uma alavanca, suspenderam a mó, dizendo: ouup, ouup, ouup, ouup! O pássaro enfiou a cabeça no buraco da mó como se fosse uma coleira; depois voltou para a árvore e cantou:
- Minha mãe me matou,
meu pai me comeu,
minha irmã Marleninha
meus ossos juntou,
num lenço de seda os amarrou,
debaixo da amoreira os ocultou,
piu, piu, que lindo pássaro sou!
Acabando de cantar, abriu as asas, levando na pata direita a corrente de ouro, na esquerda o par de sapatos e no pescoço a mó e foi-se embora, voando para a casa do pai.
Na sala estavam o pai, a mãe e Marleninha sentados à mesa; o pai disse:
-Ah, que alegria; estou me sentindo muito feliz!
-Oh, não, - disse a mãe; - eu estou com medo, assim como quando se anuncia forte tempestade.
Marleninha, sentada em seu lugar, chorava, chorava. De repente, chegou o pássaro e, quando ele pousou em cima do telhado, disse o pai:
-Ah! que alegria! Como brilha o sol lá fora! E como se tornasse a ver um velho amigo!
-Oh, não, - disse a mulher; - eu sinto tanto medo: estou batendo os dentes e parece-me ter fogo nas veias.
Assim dizendo, tirou o corpete. Marleninha continuava sentada no seu lugar e chorava, segurando o avental diante dos olhos e banhando-o de lágrimas. Então, o pássaro pousou sobre a amoreira e cantou:
- Minha mãe me matou,
e a mãe tapou os ouvidos e fechou os olhos para não ver e não ouvir, mas zumbiam-lhe os ouvidos como se fosse o fragor da tempestade e os olhos ardiam-lhe como se tocados pelo raio.
meu pai me comeu,
-Ah, mãe, - disse o homem, há aí um pássaro que canta tão bem! E o sol está tão brilhante!
minha irmã Marleninha
Então Marleninha inclinou a cabeça nos joelhos e irrompeu num choro violento, mas o homem disse:
-Vou lá fora, quero ver esse pássaro de perto.
-Não vás, não! - disse a mulher; - parece-me que a casa toda está a tremer e a arder.
O homem, porém, saiu lá fora, e foi ver o pássaro.
meus ossos juntou,
num lenço de seda os amarrou,
debaixo da amoreira os ocultou,
piu, piu, que lindo pássaro sou!
Com isso, o pássaro deixou cair a corrente de ouro exactamente em volta do pescoço de seu pai, servindo-lhe esta tão bem como se fora feita especialmente para ele. O homem entrou em casa e disse:
-Se visses que lindo pássaro! Deu-me esta bela corrente de ouro, e é tão bonito!
Mas a mulher, cheia de medo, caiu estendida no chão, deixando cair a touca da cabeça. E o pássaro cantou novamente:
- Minha mãe me matou,
-Ah, se pudesse estar mil léguas debaixo da terra para não ouvi-lo!
meu pai me comeu,
A mulher debateu-se, e parecia morta,
minha irmã Marleninha
-Oh, - disse Marleninha, - eu também quero sair lá fora; quem sabe se o pássaro dá algum presente também a mim! - E saiu.
meus ossos juntou,
num lenço de seda os amarrou,
e atirou-lhe os sapatos.
debaixo da amoreira os ocultou,
piu, piu, que lindo pássaro sou!
Marleninha então sentiu-se alegre e feliz. Calçou os sapatinhos vermelhos; pulando e dançando, entrou em casa.
-Estava tão triste quando saí e agora estou tão alegre! Que pássaro maravilhoso! Deu-me um par de sapatos vermelhos.
-Oh, não, - disse a mulher; ergueu-se de um salto e os cabelos se lhe eriçaram como labaredas de fogo.
-Parece-me que vai cair o mundo, vou sair também, quem sabe se não me sentirei melhor?
Quando transpôs a soleira da porta, pac! o pássaro atirou-lhe na cabeça a pesada mó, que a esmigalhou. O pai e Marleninha, ouvindo isso, correram e viram desprender-se do solo fogo e fumaça e, quando tudo desapareceu, eis que surge o irmãozinho, estendendo as mãos ao pai e a Marleninha; e, muito felizes, entraram os três em casa, sentaram-se à mesa e começaram a comer.»

Annie
Casa da família de Rumble

Afinal Pix não sabia ler, mas como sabia que Lulu tinha uma adoração por aquele objeto chamado livro, sentia-se curiosa em relação a ele.
De seguida Lulu vestiu o seu pijama e juntou-se a Annie na cama. A pequena criança sentou Tibbers a seu colo de modo que ele pudesse ler também. Lulu decidiu então que deviam de ler um conto aleatório, no que Annie concordou. Apesar de a pequena adorar re-ler as suas histórias preferidas, era sempre bom ler algo novo. A sua amiga esfolheou então o livro parando num conto chamado "A Amoreira".
- Nunca ouvi falar dessa história. - murmurou Annie. Ela tinha jurado que já tinha lido todos aqueles contos, mas afinal estava enganada.
Lulu começou a ler o conto, e ainda bem, pois Annie demorava imenso a ler, uma vez que já há muito que não treinava a leitura e escrita. Ela andou na escola destinada aos filhos dos membros da Grey Order, mas só lá andou um ano e meio no que ainda lhe faltava imensas coisas para aprender. Ela adoraria voltar a estudar, mas a academia não tinha propriamente aulas para crianças, por isso a pequena não sabia como havia de prosseguir com os seus estudos.
Concentrando-se na história, esta tornou-se demasiado estranha para Annie e agora entendia o motivo de nunca a ter lido. Havia certos contos marcados com uma cruz no topo da página (na cópia do livro que tinha na sua antiga casa) que tinha sido a mãe a marcar os contos mais assustadores e dos quais Annie estava proibida de ler. Eram poucos os contos com essa cruz e como Annie estava habituada sempre a ler os mesmos, nunca se tinha dado ao trabalho de se aventurar pelas histórias mais assustadoras. Hoje isso tinha mudado.
A parte em que a mãe cortou a cabeça ao filho usando a caixa, fez com que a pequena abraçasse o seu urso com força.
- Que mãe tão má... - murmurou a pequena nessa parte.
Felizmente a história teve um final feliz, onde a madrasta má morreu devido ao pássaro-menino e depois o menino, a irmã e o pai voltaram para dentro de casa para comer.
- Mas... Eles foram comer os restos do menino outra vez? Espera aí... Se ele ressuscitou eu foi-se comer a si próprio? - perguntou Annie com os olhos arregalados quando o conto acabou. Estava assustada com aquela ideia estranha. - Que conto tão estranho!

NAMI
Localização: Casa da família de Rumble

Do relato de D. Gisele e do Sr. George entendi que a hostilidade de Bandle City para com Rumble se devia a uma questão de popularidade. Heimerdinger tinha partilhado com outro país o que Bandle City tinha de bom e o que os yordles sabiam fazer de melhor (até o próprio Rumble sentia um tremendo orgulho da máquina que construíra) e isso levou a que toda a gente o admirasse. Só que como Rumble achava que as invenções dos yordles deviam ficar entre eles, indo assim contra os ideais de Heimerdinger, as pessoas não gostavam dele. Pelo menos não era nada que eu considerasse grave, mas devia ser difícil alguém estar em casa e rodeado pelo seu povo e mesmo assim sentir-se só...
Baixei a cabeça, sentindo-me triste ao tentar colocar-me no lugar de Rumble, mas não tive tempo de me embrenhar muito nesses pensamentos pois o Sr. George disse que já era tarde e que me ia mostrar o sítio onde eu iria dormir.
Despedi-me das minhas amigas e de D. Gisele, fui buscar o meu bastão à sala e segui o pai de Rumble até à casa que ele chamava de oficina.
Lá já me podia esticar e ficar direita sem tocar com a cabeça no tecto. A luminosidade era fraca mas suficiente para poder dar uma olhadela nas várias máquinas que o Sr. George possuía. Eram verdadeiramente fascinantes e eu só me podia perguntar para que serviriam, pois tudo aquilo era demasiado estranho para mim. Mesmo os objectos que ocasionalmente iam parar ao fundo do mar nada tinham a ver com as máquinas que ali se encontravam.
O Sr. George reapareceu pouco depois carregando dois colchões, os quais dispôs num cantinho da oficina antes de me colocar uma questão sobre os termos em que dormia.
- Só durmo com umas toalhas molhadas para me manter hidratada durante a noite. De resto, estes colchões são o suficiente, Sr. George, muito obrigada.
Nisto, Rumble entra na oficina a perguntar se precisávamos de ajuda. Não pude deixar de reparar que ele vinha a coçar a perna, onde os Iceborns o tinham ferido, mas ao cruzar o meu olhar com o dele percebi que devia manter-me calada sobre esse assunto.
- Acho que não Rumble e tu? Pensei que já estavas a dormir por esta altura. Está tudo bem?

Lulu
Casa da família de Rumble

Ao longo do tempo em que fui lendo o conto, por várias vezes me vi tentada a parar de ler e dizer a Annie que devíamos ir dormir. No entanto, acabei por não o fazer e li-o todo em voz alta até ao fim, talvez devido à curiosidade em como acabaria. No final, a pequena parecia assustada e aliviada ao mesmo tempo. Eu, ainda sem saber muito bem o que pensar, ainda não tinha entendido todo o sentido do conto - se é que tinha algum.
- O que achas de irmos dormir e amanhã pode ser que já tenhamos algumas respostas para essas perguntas? - questionei eu. - Sinto-me cansada e não sei se quero pensar muito no significado do conto agora.

Rumble
Casa da família de Rumble

- Como estás filho? - ouvi logo o meu pai perguntar mal me pôs o olhar em cima ignorando a minha pergunta.
Vi Nami a observar-me a coçar a perna e lancei-lhe um olhar para ver se ela não falava sobre o assunto, pelo menos à frente do meu pai.
- Estou bem, estou bem. - murmurei endireitando-me - Só quis mesmo saber se precisavam de alguma coisa. É que eu acabei por vos trazer para minha casa e nem ajudei em nada... - acrescentei entrando pela oficina observando a maquinaria que o meu pai ali dispunha - Tens isto tudo para arranjar pai? A oficina está cheia!
Era admirável o que o meu pai tinha conquistado depois da minha ausência. Ele tinha-se despedido pouco antes do meu ataque e começamos o dois a montar o nosso próprio negócio. Quando desapareci, tinha o pressentimento que o negócio não ia durar muito e que o meu pai ia ter demasiados obstáculos e problemas sem mim. Felizmente ele desenrascou-se e o resultado do seu trabalho estava à vista. De qualquer das maneiras sentia-me culpado por o ter abandonado.
- Sim, felizmente tem corrido bem. Amanhã mostro-te tudo e se quiseres até me podes ajudar, que dizer? - disse o meu pai aproximando-se de mim e colocando o seu braço no meu ombro.
- Parece-me bem. - respondi com um ligeiro sorriso. Realmente a minha maior vontade era voltar a trabalhar de modo a desanuviar a cabeça. - Então se não precisam de mim vou-me deitar. - afastei-me do meu pai e aproximei-me da sereia dando-lhe um abraço rápido e um bocado tosco - Obrigado por estarem comigo, até amanhã.
Saí de seguida da oficina e fui a Tristy buscar as minhas coisas. Levei-as para dentro e felizmente a minha mãe já não estava na cozinha assim como Annie e Lulu. Possivelmente já se tinham deitado.
Sem mais demoras, fui para o meu quarto e a primeira coisa que fiz foi beber um trago da poção que Miss Vessaria me deu. Esta ardia por dentro conforme ia descendo até ao estômago fazendo-me tossir de imediato. Fiz uma careta à espera que aquela má impressão passasse e depois de mais aliviado guardei o frasco na gaveta da mesinha de cabeceira. Por último, tirei o meu pijama da mala, vesti-o e deitei-me. Ainda demorei a adormecer, mas quando o fiz descansei melhor do que muitas noites na academia, pois não existia nada melhor que o conforto da minha cama.

Annie
Casa da família de Rumble

Apesar das dúvidas das amigas, ambas encontravam-se cansadas sendo que Lulu propôs descobrirem o significado daquela história no dia seguinte. Annie sentia as pálpebras a pesar, no que concordou de imediato deixando-se escorregar na totalidade para debaixo das mantas puxando-as até às orelhas. Aconchegou Tibbers a seu lado e por fim disse:
- Sim, vamos dormir. Até amanhã Lu...lu...
E sem esperar muito mais, Annie caiu num sono profundo.

George e Gisele
Casa da família de Rumble

Depois do seu filho abandonar a oficina, George voltou a prestar atenção a Nami e ao seu pedido. Ela tinha pedido umas toalhas molhadas para se manter hidratada.
- Eu vou já tratar disso. Achas que precisas também de uns cobertores para te acachar? Ou não costumas sentir frio?
Nisto Gisele entra na oficina com cobertores e uma almofada para preparar a cama improvisada da sua convidada. Mal George a viu entrar riu-se e disse:
- Gisele, não vai ser preciso tanta coisa. Temos é que arranjar toalhas molhadas para ela se manter hidratada.
- Ah sim? - murmurou Gisele pousando os cobertores em cima dos colchões - Mas precisas também de uns cobertores, não? Está muito frio! De qualquer das maneiras vou já preparar as toalhas molhadas.
Gisele saiu então de seguida e foi à casa de banho buscar várias toalhas onde as encharcou com água. Algumas eram toalhas mais velhas, mas achou que Nami não se iria importar, pois também iriam ser necessárias toalhas lavadas caso toda a gente quisesse tomar banho no dia seguinte. De seguida colocou todas as toalhas num balde e carregou-os até à oficina.
- Aqui estão! - disse Gisele ao entrar. - Precisas de ajuda a colocar as toalhas?

Lulu
Casa da família de Rumble

Annie estava tão cansada quanto eu. Mal lhe sugeri irmos dormir, enroscou-se nos cobertores, agarrada a Tibbers, e adormeceu ainda a meio de uma frase. Sorri e antes de me enroscar, levantei-me da cama e tirei da minha mala a caminha de Pix. Coloquei-a na mesa-de-cabeceira ao meu lado e ela deitou-se, contente por ter o seu próprio espaço de volta.
Voltei a enfiar-me por baixo das mantas e deitei-me, fechando os olhos. Não demorei muito tempo a adormecer.

NAMI
Localização: Casa da família de Rumble

Rumble afirmou estar tudo bem com ele e que apenas queria saber se precisávamos de alguma coisa pois sentia-se culpado por não ter ajudado em nada. Tal como dissera ao Sr. George, a única coisa que estava em falta era algo que impedisse que desidratasse durante a noite e isso eu própria podia tentar arranjar. Era escusado incomodar mais os pais de Rumble ou ele mesmo, que embora dissesse que estava bem não estava com muito boa cara.
Os yordles acabaram por desviar a conversa para a maquinaria que já me tinha fascinado a mim quando entrara na oficina, mas esta não durou muito tempo porque era bastante tarde e pai e filho acharam melhor dar continuidade no dia seguinte.
Rumble veio então despedir-se de mim com um gesto que me surpreendeu, mas o qual eu retribuí, e saiu da oficina. Estava prestes a dizer ao Sr. George que ia procurar por toalhas quando a D. Gisele apareceu com um monte de cobertores!
- Estou habituada ao frio, D. Gisele, é o calor que me preocupa. - respondi com um sorriso - A Annie e a Lulu devem precisar mais dos cobertores que eu, se quiser posso levar-lhes.
Tal como Rumble, eu não estava a ajudar em nada desde que chegara mas quando tentava não me deixavam! D. Gisele era incansável e disse que iria preparar ela as toalhas.
- O-Obrigada.
D. Gisele regressou pouco depois carregando um balde. Dentro dele estava uma série de toalhas e eu apressei-me a pegar nelas. Eram mais pequenas que as da academia, mas serviriam o seu propósito.
- Não se preocupe, eu agora consigo desenrascar-me sozinha. Vocês também devem estar ansiosos por ir dormir, portanto não vos tomo mais tempo. Obrigada uma vez mais.
Assim que fiquei sozinha na oficina, levei o balde para perto dos colchões, deitei-me neles e estendi as toalhas por cima de mim. Ao fim de algum tempo adormeci.


Última edição por Sanguinia em Seg Out 15, 2018 11:02 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Bandle City

em Qui Out 11, 2018 4:25 pm
- TERÇA-FEIRA, MANHÃ -


Lulu
Casa da família de Rumble

«Minha mãe me matou.
meu pai me comeu.
minha irmã Marleninha
meus ossos juntou.
num lenço de seda os amarrou.
debaixo da amoreira os ocultou.
piu, piu, que lindo pássaro sou!»

Eu era o maldito pássaro. E estava a cantar aquela música há horas enquanto estava pousado numa janela da casa abandonada pela qual passara e tivera um pressentimento estranho. De vez em quando bicava o vidro, fazendo barulho para que alguém me viesse ouvir a cantar. Mas apenas o vento se ouvia a soprar por entre os vidros partidos e as paredes com buracos. Na última vez em que cantei, um rosto envelhecido e desconhecido aproximou-se subitamente de mim. Fui apanhada numas mãos ásperas e grandes. Comecei a tentar fugir mas elas apertavam-me o suficiente para não conseguir.
- Shhhhh... Shhhh... - dizia a pessoa que me tinha apanhado. Parecia ser uma velha. - Nunca estarás morta enquanto eu viver.
E com aquela frase, desapareceu.

Acordei sobressaltada e a suar. Esfreguei os olhos e respirei fundo enquanto observava a luz do sol a entrar pela janela do quarto. Já era de manhã, felizmente. Engoli em seco e ponderei se me devia levantar ou não. Não ouvia qualquer barulho no resto da casa e ainda não tinha confiança suficiente para andar sozinha por ali. Fiquei a ponderar o que fazer durante alguns minutos silenciosos.

Gisele
Casa da família de Rumble

Gisele acordou com o nascer do sol, como já era hábito, e foi tratar dos seus afazeres no exterior de casa. O seu marido também queria ir trabalhar, mas como tinham uma das hóspedes a dormir na oficina, George decidiu ir comprar alguns materiais ao mercado e abriria a sua oficina mais tarde. Gisele esteve a maior parte da manhã de volta do seu jardim e quintal. Quando olhou para o céu e deduziu que já deviam de ser umas 10 horas, decidiu entrar e ver se alguém já tinha acordado.
Ao entrar na cozinha sentiu o mesmo silêncio pela casa que tinha sentido quando acordou, o que significava que ainda estavam todos a dormir. De qualquer das maneiras era uma boa altura para começar a preparar o pequeno almoço, eles deviam de acordar muito brevemente.
Assim sendo, Gisele começou a preparar a primeira refeição do dia: ovos mexidos, leite, café, torradas. Caso eles não sentissem o cheiro da comida e se não se levantassem, a própria Gisele iria acorda-los, pois não podiam perder a principal refeição do dia!

Annie
Casa da família de Rumble

Annie teve um sonho bastante estranho durante a noite: sonhou com o conto claro está, e sonhou que ela era a Marleninha, a mãe má era a sua própria mãe e o menino era Tibbers, uma estranha versão do seu urso das sombras da sua altura e que falava. 
O que mais a aterrorizou foi a parte em que a sua própria mãe matou Tibbers cortando-lhe a cabeça na caixa das maçãs.
- NÃO MÃE! NÃO! TIBBERS! - gritou Annie, ou Marleninha, quando viu a cabeça do seu urso a tombar no chão e só havia sangue por todo o lado. Muito, muito sangue! A sua mãe ria e ria sem parar e Annie chorava e chorava. Havia cada vez mais sangue, já chegava aos tornozelos da pequena e o Tibbers não reagia, estava morto e sem cabeça.

Annie abriu os olhos de repente e viu onde estava: no quarto de hóspedes da casa do Rumble. Viu Lulu a seu lado a dormir profundamente e sentia Tibbers colado a si. No entanto, algo estava errado: ela sentia os seus tornozelos e pés molhados em algo pegajoso. Annie queria destapar-se e ver o que se passava, mas não conseguia, estava presa. A única coisa que conseguia mexer era os olhos, de resto estava totalmente paralizada!
"Lulu! Lulu!" - tentou gritar, mas em vão. Nenhum som lhe saia da boca e a sua amiga continuava a dormir a seu lado. Ela tentava mexer-se com grande esforço, mas nem sequer conseguia desfazer o abraço ao seu urso de peluche! Mas aquilo afinal era realidade ou ainda estava a sonhar?

Annie abriu os olhos de repente e viu luz e Lulu acordada a seu lado. Seria agora aquele o mundo real ou outro sonho? Sentou-se de repente na cama a respirar demasiado rápido e destapou-se toda. Observou as suas pernas e pés e eles estavam limpos, já não os sentia molhados com o sangue da cabeça de Tibbers do seu sonho. Depois procurou rapidamente por Tibbers, ele não estava em cima da cama!
- Onde está o Tibbers?!? - exclamou assustada.

Rumble
Casa da família de Rumble

Tive uma noite de sono como há muito não tinha: sem acordar, profunda e sem sonhos. Dormi como uma pedra e acordei bastante bem humorado até. Levantei-me espreguiçando-me e reparei que a perna já não me fazia comichão. Puxei as calças do pijama para cima e olhei para a ferida: parecia um arranhão insignificante novamente. Mais aliviado saí do quarto e dirigi-me à casa-de-banho.
Depois de sair da casa-de-banho fui para a cozinha, já que sentia o cheiro da comida da minha mãe a propagar-se pela casa e encontrava-me faminto!
- Bom dia mãe. - disse sentando-me numa cadeira à mesa.
- Rumble! - exclamou a minha mãe virando-se para mim - Bom dia filho, como estás? - e avançou até mim dando-me um beijo na testa.
- Estou bem, já passou a minha resmunguice com uma bela noite de sono! Ahah. - comentei com um sorriso. - Então que temos para o pequeno-almoço? - acrescentei esperando que a minha mãe não puxasse nenhum assunto da noite anterior.
- Fiz imensas coisas! - exclamou a minha mãe voltando para o fogão - Estou a terminar de cozinhar uns ovos mexidos e também já aqueci leite. Podemos fazer umas torradas também. Que dizes em ires chamar as tuas amigas? Podes ir chamar a Nami enquanto eu vou chamar a Annie e a Lulu?
- Pode ser. - disse levantando-me e dirigindo-me à saída para as traseiras de casa.
Dirigi-me então à oficina e deduzi que o meu pai não estivesse nem casa nem na oficina, possivelmente para não incomodar Nami. Abri a porta da oficina devagar e chamei:
- Nami? É de manhã, vamos tomar o pequeno-almoço?


Lulu
Casa da família de Rumble

Ainda sentada na cama, ouvi a porta de um quarto a bater e depois barulhos de utensílios na cozinha. Alguém já se levantara e parecia estar a preparar o pequeno-almoço; provavelmente era a senhora Gisele. Estava a ganhar coragem para me levantar quando comecei a sentir o corpo de Annie a tremer ao meu lado. Antes de poder acordá-la, ela fê-lo sozinha. Ela parecia estar aflita com algo. Destapou-se e olhou para as suas pernas, fazendo com que eu ficasse destapada também. Tibbers caíra no chão devido aos seus súbitos movimentos.
- Está aqui no chão, calma... - disse eu, saltando para o chão e apanhando o seu amigo.
Estiquei-lhe o urso e deixei-me cair na cama de barriga para baixo, apoiando o queixo nas minhas mãos.
- Tiveste um pesadelo? - perguntei eu, adivinhando a sua resposta.

Annie
Casa da família de Rumble

Annie nem conseguiu pensar direito em onde poderia estar o seu urso. Estava em pânico caso ele tivesse perdido a cabeça como no seu sonho. Felizmente Lulu encontrou-o, ele estava simplesmente caido no chão. Annie agarrou nele de imediato abraçando-o com bastante força. Ele estava bem!
- Sim... Com o maldito conto. - respondeu a pequena - Sonhei que o Tibbers era o menino que perdeu a cabeça. Era estranho, porque ele era a versão urso das sombras mas do meu tamanho. E eu era a Marleninha, e a mãe má era... a minha mãe. E depois havia muito sangue, mas o pior nem foi isso! - fez uma pausa para se tapar novamente de modo a sentir-se mais confortável debaixo do calor das mantas - Eu sonhei que estava acordada! Foi tão estranho... Sonhei que tinha acordado do sonho do conto, e via o quarto todo onde estamos e tu estavas a dormir. Mas eu não conseguia me mexer ou falar, estava presa! Nem sei qual dos dois foi pior...

Lulu
Casa da família de Rumble

Annie explicou-me o seu pesadelo. Por momentos quis contar-lhe o meu mas era tão confuso e estranho que provavelmente só iria fazer pior e ela ia ficar ainda mais assustada por isso não o fiz.
- Bem, parece que logo à noite temos que escolher melhor o conto. - disse eu. - Não quero que tenhas sonhos maus todas as noites!
Levantei-me finalmente. Como já estava há algum tempo acordada, senti a minha barriga a torcer-se de fome.
- Acho que vou à cozinha ver se há algo para comer. Queres vir? - perguntei eu.

Annie
Casa da família de Rumble

- Sim, temos que encontrar uma história melhor. Odeio pesadelos! - disse a pequena Annie ainda debaixo das mantas agarrada ao seu urso.
Lulu disse de seguida que se ia levantar e ver se havia alguma coisa para comer. Annie já sentia fome também, e de certeza que um bom pequeno almoço ia ajudar com que se esquecesse daqueles pesadelos.
- Sim vamos! - respondeu levantando-se da cama num pulo.
Não lhe apetecia estar-se já a vestir, por isso decidiu ir mesmo em pijama para a cozinha. Mal abriram a porta do quarto, um cheiro de comida a ser feita chegou a Annie.
- Já estão a fazer o pequeno-almoço! - disse a pequena mais alegre.
Caminharam então as duas até à cozinha e depararam-se com a Dona Gisele a colocar na mesa várias coisas deliciosas: ovos mexidos, pão, torradas, leite, doces de vários sabores, manteiga, queijo, fiambre, etc. Um autêntico banquete!
- Bom dia Dona Gisele! - cumprimentou a pequena sentando-se no mesmo lugar onde jantara na noite passada à espera de uma resposta da mãe de Rumble para poder começar a comer.

Lulu
Casa da família de Rumble

Annie estava com os seus pensamentos em sintonia com os meus: ambas saímos do quarto ainda em pijama, a saltitar e a cheirar o ar, que estava impregnado pelo cheiro do pequeno-almoço que devia estar a ser preparado pela senhora Gisele.
Quando entrámos na cozinha não pude deixar de lamber os lábios, ansiosa por atacar todas aquelas iguarias em cima da mesa. No entanto, se calhar tínhamos que esperar por Nami, Rumble e o senhor George. Com a minha família ninguém começava a comer sem estarmos todos à mesa - não sabia bem para quê visto que depois ninguém dizia nada e simplesmente comíamos. Nem sequer estávamos a fazer companhia uns aos outros, a meu ver.
- Bom dia! - exclamei eu, depois de Annie. - Quer que vá chamar o Rumble, a Nami e o seu marido?


Gisele
Casa da família de Rumble

Rumble saiu e Gisele tratou de acabar de cozinhar os ovos colocando-os de seguida na mesa. Iria primeiro colocar tudo ao jeito na mesa e depois iria chamar as meninas. Mas nem foi preciso ir chama-las porque elas chegaram passado pouco tempo.
- Bom dia meninas! - cumprimentou alegremente com um sorriso caloroso - Não precisam de ir chamar ninguém. O Rumble já está de pé e foi chamar a Nami e o meu marido deve de chegar daqui a pouco. De qualquer das maneiras podem começar a comer! Força!

Annie
Casa da família de Rumble

Felizmente não tiveram que esperar por ninguém para comer. D. Gisele incentivou-as a começarem a refeição mesmo sem Rumble, Nami e até o Sr. George. Entusiasmada, Annie decidiu atacar logo o comer que estava naquela mesa, começando por encher um copo com sumo e preparar uma sandes com os ovos mexidos.
- Está delicioso! - comentou Annie ao dar uma dentada na sandes.

Lulu
Casa da família de Rumble

Pelos vistos já toda a gente tinha acordado e nós tínhamos sido as últimas a sair do quarto. A senhora Gisele deu-nos autorização para começarmos a comer e Annie não perdeu tempo, atacando imediatamente o pão, os ovos mexidos e o sumo. Ri-me e sentei-me ao seu lado, olhando melhor para o que estava em cima da mesa. Apesar de toda a variedade, não existiam panquecas. Mas não fazia mal! Aqueles doces estavam com bom aspecto.
Tirei então uma torrada e enchi-a com doce de pêssego. O problema agora era o que iria beber: sumo ou leite? Decidi encher o meu copo com leite para cortar o sabor do doce e comecei a comer, super satisfeita com a minha escolha.


NAMI
Localização: Casa da família de Rumble

Acordei com alguém a chamar por mim. Ergui-me e protegi os olhos da luz que provinha da porta da oficina.
- Rumble? És tu?
Dei a mim mesma uns momentos para me habituar à claridade e depois tentei colocar-me de pé. Na academia era relativamente fácil porque o colchão ficava suspenso na cama e aquele afastamento do chão permitia-me apoiar a cauda e levantar-me, mas ali não acontecia o mesmo.
Livrei-me então das toalhas e rodei sobre mim mesma para ficar de barriga para baixo. Depois empurrei-me para cima para ficar de pé e arrastei-me para fora do colchão.
- Deixa-me só juntar as toalhas... - disse enquanto o fazia com rapidez e as levava comigo para fora da oficina. - Então, Rumble, como está a tua perna hoje? Ontem vi-te a coçá-la. - perguntei quando cheguei ao pé dele.


Rumble
Casa da família de Rumble

- Sim sou eu, bom dia! - cumprimentei assim que Nami acordou.
Abri mais a porta para entrar mais claridade na divisão, e enquanto isso vi Nami a tentar levantar-se dos colchões o que foi uma situação um bocado cómica de se ver. Sem dúvida que para alguém da sua espécie dava mais jeito levantar-se de uma cama do que nuns colchões no chão, já que não tinha pernas. De seguida ela juntou as toalhas e aproximou-se de mim perguntando pela minha perna.
- Estou bem. Tomei a poção que a Miss Vessaria me deu e a comichão passou. Parece só um arranhão normal agora. - respondi-lhe de modo a não preocupa-la. Tinha medo que ela e as minhas amigas tivessem outra crise de choro a pensar que eu me iria transformar num iceborn - Tens fome? Está na hora do pequeno-almoço e a minha mãe já foi chamar a Annie e a Lulu. - disse depois enquanto saiamos para o exterior. Fechei atrás de mim a porta e caminhamos juntos até à porta que dava à cozinha.


Lulu
Casa da família de Rumble

Enquanto comia o pequeno-almoço na companhia de Annie, apercebi-me que se continuasse a comer àquela velocidade Rumble, Nami e o senhor George não iriam usufruir da nossa companhia. Além disso, a senhora Gisele continuava de pé de volta de algo.
- Senhora Gisele, não vem comer? - perguntei eu.
Pousei uma das torradas no prato e bebi um pouco de leite. Ia esperar um pouco. Não me importava que a torrada ficasse fria.

Gisele
Casa da família de Rumble

Enquanto Annie e Lulu comiam, Gisele começou a preparar o almoço, amanhando peixe fresco que tinha comprado nessa manhã no mercado. Foi interrompida do seu trabalho quando ouviu Lulu perguntar se não ia comer.
- Ah eu já comi, querida! Eu levanto-me como as galinhas e tomo logo um grande pequeno-almoço bem cedinho. Mas entretanto vou fazer um lanchinho da manhã convosco, sim. Só quero acabar de amanhar o peixe e já vos faço companhia. - respondeu virando a cara para as suas convidadas enquanto trabalhava com o peixe.


Lulu
Casa da família de Rumble

O cheiro do pequeno-almoço era mais forte do que a comida que a senhora Gisele estava a preparar por isso, até ela se virar para mim para responder, eu ainda não reparara que ela estava a fazer peixe para o almoço. Engasguei-me e comecei a tossir, agarrando-me à mesa com força. Quando consegui recompôr-me, levantei-me da mesa e fui até à porta. Espreitei para o corredor e não vi ninguém, felizmente. Quando voltei a entrar, fechei a porta da cozinha atrás de mim.
- Senhora Gisele, eu sei que este pedido é incomum mas enquanto cá estivermos por favor não faça peixe! - exclamei eu, mordendo o lábio. - É que os peixes são os amigos da Nami e ela fica muito mal quando vê algum morto. Imagine se nos visse a comer um!

Gisele
Casa da família de Rumble

Depois da resposta de Gisele, Lulu engasgou-se de tal maneira que assustou a yordle. Ela largou de imediato o peixe e, ainda com as mãos molhadas, avançou rapidamente até Lulu que se levantou da mesa e dirigiu-se ao corredor a ver se via alguém. Fechou a porta e disse a Gisele uma coisa que a deixou boquiaberta. Nunca lhe passou pela cabeça a relação que a sereia e os peixes pudessem ter! Mas agora fazia-lhe toda a lógica do mundo que Nami se sentisse incomodada com os peixes! Gisele voltou para o lavatório e observou os peixes mortos lá dentro. 
- Não sabia!!! - disse alarmada voltando-se novamente para as raparigas - Mas o que vou fazer com tanto peixe? É um desperdício deita-lo fora!
Gisele ainda gastou bastante dinheiro com aquele peixe. Ela queria fazer um prato especial para as suas convidadas, só que nunca se lembrou que os peixes pudessem ser amigos de Nami.

Lulu
Casa da família de Rumble

A senhora Gisele tinha razão: ela devia ter gasto bastante dinheiro em peixe fresco e de boa qualidade. E ainda comprara algum porque, no fim, éramos seis pessoas em cada refeição. Fiquei alguns minutos a pensar como é que podíamos resolver aquele problema. A ideia que me veio à cabeça foi fruto do pouco tempo que eu passara no orfanato pois lá a comida não era grande coisa devido à qualidade e também à preparação.
- Pode sempre doar a comida a algum orfanato ou instituição aqui em Bandle City... Que acha? - perguntei eu. - Eu posso ir consigo, se quiser.

Annie
Casa da família de Rumble

Annie terminou a sua sandes, mas ainda queria comer algo doce. Quando começou a preparar uma torrada com doce de morango, ouviu Lulu perguntar a dona Gisele se ela não vinha comer. O que Annie ouviu de seguida fez com que a sua torrada, que já tinha algum doce, caisse ao contrário em cima da mesa. Dona Gisele estava a preparar peixe para o almoço!!! Nami ia ficar bastante chateada com aquilo tudo! Enquanto Annie voltava a torrada ao contrário e limpava o que sujou na mesa, ouviu a sugestão da Lulu em doar os peixes a um orfanato.
- Eu também posso ir! - disse logo Annie. - Se bem que alguém tem que distrair Nami enquanto vocês fazem isso às escondidas, né?... Se preferirem fico cá então.


Gisele
Casa da família de Rumble

Lulu acabou por dar uma sugestão: oferecer os peixes a um orfanato ou instituição. A ideia não era má, mas Gisele encontrava-se triste e desapontada consigo mesma. Primeiramente porque ela era grande fã de peixe e aquele almoço ia saber-lhe bem. Segundo porque não associara a sereia aos peixes quando fez aquela compra. Era uma coisa com tanta lógica e ela não conseguiu associar!
- Parece-me boa ideia Lulu. Precisamos de tira-los daqui rápido que ela e Rumble devem de estar a chegar!
Nisto ela foi rapidamente buscar um saco e começou a colocar os peixes lá dentro. Alguns deles já estavam arranjados, outros não. E agora que iria ela fazer para o almoço?

Lulu
Casa da família de Rumble

Parecia que a minha sugestão tinha sido boa. Annie também parecia interessada em ir connosco.
- Acho que ela já vai ficar distraída o suficiente com a quantidade de coisas boas que tem para comer ao pequeno-almoço por isso podes vir connosco. - disse eu. - Sempre conhecias mais um pouco de Bandle City.
Vendo a senhora Gisele a colocar os peixes dentro do saco, fui ajudá-la. Quando terminámos, lavei as mãos no lavatório.
- Nós vamos vestir-nos, ok senhora Gisele? - perguntei eu.
Fiz sinal a Annie para me seguir e dirigi-me para o quarto.


Annie
Casa da família de Rumble

Lulu acabou por dizer que Annie até podia ir com elas, já que Nami tinha muito com que se entreter ao comer o pequeno-almoço e era da maneira que ela conhecia melhor Bandle City.
- Então vou convosco, sim. - disse a pequena depois de ter limpado o que sujou com doce, começando a comer finalmente a sua torrada.
Lulu ajudou a D. Gisele a colocar os peixes dentro do saco. Annie até agradecia que elas levassem o peixe embora, pois ela não gostava nada de peixe! Para ela podia comer todos os dias bifes e batatas fritas que não se importava nada!
- Sim, vamos-nos vestir que já acabei de comer. - disse Annie levantando-se e acompanhando Lulu até ao quarto.
Uma vez no quarto, Annie vestiu um vestido azul com um pequeno avental à frente e uns sapatos tipo sabrina pretos. Depois enquanto Lulu se arranjava, decidiu vestir algo no seu urso Tibbers também: umas orelhas de coelho super engraçadas e um casaco vermelho com um lacinho azul no pescoço. Adicionou o pormenor de um pequeno relógio de bolso de brincar que tinha. Quando terminou, virou-o para Lulu e perguntou:
- Não está fofo? Hehe!

Lulu
Casa da família de Rumble

Entrámos as duas no quarto e Annie começou a vestir-se. Eu fui até à minha mala e afastei os vestidos todos de Inverno que tinha pois em Bandle City não estava tanto frio como na Academia. Acabei por tirar um verde que tinha várias camadas de tecido. Ao pescoço tinha um guizo enorme que terminava numa gola rendada que descaía até à bainha do vestido. Por baixo tinha as minhas collants castanhas e uns sapatos simples castanhos mais claros. O chapéu que coloquei na cabeça era bastante detalhado e continha uma espécie de amuleto pendurado. Se havia coisa em que os meus pais nunca tinham falhado era em mandar fazer chapéus para mim. Todos os anos recebia um de Inverno no Natal e outro de Verão no meu aniversário.
Quando terminei, vi Annie a mostrar-me o seu ursinho Tibbers, que estava bastante engraçado.
- Está sim! - respondi eu, com um sorriso.
Peguei no meu cajado mas depois voltei a pousá-lo no sítio. Se calhar não era boa ideia caminhar por Bandle City com a minha arma. Podia causar alguma confusão. Com isso na mente, chamei Pix e esta voou até ao meu ombro, onde se sentou bastante entusiasmada por irmos dar um passeio.
Saímos do quarto e voltei a entrar na cozinha, esperando encontrar a senhora Gisele pronta para irmos.

NAMI
Localização: Casa da família de Rumble

Aparentemente a poção que Miss Vessaria dera a Rumble antes de atravessarmos o portal estava a fazer efeito e a comichão tinha passado durante a noite. Acenei com a cabeça enquanto sorria, pois depois de saber que estava tudo bem não queria puxar mais por aquela conversa. Especialmente quando o assunto envolvia as criaturas horríveis que eram os Iceborns.
Depois de sairmos para o jardim, Rumble fechou a porta da oficina e juntos encaminhamos-nos para o interior da casa. Pelo caminho, a conversa mudou de rumo.
- Tenho um bocadinho. Quando acordo não costumo ter grande apetite mas aos poucos ele aparece. – comentei com um risinho.
Apesar do meu vagar do costume, lá conseguimos entrar na casa de Rumble e dirigirmos-nos à cozinha, porém a porta encontrava-se fechada. Se não fossem os aromas que pairavam até mesmo no corredor e o facto de Rumble ter dito que a mãe já estava acordada, eu julgaria que éramos os únicos a pé. Empurrei a porta e entrei na cozinha.
- Bom dia! Olá meninas! – cumprimentei enquanto me aproximava do balcão e pousava nele o novelo de toalhas. – Obrigada pelas toalhas, D. Gisele. Eu a partir de hoje posso prepará-las, não tem de ter este trabalho extra.
Virei-me então para Lulu e Annie.
- Estão com roupas diferentes! Até o Tibbers! Haha!

Gisele & George
Localização: Casa da família de Rumble

Lulu acabou por ajudar Gisele a arrumar os peixes todos dentro de um saco. Depois Lulu acabou por sair mais Annie para se vestirem e Gisele colocou o saco dentro de outro saco para este não pingar água para o chão. Ouviu entretanto a porta da cozinha a abrir e assustou-se. Era Nami e Rumble que tinham regressado. Gisele escondeu o saco atrás das costas de modo a esconder o peixe e só esperava que o cheiro das outras comidas na mesa disfarçasse o cheiro a peixe. Nami aproximou-se e deixou as toalhas no balcão e agradeceu, acrescentando que não precisaria de ajuda para as molhar nessa noite.
- Com certeza Nami. Mas já sabes que qualquer coisa é só pedires! - disse Gisele com um sorriso tentando disfarçar a vergonha do peixei que tinha comprado. - Ah! Meninas já aqui estão. - disse reparando em Annie e Lulu que tinham regressado. - Ah sabem, eu, a Annie e a Lulu vamos até ao mercado. Tenho que ir comprar o almoço. Como elas já comeram, vocês os dois fiquem à vontade, o Georg... - falando no seu marido, este entra pelas traseiras da cozinha.
- Bom dia meninos. - disse George num tom seco. Não estava de bom humor.
- Por falar no diabo! Haha. Vamos, meninas? - concluiu Gisele.
E sem dar muito tempo para perguntas, Gisele saiu da cozinha escondendo o saco o melhor que podia. Esperava que Annie e Lulu não se demorassem muito para irem doar os peixes que depois ainda tinham que voltar ao mercado para comprar o almoço.

Rumble
Localização: Casa da família do Rumble

Entramos na cozinha e a minha mãe começou a agir de uma maneira estranha. Primeiramente parecia que estava a esconder alguma coisa, depois enrolava-se bastante nas palavras e falava demasiado depressa. Mas normalmente só eu e o meu pai é que costumávamos reparar nessa sua maneira de ser. Para qualquer outra pessoa que não a conhecesse, só reparava que ela estava a falar rapidamente mas não que fosse algo anormal. Mas para mim, sabia que algo se estava a passar, principalmente depois de ela se ter ido embora à pressa.
Entretanto chegou o meu pai e ele estava claramente de mau humor. Fantástico! Logo hoje que eu tinha acordado bem disposto é que a minha família tinha que começar a atrair más energias. Esperava que isso não fosse arruinar a minha boa disposição.
Nami reparou nas roupas que Annie e Lulu traziam que eram diferentes das de costume. Até Tibbers tinha um fatinho o que me fez soltar uma pequena gargalhada de tão engraçado que estava.
- Então vão lá. Eu estou faminto e vou mas é comer! - disse enquanto me sentava à mesa. - Fazes-me companhia, certo Nami? Ou queres ir com elas? Aproveitavas para visitar Bandle City. Se bem que temos ainda bastante tempo... - e enquanto falava, começava a servir-me do pequeno-almoço.

Lulu
Casa da família de Rumble

Ao entrar na cozinha, reparei que Nami e Rumble tinham voltado. A senhora Gisele estava bastante atrapalhada e a tentar despachar-nos, quase nos empurrando para fora da cozinha. No entanto, Rumble fez uma sugestão que podia comprometer todos os nossos planos.
- Não! - exclamei eu, fazendo com que toda a gente olhasse para mim. - É melhor a Nami ficar. No mercado existem muitos animais mortos que ela não vai querer ver.
Tinha sido bastante gráfica no que acabara de dizer. Só esperava que ela não ficasse sem apetite por minha causa. Tentando que ela não pensasse muito no assunto, aproximei-me:
- Nami, não há panquecas mas devias experimentar estes doces. São todos naturais e aposto que vais gostar.
Sorri e depois saltitei até à saída da cozinha.
- Vamos andando? - perguntei eu.

Annie
Localização: Casa da família de Rumble

Depois de regressarem à cozinha, Rumble e Nami entraram e D. Gisele teve que esconder o saco com os peixes atrás das costas. Fazia-se sentir alguma tensão na cozinha, principalmente entre D. Gisele, Lulu e Annie que escondiam um grande segredo de Nami
A mãe de Rumble lá tratou de sair para a rua com alguma pressa, sempre tentando esconder os peixes que trazia atrás das costas.
Rumble quase que estragou tudo quando sugeriu a Nami ir com elas até ao mercado (a desculpa que D. Gisele tinha dado, que nem era de todo mentira). Annie quase que levou as mãos à boca perante aquela atitude de Rumble, mas manteve-se quieta para não dar mais nas vistas. Lulu agiu corretamente e disse uma realidade: no mercado haveria muitos mais animais e peixes mortos que no saco da D. Gisele.
Annie seguiu atrás de Lulu e ao passar por Nami esticou o seu urso Tibbers à sua bochecha como se este lhe desse um beijinho.
- Até logo! - despediu-se dos amigos. Mas antes de fechar a porta atrás de si, dirigiu-se a Rumble - O Tibbers só não te dá beijinho porque prefere dar beijinhos a meninas. Hehe! - e atirou a língua de fora na brincadeira, saindo de seguida para o exterior.

Lulu
Localização: Ruas de Bandle City

- Ufa, foi por pouco! - exclamei eu.
Já nos encontrávamos as três cá fora, a uma certa distância da casa de Rumble. Infelizmente não conhecia bem aquela zona e não fazia a mínima ideia para que lado é que era o orfanato.
- Senhora Gisele, vamos por onde? - perguntei eu.

Gisele
Localização: Ruas de Bandle City

Gisele encontrava-se um pouco abalada. Se já tinha sido mau o suficiente ter comprado peixe para comer à frente de uma sereia, pior ainda era esconder aquele terrível segredo e esgueirar-se assim à frente da sua família e amigos do seu filho. Na rua estava mais aliviada, mas ainda se sentia bastante culpada.
- Podemos ir por aqui. - apontou Gisele depois de ter fechado a cancela que tinha ao lado de casa, no lado oposto da oficina. - Tens alguma ideia de alguma instituição para entrar o peixe Lulu? Sou sincera que não estou familiarizada com nenhuma... - acrescentou enquanto caminhavam para o lado direito da rua, em direção ao centro da cidade.

Lulu
Localização: Ruas de Bandle City

Segui a senhora Gisele enquanto ela nos informava que não conhecia nenhuma instituição. A única que eu também conhecia era o orfanato onde ficara durante umas semanas antes do Mestre Relivash me vir buscar. Tinha esperança que ela conhecesse outro sítio, mas pelos vistos estava enganada. Apesar de não me apetecer muito aparecer por lá, era isso que ia acontecer.
- Só conheço o orfanato Sean Brady. Foi onde fiquei durante algum tempo. - respondi eu.
Só esperava que a senhora Gisele não fizesse muitas perguntas acerca dos meus pais. Era uma história demasiado complicada e com certeza que ninguém ia acreditar que eu tinha desaparecido simplesmente durante alguns séculos seguidos para depois voltar exactamente igual.

NAMI
Localização: Casa da família de Rumble

Pelos vistos Annie e Lulu estavam vestidas daquela forma porque iam com a D. Gisele ao mercado. Como na academia fazíamos tudo juntas, pensei automaticamente que podia ir com elas. Ainda para mais já estava pronta, pois não precisava de me vestir nem de tomar pequeno-almoço (apenas o fazia ocasionalmente pelo convívio). Bati palminhas, toda entusiasmada com a ideia (ideia essa que o próprio Rumble sugeriu que eu alinhasse), mas Lulu gritou que não.
Estaquei, surpreendida com a intenção demonstrada por Lulu em não me querer a acompanhá-las, mas ela acabou por explicar que eu não iria gostar do mercado devido à existência de animais mortos. Abri a boca em choque e assim fiquei até Lulu, Annie e a D. Gisele irem embora. Nem o beijinho de Tibbers me tirou do transe. Só depois é que o meu olhar se dirigiu a Rumble e ao seu pai e a minha boca se fechou.
Sentei-me à mesa com eles e olhei para as diversas comidas, desconfiada. O que é que daquelas coisas não era animais?
- Acho que vou guardar o apetita para o almoço... mas fico a fazer-vos companhia, claro. - apressei a dizer embora um bocado desanimada com o que acabara de ouvir.

Annie
Localização: Ruas de Bandle City

Caminharam as três pelas ruas daquela fantástica cidade que Annie gostava cada vez mais, apesar do pouco que tinha visto. Estava um bocado a leste relativamente ao local onde iriam levar os peixes, pois a pequena encontrava-se demasiado encantada para lhes prestar atenção. Mas pelo que apanhou, iriam até ao orfanato onde Lulu estivera, o que Annie achou uma boa ação da sua parte, talvez até quisesse ir ver os seus antigos amigos!
- Vamos visitar os teus amigos de Bandle City, Lulu? - perguntou Annie animada sem prestar atenção ao desconforto que Lulu transmitia em relação àquele lugar.


Gisele
Localização: Ruas de Bandle City

- Oh estiveste num orfanato? - perguntou Gisele.
A yordle estava claramente confusa. Se ela esteve num orfanato como é que a sua amiga Pix veio daquele mundo diferente, Glade, para ir ter com ela? De qualquer das formas, notava-se que Lulu encontrava-se incomodada com aquele assunto e, apesar da curiosidade de Gisele, ela decidiu não se meter. Annie perguntou-lhe se ela ia visitar os seus amigos, o que lhe parecia lógico apesar do seu desconforto. Ela com certeza que devia de ter tido amigos no orfanato ou... não?
- Sentes-te confortável em lá voltar? Se não sempre podemos procurar outra instituição...


Lulu
Localização: Ruas de Bandle City

Annie estava entusiasmada. Afinal, encontrava-se num sítio diferente em que tudo estava à sua medida, a medida dos yordles. E parecia querer conhecer tudo e mais alguma coisa, inclusive os meus amigos do orfanato - aqueles que eu não tinha.

Lembrava-me perfeitamente do meu primeiro dia lá dentro. Estava confusa com tudo o que estava a acontecer. Estava também convencida de que ainda iria conseguir encontrar os meus pais, já para não falar que o efeito de Glade em mim ainda estava muito activo. Quando me encontrara no meio de imensas crianças, tentara brincar com elas e acabara por transformar uma ou duas em flores. Elas até se tinham divertido e tinham achado piada. Os adultos é que tinham ficado chocados com a magia que eu invocara e tinham acabado por me colocar num quarto sozinha, longe de todas as meninas da minha idade. E completamente perdida no tempo.

- Estive lá pouco tempo por isso não fiz nenhuma amizade significativa. - respondi eu, escondendo grande parte da verdade. - E sim, não tenho problema algum em lá voltar.
Afinal, eu já era uma yordle crescida. Já me tinha vindo o período e tudo! Hoje, felizmente, já não estava a deitar tanto sangue como nos outros dias o que queria dizer que, provavelmente, devia estar quase a terminar.
- O orfanato era perto da biblioteca. - disse eu, tentando dar uma referência à senhora Gisele.

Rumble
Localização: Casa da família de Rumble

Atirei um pequeno pulo e arregalei os olhos perante a resposta de Lulu, uma vez que não estava à espera daquela atitute. No entanto ela deu uma boa explicação: não seria bom que Nami fosse com elas uma vez que elas iam ao mercado e haveria por lá muitos animais mortos. Eu quase que acreditei no que ela disse... Só não o fiz porque a minha mãe também tinha agido de forma estranha.
Annie foi a última a sair e deu um beijinho com o Tibbers a Nami que estava hirta que nem uma estátua. Em estado de choque por assim dizer. Annie antes de sair ainda comentou o porquê de Tibbers não me ter dado um beijo e atirou-me a língua de fora. Soltei um risinho, sorri-lhe e também lhe atirei a língua de fora. Depois de ela sair, prestei atenção a Nami, estava preocupado.
- Nami... Estás bem?
Ela sentou-se à mesa e eu segui-a sentando-me a seu lado à espera de uma resposta sua. Ela no entanto ficou a fixar a comida na mesa e disse por fim que iria aguardar pelo almoço.
- Ahm... Poder comer se quiseres. Nada que aqui está vem de animais. Bem, em exceção dos ovos e leite. Mas não precisamos de os matar para os obter! Os ovos e leite são produzidos com os animais vivos. De resto é tudo vindo da terra. Os doces são dos vegetais e frutas do quintal dos meus pais, o pão vem do trigo... Ahm. A sério que não queres comer nada? - disse bastante rapidamente enquanto apontava para os respetivos alimentos na mesa. Enquanto isso o meu pai fumava do seu cachimbo abstraído da nossa conversa. Sabia que se passava alguma coisa com ele, mas mais tarde já lhe perguntaria.

Gisele
Localização: Ruas de Bandle City

A amiga do seu filho acabou por dizer que não tinha feito lá grandes amizades, mas mesmo assim não se importava de lá ir. Estava decidido então. Gisele soltou um sorriso caloroso para Lulu de modo a reconforta-la e disse:
- Vamos lá então. - depois Lulu disse onde ficava mais exatamente o orfanato, ao pé da biblioteca - Ah sim, sei onde fica a biblioteca. Nunca reparei que havia lá um orfanato.

Annie
Localização: Ruas de Bandle City

A sua amiga não teve grandes amigos no orfanato afinal. Annie pensou que Lulu queria ir lá para os poder visitar, mas afinal estava enganada. De qualquer das maneiras o orfanato ficava ao pé da biblioteca e Annie ficou entusismada, pois era um sítio novo para visitar!
- Será que ainda temos tempo de ir dar uma vista de olhos à biblioteca? Ou vamos outro dia... Ou à tarde? Como ainda temos que passar no mercado... - disse a pequena com um grande brilho nos olhos.


Lulu
Localização: Ruas de Bandle City

Começámos a caminhar em direcção ao orfanato, seguindo a senhora Gisele que agora já sabia por onde nos levar. Annie parecia querer conhecer tudo ao mesmo tempo.
- Acho que só podemos ir à biblioteca à tarde. A senhora Gisele ainda tem que tratar do almoço... - disse eu.
Cozinhar para seis pessoas devia ser complicado, especialmente estando habituada a cozinhar só para três; e, nas últimas semanas, só para dois!
- Se precisar de ajuda com o almoço, diga. - disse eu, sorrindo para a mãe de Rumble.
Não foi preciso caminharmos durante muito tempo. Quando chegámos perto da biblioteca, lá estava também o orfanato. No entanto, era um edifício que passava por uma casa normal. Apenas se destacava por ter dois andares mas, ali no centro de Bandle City, esse tipo de construção não era irregular.
A placa com o nome do orfanato ainda estava baça - deste a última vez que olhara para ela que tinha a sensação que ninguém a limpava há anos - e pequena. Realmente, quem não tivesse atenção nunca diria que aquilo era um orfanato. Para mais, não se ouvia o barulho de crianças a brincar.
- É ali. - apontei eu.

Gisele
Localização: Ruas de Bandle City

A pequena criança humana encontrava-se tão admirada com tudo que parecia querer ir a todo o lado ao mesmo tempo. Perguntou se podiam ir à biblioteca também, mas Lulu acabou por dizer que se fossem ia ficar demasiado tarde para depois fazerem o almoço. Esta também ofereceu a sua ajuda uma vez mais para preparar a refeição.
- Se tanto insistes, podes ajudar-me sim. Que dizem de fazermos uma refeição vegetariana hoje? Não tenho muita experiência nelas, mas sei que tenho uns livros de culinária com alguns pratos que parecem bastante apetitosos.
Chegaram finalmente ao orfanato. Claro que Gisele nunca tinha reparado que havia ali um orfanato, uma vez que a casa parecia-se com todos os outros edifícios ali existentes. A única característica que dizia que era um orfanato era a pequena placa bastante baça e discreta que Gisele conseguiu ler assim que se aproximou.
Avançaram todas ao pé da porta, Gisele olhou para as meninas e reconfortou-as com um sorriso caloroso. Depois esticou a mão livre e bateu à porta três vezes e aguardou que as recebessem.


Francine
Localização: Orfanato Sean Brady

Francine estava farta do seu trabalho. Nunca gostara de crianças. No entanto, acabara num sítio que estava cheio delas. Felizmente, antes de acabar ali, tentara uma carreira no teatro e era bastante boa. Por isso, fingir que gostava delas era fácil. O problema era chegar ao fim do dia completamente exausta e prestes a explodir. Havia crianças mais fáceis de lidar do que outras e tentava sempre rodear-se pelas mais acessíveis. No entanto, as outras também precisavam de atenção, infelizmente. Quando a sua mãe ainda não estava consumida pela gota e conseguia andar de um lado para o outro, era ela que normalmente se preocupava com as mais difíceis. Ela, ao contrário de si, adorava crianças; daí ser dona de um orfanato. Mas agora estava acamada e Francine estava presa àquele destino terrível.
Tinha acabado de verificar se o almoço estava a ser preparado e o que era necessário ir comprar durante a tarde para repor o stock na dispensa quando ouviu a alguém a bater à porta. Aquele som só podia significar duas coisas: ou vinha aí uma criança nova ou algum casal que queria adoptar. Normalmente a probabilidade de a primeira acontecer era muito maior que a segunda, infelizmente.
Francine abriu a porta e ficou meio confusa com o que tinha à sua frente. Uma yordle adulta, uma... seria aquilo uma humana? E, nada mais nada menos que Lulu, a sua criança menos favorita. Esta tinha saído do orfanato há algumas semanas atrás, levada por um humano muito estranho e misterioso. Francine não colocara quaisquer tipo de questões, desde que ela se fosse simplesmente embora. Desde que chegara que muitas coisas anormais tinham acontecido ali dentro e Francine não gostava de sentir falta de controlo sob o seu trabalho.
- O que temos nós aqui? - perguntou Francine, forçando um sorriso. - Vieste fazer-nos uma visita, Lulu?

Lulu
Localização: Orfanato Sean Brady

Aquela senhora Francine sempre me deixara um sabor agridoce na boca. Ela era muito simpática a maior parte das vezes; no entanto, quando achava que ninguém estava a ver, uma aura negra abatia-se sobre ela. Eu sempre a conseguira sentir, se bem que não percebia qual era a sua origem. Por isso, tentava manter-me fora de sarilhos - isso era quase impossível quando Pix, completamente invisível para os outros, se divertia a roubar comida, a partir jarras e a puxar os cabelos às meninas más que não gostavam de mim.
Quando vi o seu sorriso, aquela sensação estranha voltou a abater-se sobre mim.
- Bom dia, senhora Francine. Viemos doar alguma comida. - respondi eu.
Esperava não ter que entrar lá dentro. Francine por vezes tinha rasgos de criatividade e fazia visitas guiadas aos casais que vinham cá buscar crianças, como se houvesse muitas coisas bonitas ali dentro para se mostrar.


Gisele
Localização: Orfanato de Sean Brady

Foram recebidas por uma senhora yordle bastante amável que reconheceu logo Lulu. Gisele manteve sempre o seu sorriso caloroso caso sentisse que Lulu não estivesse à vontade e assim lhe pudesse dar algum reconforto. Lulu explicou o motivo de estarem ali e Gisele esticou o saco do peixe para a senhora Francine.
- Comprei estes peixes a mais e não sei o que lhes fazer, uma vez que não vou conseguir cozinha-los nos próximos dias. Decidimos então doa-los à sua instituição. - disse Gisele não explicando o verdadeiro motivo, obviamente. Não seria fácil explicar a outros yordles que na sua cidade andava uma sereia.

Francine
Localização: Orfanato Sean Brady

Ao ver Lulu à porta, Francine achou que iriam haver sarilhos. No entanto, foi exactamente o contrário. Pelos vistos, estavam ali para doar comida. Aquele tipo de gesto era sempre bem-vindo, até porque era difícil alimentar tantas crianças com pouco dinheiro.
- Muito agradecida! - exclamou Francine, sorrindo agora a sério. - É a nova mãe da Lulu? E esta pequena, quem é? Irmã?
Seria uma família fora do comum, sem dúvida. Duas yordles e uma humana. Se bem que o homem que aparecera para a buscar também era humano. Será que eles andavam a acasalar entre espécies?
- Querem entrar? - perguntou Francine, enquanto aceitava o saco para as mãos.

Annie
Localização: Orfanato Sean Brady

Infelizmente não iria haver tempo para irem à biblioteca, mas de qualquer das formas elas iriam lá à tarde ou outro dia, Annie mal podia esperar!
De seguida chegaram finalmente ao orfanato e foram recebidas por uma senhora yordle amável que agradeceu bastante feliz pela doação que lhe fizeram. De seguida perguntou a D.Gisele se ela era a nova mãe de Lulu e se Annie era irmã. Annie soltou uma grande gargalhada e abraçou Lulu, do nada, quase fazendo com que caíssem no chão.
- Quem me dera que fossemos irmãs! - exclamou a pequena bastante animada, mostrando o seu afeto por Lulu - Mas somos só amigas e viemos da grande Academia de League of Legends! Estudamos lá juntas e viemos visitar os pais de um amigo nosso, aqui a dona Gisele. - explicou Annie desfazendo o abraço aproximando-se de Gisele, abraçando-a também de seguida, mas não com tanta intensidade. - Sim vamos entrar! - respondeu de imediato a seguir.
Se os yordles adultos eram da sua altura, Annie queria ver como seriam as crianças. Deviam de ser criaturas pequeninas e adoráveis e adoraria brincar com elas, se pudesse claro.
O entusiasmo da pequena era notável e ela encontrava-se tão fascinada que nem dava conta das coisas que dizia e das suas possíveis consequências.

Lulu
Localização: Orfanato Sean Brady

A senhora Gisele entregou o saco com o peixe e a senhora Francine começou a fazer perguntas estranhas. Nunca pensara que a família de Rumble poderia ser confundida com sendo a minha nova família; e o facto de acharem que Annie era minha irmã também não fazia muito sentido pois notava-se perfeitamente que ela não era uma yordle.
O entusiasmo de Annie era contagiante. No entanto, o facto de ela ter aceite entrar no orfanato fez-me comprimir os lábios. Mas não ia fazer aquela desfeita à minha amiga, ela estava sempre tão curiosa em conhecer tudo e todos...
Depois de um olhar por parte da senhora Francine, entrámos e a porta fechou-se atrás de nós.

Francine
Localização: Orfanato Sean Brady

A pequena humana quase que desbobinou tudo aquilo que Francine queria saber. Apesar de tudo, aquele homem misterioso deixara-lhe muitas perguntas na mente. Quando ela falou acerca de uma tal Academia de League of Legends, Francine quase que se riu às gargalhadas. As crianças de hoje em dia tinham uma imaginação tão fértil!
Fingindo que acreditava naquela história, fez-lhes sinal para entrarem. Assim que o fizeram, fechou a porta e começou a guiá-las pelos corredores.
- Bem, o orfanato já é um pouco antigo. A minha mãe é que o abriu quando ainda era solteira e como não tinha muito dinheiro isto foi o melhor que conseguiu arranjar. Mas está muito bem localizado e temos um quintal espaçoso para as crianças brincarem sem termos que estar constantemente preocupadas com a sua segurança. - explicou Francine.
Entretanto, viraram numa das variadas portas do corredor e entraram para dentro de um refeitório bastante cinzento e abafado, mesmo tendo a porta que dava para o quintal aberta. Esta era pequena, o que não deixava que o ar circulasse assim tão bem como devia.
Francine levou-as até ao quintal, onde se encontravam as crianças a brincar. Não era nenhum parque infantil de luxo mas era o suficiente para elas se entreterem.
- E pronto, aqui está o quintal.


Última edição por Sanguinia em Seg Out 15, 2018 11:31 pm, editado 8 vez(es)
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Re: Bandle City

em Qui Out 11, 2018 4:35 pm
NAMI
Localização: Casa da família de Rumble

Rumble apercebeu-se logo que algo não estava bem. Sentou-se a meu lado e começou a explicar-me muito rapidamente que o que estava na mesa não se tratava de animais mortos. Só a menção dos animais mortos já me fazia pensar no assunto e pensando no assunto não me dava grande vontade de comer.
- Obrigada Rumble, mas eu estou bem. Faço-vos só companhia.
Outra coisa que me estava a incomodar era o fumo que o Sr. George estava a produzir, mas como já tinha recusado a comida, agora também não queria fugir da mesa caso contrário Rumble e o próprio Sr. George podiam pensar que não queria estar com eles.
- Aceito é um bocadinho de água, se não te importares. - acabei por pedir a Rumble para poder aguentar melhor a presença do fumo seco.

Gisele
Localização: Orfanato Sean Brady

Os comentários da senhora Francine foram um bocado estranhos. Não a parte da possibilidade de Gisele pudesse ser a mãe de Lulu, mas a parte em que esta falou que Annie pudesse ser a sua irmã. Annie acabou por explicar tudo com um grande entusiasmo, até pormenores a mais... Felizmente Francine não pareceu dar grande importância. Com a atitude de Annie, nem deu tempo de Gisele dizer que tinham pressa e precisavam de ir ao mercado, pois ela quis logo entrar no orfanato para conhecer as instalações e, possivelmente, as crianças.
As três seguiram então atrás da senhora Francine e esta explicou que tinha sido a sua mãe a fundar o orfanato. Mostrou as várias divisões e pararam só nas traseiras do edifício que dava a um quintal onde várias crianças yordles brincavam.
- Obrigada por nos ter mostrado o orfanato, senhora Francine. - disse Gisele esticando o saco de peixe para que ela o aceitasse - Mas agora precisamos de ir, ainda temos outros sítios para passar antes de irmos para casa. Vamos andando meninas? - fez uma pausa e viu que Annie não estava ao pé delas - Annie?

Annie
Localização: Orfanato Sean Brady

Para grande felicidade de Annie, foram ver o orfanato. Este encontrava-se vazio, não havia sinal das crianças nas várias divisões que Dona Francine lhes mostrava. Annie espreitava por todos os cantos para ver se via algum mini yordle. Eles afinal não estavam dentro do orfanato, mas sim num quintal que ficava na parte de trás do edifício. Mal Annie viu as várias crianças yordle a brincarem no exterior, os seus olhos brilharam! Ela nem disse nada a ninguém, simplesmente correu em direção aos pequenos yordles que inicialmente se assustaram com a sua presença, pois possivelmente nunca tinham visto uma humana.
- Olá amigos! Eu sou a Annie e este é o Tibbers! - apresentou-se alegremente.
No entanto os yordles não disseram nada, estavam um bocado assustados com aquela pessoa que apareceu ali do nada. Só um rapaz yordle, já com uns dez anos, é que ganhou coragem e avançou até Annie.
- És uma humana? - perguntou.
- Sim, sou e vim visitar a vossa cidade! Vocês são tão fofos! - disse Annie totalmente hipnotizada por aquelas coisinhas pequenas, felpudas e fofinhas!

Lulu
Localização: Orfanato Sean Brady

Seguimos a senhora Francine pelo corredor principal. As portas pelas quais passámos normalmente estavam sempre fechadas para as crianças. Só os pais que adoptavam é que tinham acesso às divisões, isso eu reparara no pouco tempo em que lá estivera. Chegámos entretanto ao refeitório e saímos para o quintal. Fora ali que eu transformara algumas crianças em flores. Agora que pensava no assunto, enquanto as via a brincar umas com as outras, tinha sido algo perigoso. E se alguma criança se lembrava de arrancar a flor, que outrora fora uma criança, do solo? Que consequências é que isso podia ter nela quando voltasse à sua forma original?
Engoli em seco, pensando no quão descuidada tinha sido. Entretanto, a senhora Gisele parecia estar com pressa, ideia essa que eu totalmente apoiava. Mas Annie já não estava ao pé de nós. Observei o jardim com minúcia e vi-a no meio das crianças. Os seus olhos brilhavam. Ela estava tão feliz que até dava pena ter que interromper aquele momento.
Caminhei até ela e as crianças que me reconheceram recuaram imediatamente. Todas elas tinham sido instruídas, de uma maneira ou de outra, a recear-me e a manterem-se à distância. Magoada que ainda se lembrassem de mim como uma ameaça, olhei para o chão, onde as ervas daninhas estavam espezinhadas.
- Annie... - estava a ser difícil ignorar os olhares assustados delas. - Temos que nos ir embora.

Rumble
Localização: Casa da família de Rumble

- Trago-te já um copo de água. - disse levantando-me, uma vez que não havia água na mesa. Depois de ir a um jarro que estava em cima do balcão encher um copo com água, voltei a sentar-me, entregando-lhe o copo de seguida. - Toma.
Servi-me de uma torrada e leite com café e observei o meu pai. Ele estava totalmente abstraído da nossa presença enquanto fumava do seu charuto. Não gostava muito do cheiro do cachimbo, nem de o fumar, mas tinha que admitir que estava a trazer o meu velho hábito de volta: precisava de cigarros.
- Pai... Ei, pai! - chamei duas vezes porque parecia que ele não me ouviu à primeira - Que se passa?

George
Localização: Casa da família de Rumble

Aquela manhã tinha sido péssima e George parecia querer adiar a abertura da oficina para o mais tarde possível. Ele tinha saído cedo para ir comprar algum material e nunca pensou que alguém o confrontasse devido ao regresso do seu filho. Na loja um senhor que conhecia de vista (por se terem cruzado várias vezes nessa mesma loja) encarou-o perguntando porquê é que Rumble tinha regressado e se era para os envergonhar outra vez. Jun, o dono da loja, tentou acalmar os ânimos, já que o outro cliente estava bastante exaltado e também assustado pela máquina de Rumble (pelo menos era o que dava a entender pela sua conversa). Felizmente Jun, além de ser dono da loja era seu amigo há muitos anos, estava do seu lado e até o felicitou por estar novamente com o seu filho.
- Ah? - murmurou George olhando para o filho - Não se passa nada... - respondeu levantando-se e apagando o cachimbo. Depois de ver que o seu filho não tinha acreditado nele, acrescentou - Era eu que precisava e uma peça para hoje e não a arranjaram. Agora não sei como vou arranjar ali uma máquina que tenho na oficina que era para entregar hoje.
O que nem era mentira, apesar da sua maior preocupação ser aquela atitude na loja. Será que iria perder clientes por causa disso?
Sem esperar por uma resposta, George saiu da cozinha e foi para a oficina. Abriu o grande portão e preparou-se para começar a trabalhar.

Annie
Localização: Orfanato Sean Brady

Se as crianças já estavam assustadas por uma criança humana estar ali, ainda se sentiram mais assustadas quando Lulu chegou. Annie nem reparou na reação dos pequenos, só queria agarrar em todos e brincar com eles como se fossem peluches como o Tibbers.
- Vamos brin... - começou por dizer mas foi interrompida por Lulu - Oh já?!? Ainda agora chegamos!

NAMI
Localização: Casa da família de Rumble

Rumble foi buscar um copo com água para mim e eu bebi-a toda de um trago. Num piscar de olhos o copo estava cheio e no outro estava vazio. Encostei-me às costas da cadeira sentindo-me melhor, mas ainda a fazer um esforço por ignorar o fumo que pairava sobre as nossas cabeças.
Foi só quando Rumble chamou pelo pai e lhe perguntou se se passava algo de errado é que eu me apercebi que o Sr. George estivera demasiado calado durante aquele tempo todo.
A razão por trás desse silêncio residia no facto do Sr. George ter um prazo de entrega de uma máquina para cumprir mas por falta de um objecto importante não ia conseguir concretizar essa entrega a tempo. A sua preocupação era tal que mal nos explicou sucintamente o que o afligia levantou-se da mesa e foi-se embora.
- Achas que o devíamos ajudar? - perguntei a Rumble. - Não temos nada para fazer até ao almoço...

Lulu
Localização: Orfanato Sean Brady

Annie queria brincar com as crianças. Não sei se ia conseguir explicar-lhe o quão difícil isso seria. Primeiro: Annie era uma humana e não era normal humanos andarem em orfanatos de yordles, não fazia sentido. Segundo: As crianças estavam habituadas a brincar entre si e não com estranhos. Cada vez que uma criança nova entrava no orfanato revelava-se sempre complicado a sua integração no grupo. Terceiro: Eles já tinha percebido que Annie era minha amiga, o que era o suficiente para a recearem. Mal eles sabiam a magia que Annie guardava dentro de si...
- Fofinha, temos ainda que ir ao mercado, lembraste? A senhora Gisele ainda tem que ir fazer o almoço. - respondi eu.

Rumble
Localização: Casa da família de Rumble

Na minha opinião, a situação não era assim tão grave para o meu pai ficar naquele estado, pois ele parecia demasiado alterado. Apesar de ser chato não ter a máquina pronta a tempo, essa situação já nos tinha acontecido várias vezes e não ficávamos assim tão transtornados. A não ser que fosse um cliente chato e exigente. O meu pai saiu de seguida sem dizer muito mais, ia possivelmente abrir a oficina.
Nami propôs irmos ajuda-lo, no entanto tinha um bichinho dentro de mim por um cigarro e queria ir compra-los.
- Sim podemos ir ajuda-lo, mas preciso de ir a um sítio primeiro. Queres vir comigo? É perto de casa. - perguntei-lhe enquanto me levantava.
Dirigi-me a um pote que havia num pequeno móvel da cozinha onde normalmente guardávamos os trocos, e vi quanto dinheiro lá tinha. Retirei o que me pareceu suficiente para ir comprar um maço de cigarros enquanto aguardava por uma resposta de Nami.

Annie
Localização: Orfanato Sean Brady

Lulu estava a ser chata. Qual era o mal de ficarem só mais cinco minutos? Mas Lulu reforçou que tinham que ir ao mercado e depois ir fazer o almoço. Annie suspirou aborrecida:
- Uh. Está bem! - disse mal humurada para Lulu. Mas depois voltou-se para as criancinhas com um grande sorriso e disse - Mas eu hei-de voltar para brincar convosco, sim? Hahahaha!
Aquele sorriso soou um bocado maquiavélico o que vez com que as crianças se encolhessem assustadas. Annie não reparara nesse pormenor, ela só queria brincar com elas, a bem ou a mal!
Annie acenou para as crianças yordles e caminhou em direção a D. Gisele e Sra. Francine.
- As suas crianças são muito simpáticas! - disse Annie à Senhora Francine mostrando um grande sorriso. - Adoraria ficar cá mais tempo para brincar com elas, mas temos que ir embora... - a última parte soou mais com birra e ela lançou um pequeno olhar chateado a Lulu.

Gisele
Localização: Orfanato Sean Brady

Enquanto Annie e Lulu se entretiam com as crianças (Gisele não conseguiu entender o que elas estavam realmente a fazer), comentou com a Sra. Francine:
- É triste haver tantas crianças para adoção... Se fosse há uns anos atrás quem sabe eu não adotaria um e dava um irmão ao meu filho Rumble. Enfim... - e suspirou no fim.
Quando as duas amigas se aproximaram de volta, Gisele colocou uma mão no ombro de cada uma, ficando no meio delas. Annie começou por dizer que adoraria ficar para brincar, mas tinham que ir embora.
- Sim temos que ir Annie. Outro dia passamos cá. Ainda temos compras para fazer no mercado. Espero que façam bom aproveito com os peixes! - disse Gisele sempre com um sorriso - Acompanha-nos à saída?


Francine
Localização: Orfanato Sean Brady

Francine manteve-se atenta às atitudes de Lulu o tempo todo enquanto ela se aproximava da criança humana que parecia querer brincar. Há uns tempos atrás ela teria simplesmente brincado e saltitado, assustando ainda mais as crianças. Mas agora parecia estar a querer meter algum juízo na cabeça da outra. Era uma mudança de comportamento extrema e que deixava Francine com novas perguntas na sua cabeça.
Entretanto, elas as duas aproximaram-se e a yordle adulta pediu-lhe que as acompanhasse à saída.
- Claro, sem problema algum! - respondeu.
Saíram então do quintal novamente para o refeitório e depois para o corredor principal. Caminharam-no até ao fim, Francine abriu a porta da entrada e depois de elas saírem as três lá para fora, questionou-se se as quereria ali outra vez.
- Muito obrigada pela visita e pela oferta. - hesitou, antes de continuar o resto da frase. - Espero ver-vos brevemente.

Lulu
Localização: Orfanato Sean Brady

Annie estava amuada comigo. Não queria amuar também com ela mas vontade era o que não me faltava!
Mantendo-me em silêncio, voltámos para perto da senhora Gisele e depois fomos embora. A senhora Francine despediu-se de nós com a promessa de que poderíamos voltar lá. Se isso acontecesse, Annie bem que podia voltar sozinha porque eu ia ficar em casa de Rumble. Não suportaria aqueles olhares assustados novamente.
Depois da porta se fechar atrás de nós, dei a mão à senhora Gisele. Não sabia bem o porquê daquele meu gesto, mas precisava de sentir alguma segurança e de momento ela era a única adulta que a poderia dar. Esperei que iniciássemos a caminhada até ao mercado.

Gisele
Localização: Mercado

- Até uma próxima. - disse Gisele despedindo-se de Francine e do seu orfanato.
Depois da porta se fechar, Gisele sentiu alguém a dar-lhe a mão e viu que era Lulu. Gisele soltou o seu típico caloroso sorriso e olhou para Annie que se encontrava de braços cruzados, um bocado aborrecida. A yordle estendeu-lhe a mão e Annie acabou por lha dar. Foram então as três de mãos dadas até ao mercado do centro da cidade.
Gisele não pretendia demorar muito tempo, pois brevemente era hora de almoço. Gisele tratou de comprar alguns vegetais que não tinha no seu quintal e dirigiu-se a um talhante. Antes de fazer qualquer tipo de compra, dirigiu-se às raparigas:
- Ontem comemos carne e a Nami não disse nada sobre isso. Mas acham que ela ficaria chateada se comprasse mais?

Lulu
Localização: Mercado

Era natural a senhora Gisele ter perguntas acerca do regime alimentar de Nami. Eu fizera o mesmo quando a conhecera, especialmente depois de perceber o quão mal ela ficara ao ver os seus amigos a comerem peixe.
- Ela sabe que nós comemos carne e peixe. Por respeito, não comemos peixe à sua frente. Mas acho que já se habituou à ideia de nos ver a comer carne. - respondi eu. - Enquanto estiver a cozinhar, nós não vamos deixar que ela entre na cozinha. Não sabemos se o processo a incomoda ou não pois nunca assistiu à preparação de uma refeição.

Gisele
Localização: Mercado

- Então vamos mante-la fora da cozinha enquanto cozinhamos, sim? - disse Gisele para as meninas depois de ouvir a explicação de Lulu.
Ela aproximou-se então do talhante e pediu alguns tipos de carne que dessem para algumas refeições durante a semana. Também tencionava mesmo assim fazer uma refeição totalmente vegetariana. 
Depois das compras feitas, ela perguntou a Annie e Lulu:
- Querem mais alguma coisa? Levar uns doces ou bolos? Ou podemos ir andando?

Annie
Localização: Mercado

A pequena ainda encontrava-se um bocado chateada por não ficar no orfanato a brincar com as crianças. No entanto a senhora Francine disse que as esperava voltar a ver e Annie tencionava realmente lá regressar. Não seria bom as crianças terem uma companhia diferente para variar? Iria ser super divertido!
Annie deu a mão a Gisele e foram as três para o mercado. Quando chegaram ao pé do talho, a mãe de Rumble perguntou se podia fazer refeições com carne e Lulu tratou de lhe responder. Annie estava um bocado distraída, pois por trás delas encontrava-se uma bancada de doces com diversos bolos diferentes e aparentemente deliciosos! Assim que ouviu dona Gisele a falar em bolos e doces, Annie virou-se e disse com um enorme brilho nos olhos:
- Vamos levar alguns bolos sim!!!

NAMI
Localização: Casa da família de Rumble

Rumble gostou da minha ideia, no entanto afirmou que precisava de ir a outro local antes disso.
- Sim! - disse entusiasmada, se calhar um pouquinho demais. Depois de Lulu e Annie terem ido ao mercado e me impedido de ir com elas, fiquei contente com o convite de Rumble mesmo que fosse para ir a um sítio muito perto da sua casa. Para além disso, se não fosse com Rumble não saberia o que fazer sozinha naquela que para todos os efeitos ainda era uma casa e uma cidade desconhecidas.
Levantei-me da cadeira e dirigi-me logo à porta, tomando a liderança embora não soubesse onde íamos.
- Vamos lá Rumbleeeeeee! - cantarolei enquanto percorria o corredor até à saída. Já no exterior tive de esperar para que Rumble indicasse o caminho.
- Por onde é agora?

Rumble
Localização: Rua / Drogaria St. Matheus

Nami ficou bastante animada por sair de casa, possivelmente por lhe ter sido recusada essa opção quando a minha mãe, Lulu e Annie sairam. 
- Vi logo que ias gostar da ideia. - disse enquanto me levantava e saia para a rua.
Sem dúvida que ela estava bastante animada para descobrir todo aquele mundo novo, notava-se pela sua expressão o que me deixou igualmente animado.
- Por aqui! - disse enquanto caminhava em direção à rua à esquerda de minha casa.
Seguimos sempre pela mesma rua. Não havia muita movimentação, mas de qualquer das maneiras os olhares dos yordles com que cruzávamos caiam sobre nós. Felizmente não sobre mim, mas sim sobre Nami. Teria que sair com ela mais vezes, talvez com a sua presença os yordles esquecessem que eu tinha regressado e focassem-se só naquela criatura estranha para eles.
Andamos devagar, devido à fraca mobilidade de Nami, mas de qualquer das maneiras chegamos rapidamente a uma pequena drogaria chamada St. Matheus, localizada naquela mesma rua que pertencia a minha casa. Empurrei a porta e ouviu-se um sininho a soar por cima das nossas cabeças. Nami tinha que se abaixar para entrar e manter-se curvada, no que lhe perguntei antes de avançar:
- Queres entrar ou preferes ficar cá fora? O tecto é baixo... Não demoro de qualquer das maneiras, só preciso de comprar tabaco.

Lulu
Localização: Mercado

Enquanto a senhora Gisele escolhia a carne que queria, larguei a sua mão e fui observando as coisas à minha volta. Era tudo tão familiar e diferente ao mesmo tempo. O conceito mantinha-se o mesmo, antes de eu ter ido para Glade, mas as caras eram novas e os produtos, na sua maior parte, também. As roupas também tinham mudado um pouco; daí os meus vestidos e chapéus não serem muito comuns.
Perdida nos meus pensamentos, nem dei conta que a senhora Gisele já tinha terminado. Annie estava praticamente a babar-se para cima de uns bolos com muito bom aspecto e rapidamente me apercebi que os íamos levar.
- Sim, é uma boa ideia! - exclamei eu.
Aproximei-me da bancada e deixei-me envolver pelos cheiros e pelas cores que eles tinham. Os que eram mais extravagantes eram os que eu queria levar. Mas não podia obrigar os outros a gostar do mesmo que eu por isso esperei que fossem elas a escolher e talvez depois escolhesse um para mim.

NAMI
Localização: Rua / Drogaria St. Matheus

Rumble passou por mim e virou à esquerda, tomando o caminho que se estendia desse lado. Serpenteei a seu lado com um sorriso estampado no rosto. Não só estava contente por poder ir explorar um sítio novo, como Rumble me parecia genuinamente bem disposto. Era raro vê-lo assim e isso deixava-me de coração acelerado de entusiasmo e alegria. Só me apetecia correr. Isto é, se tivesse pernas para o fazer, claro.
À medida que nos fomos cruzando com outros yordles, reparei que eles nos iam lançando uns olhares ora de admiração ora de medo. Começava a ficar habituada a esse tipo de olhares. Fora alvo deles no meu percurso até à academia, na academia, na missão em Freljord e agora ali. Não entendia, porém, porque haveriam eles de sentir medo de mim. Eu também nunca tinha visto terrestres antes de me aventurar para bem longe de minha casa e no entanto achava-os fascinantes. Acabei por acenar a alguns dos que pareciam mais amedrontados, para mostrar que não lhes queria mal, mas por vezes eles apenas fugiam ainda mais depressa.
Quando por fim chegamos à casa onde Rumble queria ir, ele perguntou-me se queria mesmo entrar, advertindo-me que o tecto era baixinho.
- Hum... se vais demorar tão pouco tempo como dizes, então não me custa estar um bocadinho encolhida. E assim posso ver o que tem dentro da loja! - disse novamente entusiasmada ao mesmo tempo que me balançava de um lado para o outro. - Mas se calhar é melhor entrares primeiro para ninguém se assustar.


Gisele
Localização: Rua / Drogaria St. Matheus

Ambas queriam levar bolos, então Gisele tratou de se aproximar e observar a montra à sua frente. Todos os bolos tinham aspeto deliciosos, mas houve um grande que lhe chamou mais à atenção: um bolo de tamanho familiar com cobertura de chocolate e amêndoa espalhada por cima. Gisele propôs às raparigas:
- Meninas, que acham de levarmos um bolo grande que dê para todos, tipo aquele? - e apontou para o bolo em questão - Ou preferem levar um para cada um individualmente?

Rumble
Localização: Drogaria St. Matheus

Nami quis entrar comigo e por mim não havia problema, mas tinha medo da reação dos yordles que pudessem estar dentro da loja. Entrei finalmente para a loja e olhei para todos os lados para ver quantas pessoas estariam ali presente. Só havia uma yordle idosa de volta de uma grande caixa num canto de costas para a entrada. De resto só havia o dono, o Dan Matheus, atrás do balcão no fundo da loja que me observava. Voltei a espreitar à rua e fiz sinal para que Nami entrasse.
- Olá Dan. - disse assim que voltei para dentro e me aproximei do balcão.
- Q-q-que raio? - ouvi-o dizer. Nem sabia se o seu espanto era por me ver a mim ou por ver uma sereia. Vi o seu olhar a saltar de mim para Nami várias vezes. - Que fazes aqui e que raio é aquilo? - acabou por perguntar ainda espantado.
- É uma sereia, uma amiga minha. Sim estou de volta. - disse ligeiramente nervoso. Conhecia Dan por ir várias vezes à sua loja, mas não eramos propriamente amigos. Conhecidos, colegas? Talvez... O problema é que não sabia qual a sua ideia perante os acontecimentos que passaram comigo e com os humanos.
- Como é que tiveste coragem para voltar aqui? Se bem que coragem não te falta rapaz! - disse ele.
Estava mais aliviado. Aquele comentário final era de alguém que possivelmente não estava contra mim. A sua voz era curiosa e indignação, mas sem qualquer tipo de rancor.
- Eu adoro as minhas origens! Apesar de tudo vocês têm que se habituar à minha presença. Não é como se eu tivesse desaparecido para sempre, ora essa! - respondi-lhe.
Dan acabou por se debruçar no balcão aproximando-se de mim e disse baixinho:
- Se bem que várias pessoas preferiam que tu desaparecesses, sabes...
- Sim, sim... - disse eu revirando os olhos. - Vá, pouca conversa, dá-me um maço de cigarros. - conclui rispidamente. Não queria falar sobre aquilo e estragar o meu humor.
- Certo, certo... - e Dan virou-se de costas e pegou de uma prateleira um maço de cigarros da minha marca preferida. Vá lá, ele ainda não se tinha esquecido.
- O preço é o mesmo suponho... - disse eu enquanto contava os trocos na mão. - Toma aí.
Ele aceitou as moedas e guardou-as numa gaveta debaixo do balcão. Antes que eu pudesse ir embora, ele apontou para Nami e perguntou:
- De onde veio... ela? Aquilo? Desculpa lá, mas estou curioso. Ainda mais curioso do que andaste tu por aí a fazer durante este tempo todo!
- Ahahah. - soltei uma gargalhada. Aquilo era bom, os yordles estavam mais atentos a Nami do que comigo. Gostei disso, afastava a sua mente das más memórias de mim. - Ela é a Nami e... Oh, é melhor ela se apresentar! Nami, chega aqui. - chamei. - Apresenta-te aqui ao dono da drogaria, o Senhor Dan Matheus. Ele quer saber de onde vieste.

Lulu
Localização: Mercado

Levar um bolo para cada um requeria que conhecêssemos muito bem os gostos de Rumble e Nami. E a sereia provavelmente nunca tinha experimentado um, sequer. Pelo menos na minha presença, não. Só experimentara as minhas panquecas com chocolate, das qual gostara. Portanto, provavelmente ela gostaria de um bolo de chocolate também.
- Aquele tem muito bom aspecto! - afirmei eu, enquanto o devorava com os olhos. Apesar de os outros serem mais extravagantes, não me importava de comer aquele. - Que achas, Annie? Gostas de chocolate, não gostas?
Até hoje, todas as crianças que eu conhecera gostavam de chocolate.

Annie
Localização: Mercado

- Claro que gosto de chocolate! - respondeu Annie mais entusiasmada, mas mesmo assim ainda se encontrava um bocado aborrecida por não ter ficado no orfanato a brincar. De qualquer das maneiras, uma fatia daquele bolo iria fazer com que se esquecesse disso com certeza. - Podemos levar aquele sim!

Gisele
Localização: Mercado

Depois das duas concordarem em levar o bolo grande, Gisele pediu ao vendedor para o colocar numa caixa para levarem-no para casa. Depois de pagar pediu às raparigas:
- Alguma de vocês pode levar o bolo? Já estou um bocado carregada com o resto das compras. 
Depois de lhe terem feito o que pediu, acrescentou:
- Querem mais alguma coisa ou vamos andando para casa?

Lulu
Localização: Mercado

Mal a senhora Gisele pediu ajuda, estendi imediatamente os braços para a caixa e segurei-a. Ainda estava satisfeita com o pequeno-almoço que tínhamos tomado mas só a ideia de faltar pouco para provarmos o bolo fazia com que nascesse água na minha boca.
- Acho que está tudo. - respondi eu.
Se bem que quem ia fazer o almoço era a senhora Gisele e ela é que tinha a noção do que precisava. Eu nunca cozinhara na minha vida. Quando estivera em Glade alimentara-me à base de flores comestíveis e fruta.

NAMI
Localização: Rua / Drogaria St. Matheus

Rumble entrou primeiro na loja deixando-me no exterior a aguardar. As pessoas continuavam a passar por mim mas nunca muito perto. Algumas chegavam mesmo a atravessar a rua para prosseguir o seu caminho do outro lado, outras aceleravam o passo e até as que ficavam paradas a olhar pareciam preferir manter um certo perímetro de distância. Acenei para os yordles que tinham parado e sorri quando eles me acenaram de volta.
Entretanto Rumble reapareceu na rua e chamou-me com um gesto. Segui-o então até ao interior da loja que, à semelhança da loja de peluches de Gloomy Village, estava repleta de coisas! Escusado será dizer que me "agarrei" logo às estantes, perguntando-me o que muitas dessas coisas seriam ou para que serviriam. A minha vontade de pegar em tudo e explorar com o tacto era muita mas consegui conter-me (ou melhor dizendo, Rumble chamou por mim novamente antes que isso acontecesse).
Fui ter com o meu amigo ao balcão, no qual se encontrava outro yordle, e ele pediu-me que me apresentasse. Fiquei radiante. Agarrei logo na mão do dono da drogaria e abanei-a inúmeras vezes.
- Olá senhor Dan Matheus! Eu sou a Nami, amiga do Rumble. Atargatis foi de onde eu vim. Do mar. - esclareci ao ver que o nome da minha aldeia não era reconhecido. - Você tem tanta coisa aqui!!

Gisele
Localização: Mercado

- Então vamos andando! - disse a yordle começando a caminhada de regresso a casa. Queria ver se se despachava, pois ainda tinha o almoço para fazer.

Rumble
Localização: Drogaria St. Matheus

Se a expressão de Dan já dava vontade de rir, o que aconteceu a seguir fez-me soltar uma gargalhada. Nami, claramente radiante e com os olhos a brilhar, veio logo ter connosco e agarrou a mão de Dan que se encontrava pousada no balcão. Enquanto Nami se apresentava, os olhos de Dan arregalavam-se e a sua boca abria-se.
- P-prazer! N-nunca tinha visto ninguém como v-você. - gaguejou ele ainda de olhos esbugalhados. - É-é muito b-bonita! - elogiou.
- Pois é! - disse eu ainda a rir-me da expressão do homem. - Há criaturas mesmo diferentes no nosso mundo, não é? - ainda estava para acrescentar que havia uma espécie que devia deixar de existir (os humanos, claro), mas deixei-me estar calado com as minhas piadinhas.
- S-sim... - murmurou. - E eu só tenho o básico na minha loja, se acha que é muito... - respondeu por fim, parecendo só agora se ter lembrado do último comentário de Nami.
- Queres levar alguma coisa Nami? - perguntei-lhe. Já que ela era tão curiosa em relação aos objetos do meu mundo, talvez ela quisesse alguma coisa para ter como recordação. Se fosse barato, claro, já não tinha muitas moedas comigo...

Annie
Localização: Ruas de Bandle City

As três passaram pelas mesmas ruas que fizeram para chegar ao centro da cidade. Por isso, voltaram a passar à frente do orfanato de Lulu, onde Annie parou por momentos a olhar para a porta. Ela queria mesmo voltar àquele sítio e brincar com aqueles yordles adoráveis!
- Achas que podemos voltar à tarde? - perguntou Annie quando se voltou a juntar a Lulu e a Gisele.

Lulu
Localização: Ruas de Bandle City

Começámos a voltar para trás. Quando passámos pelo orfanato, Annie voltou a falar em voltar. Mas desta vez sugeriu que voltássemos à tarde.
Já estava farta deste assunto. Via-se mesmo que ela nunca chegara a ter que ir para um, fora imediatamente resgatada pelos invocadores e não passara por todo aquele medo que tinham por sermos diferentes e sabermos usar magia. Suspirei ruidosamente.
- Se quiseres vens tu. Eu não quero voltar ao orfanato. - disse eu, de uma maneira um pouco ríspida.
Tantas coisas que podíamos fazer em Bandle City e ela só queria visitar o sítio que eu menos queria ver!

Annie
Localização: Ruas de Bandle City

A maneira de como Lulu lhe respondeu fez com que Annie se encolhesse.
- Também não precisavas de responder assim... - murmurou aborrecida a pequena enquanto desviava o olhar para as casas a seu lado. Depois endireitou-se e continuou - Sei que a situação de um orfanato não deve ser fácil para quem não tem pais mas... Conviver com alguém da tua idade devia de ser bastante bom! Eu tinha alguns amigos, mas só os via nas reuniões dos meus pais... Fora isso andava sempre sozinha com Tibbers. Adoraria ter tido mais amigos! Amigos da minha idade, quero eu dizer...
Annie queria mostrar-lhe o seu ponto de vista. Ela sempre quis ser amiga de tudo e todos e ver aqueles yordles crianças seria uma ótima oportunidade de arranjar alguém da sua idade para brincar.

Lulu
Localização: Ruas de Bandle City

Esperava que Annie amuasse ainda mais ou ficasse chateada. No entanto, ela surpreendeu-me: tentou explicar-me o seu ponto de vista e ficou um pouco magoada. Suspirei, mais uma vez. Não gostava nada de falar daquele assunto. E não me queria alongar muito.
- Pois, eu compreendo o que queres dizer mas nunca tive um único amigo no orfanato e não vai ser agora que as coisas vão mudar. - disse eu.
Nem no orfanato nem na minha vida inteira... Até ter ido para Glade e depois para a Academia.
No meio daquela conversa, apercebi-me que já estávamos praticamente à porta da casa de Rumble.

NAMI
Localização: Drogaria St. Matheus

- Pois! Eu entendo. Eu também nunca tinha visto ninguém como você. Até conhecer o Rumble, claro. E os outros alunos todos da academia. - respondi ao senhor Dan, gesticulando.
O comentário que se seguiu deixou-me envergonhada mas desta vez não tive de comentar de volta porque Rumble interrompeu a conversa, aproveitando para me perguntar se queria levar alguma coisa. Inspirei com tanta força que a minha voz até chiou.
- Posso levar Rumble?!? Posso senhor Dan?!?
Acabei por não saber se algum deles me respondeu porque fui logo percorrer a loja novamente, agora com um olhar diferente, um olhar especialmente atento àquilo que podia precisar. E aquilo que eu queria muito experimentar era um champô. Adorava pentear os meus cabelos e já tinha aprendido com Lulu que os champôs tornavam o cabelo mais bonito e mais fácil de pentear. Dirigi-me então a uma secção que tinha muitos frascos e peguei num dos mais coloridos, indo ter com Rumble e o senhor Dan com o maior dos sorrisos.
Pousei a garrafa no balcão.
- Pode ser isto?

Nota: Nami pegou num frasco de ácido.

Annie
Localização: Frente da casa de Rumble

Uma vez mais Lulu falou que não teve amigos no orfanato, só os tinha arranjado em Glade e na Academia. Annie sentia-se feliz por ter Lulu como amiga, e achava que ela achava o mesmo, no entanto a pequena sentia mesmo saudades de ter amigos da sua idade.
Amumu, apesar de nunca ter sabido ao certo a sua idade, parecia ser uma criança como ela, e sempre brincaram imenso, mas infelizmente ele saiu da academia. Nunu foi outro que os tinha abandonado, logo no momento em que Annie pensou que ia formar uma grande amizade com o rapaz. Infelizmente eles os dois sairam e Annie continuou na Academia no meio de adultos grandes, fortes e também assustadores.
- Está bem, está bem... - disse Annie torcendo o nariz de modo a dar uma conclusão à conversa.
Entretanto chegaram à casa de Rumble e D. Gisele seguiu à frente entrando pela oficina que já estava aberta. O Sr. George estava por lá a trabalhar numa grande máquina estranha, mas no entanto estava sozinho.
- Voltamos! - disse Annie alto.

Gisele
Localização: Casa da família de Rumble

Gisele entrou pela oficina, deu um beijo rápido na bochecha do seu marido e prosseguiu em direção à porta das traseiras sem dar grande conversa. Ela sabia que quando o seu marido estava concentrado num trabalho, era melhor não o incomodar. De qualquer das maneiras ela tinha pressa em ir preparar o almoço.
- Sempre me ajudas Lulu? - perguntou Gisele empurrando a porta da oficina que dava às traseiras. Nem perguntou nada a Annie, pois tinha-a ouvido comentar qualquer coisa que ela não gostava de cozinhar no dia anterior. Também era normal, a pequena era só uma criança, possivelmente iria preferir brincar.

Rumble
Localização: Drogaria St. Matheus

Dan continuava embascado a olhar para Nami, mas soltou uma gargalhada quando ela quis ir toda entusiasmada buscar alguma coisa para levar.
- Ela é... Bastante engraçada... - comentou Dan recompondo-se depois de Nami se afastar do balcão.
- Pois é. Ainda anda a aprender imensas coisas novas por aqui. É um mundo totalmente diferente do dela. - disse eu.
- Ela falou em alunos de uma academia. Estás em uma academia agora? Pensava que andavas por aí a espalhar o pânico com a tua máquina gigante! Haha. - disse Dan rindo-se. Claro que muita gente não sabia por onde andava, e apostava que os meus pais também não gostavam de comentar isso com ninguém.
- Ah sim, estou... - comecei por dizer, mas fui interrompido pela yordle de idade, que tinha visto no canto da loja quando entrei, que se aproximou com um enorme alguidar.
- Quero pagar isto querido Dan. - disse a senhora tirando a carteira da sua bolsa.
Enquanto isso desviei o olhar e afastei-me um bocado da senhora, tinha medo que me reconhecesse e que criasse problemas. Procurei então com o olhar por Nami e nesse momento ela aproximava-se do balcão com um frasco na mão. A yordle de idade encontrava-se nesse momento a receber o troco do alguidar e quando olha para o lado atira um pulo e arregala os olhos encarando Nami. Com o susto, ela simplesmente pega no alguidar e sem se despedir sai a correr da loja, deixando cair uma moeda do troco no chão. Ainda a apanho para lha ir entregar, mas ela saiu tão rápido que nem deu tempo.
- Tens a certeza que queres levar isto? - ouço Dan a perguntar por trás de mim. Volto-me para o balcão e pego no frasco que Nami trouxe.
- Nami, isto é ácido! Não vamos levar isto, ainda te magoas. - disse eu pousando o frasco e colocando a moeda que caiu em cima do balcão. - Depois devolve esta moeda à senhora, Dan. - e de seguida dirigi-me a Nami - Tu escolheste isto aleatoriamente ou há realmente alguma coisa que gostarias de comprar?

NAMI
Localização: Drogaria St. Matheus

O meu sorriso esmoreceu quando o senhor Dan me perguntou se tinha a certeza que queria levar aquele frasco. Fiquei a olhar para ele com ar pensativo.
- Hum... Sim.
Estava prestes a perguntar se havia algum problema quando Rumble pega no frasco e me diz que aquilo era ácido e que me podia magoar. Levei as mãos à boca, escandalizada comigo mesma.
- Não sabia! Eu... - comecei a falar muito baixinho - ...queria levar champô, como o da Lulu. É... parecido.

Lulu
Localização: Casa da família de Rumble

Entrámos pela porta da oficina, onde estava o senhor George de volta de uma maquineta que era parecida à de Rumble mas muito mais pequena e menos sofisticada. Este estava tão concentrado que nem pareceu dar pela nossa presença. Entretanto, a senhora Gisele perguntou-me se eu sempre a ajudava com o almoço.
- Claro que sim! - respondi eu. - Mas vai ter que me ensinar... Eu nunca cozinhei antes.
Esperava que isso não fosse um impedimento. Se bem que podia ser simplesmente uma espécie de assistente. Podia passar-lhe os alimentos, os tachos, as panelas... Ou então iria mesmo começar a aprender a cozinhar!


Última edição por Sanguinia em Seg Out 15, 2018 11:35 pm, editado 2 vez(es)
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Re: Bandle City

em Qui Out 11, 2018 5:52 pm
- TERÇA-FEIRA, HORA DE ALMOÇO -


Rumble
Localização: Drogaria St. Matheus


Ela ficou claramente chocada por saber que aquilo era ácido, esclarecendo-me que não o sabia e que só queria um champô como da Lulu. Eu não percebia muito de produtos de mulheres, eu usava um champô qualquer e chegava para o meu corpo todo coberto de pêlo. No entanto, fiz-lhe sinal para que ela me seguisse e procurei pelos corredores o local onde se encontravam os champôs e produtos de higiene. Ali estavam eles, bem longe do sítio onde estavam os fracos de ácido.
- Aqui estão os champôs. - apontei-lhe com o dedo para os cinco frascos expostos. - Queres que te diga o que têm ou pode ser um qualquer? Ahm, espera... - e pus a mão no bolso das calças e tirei as moedas que trazia comigo. Observando de seguida as etiquetas dos preços que os frascos tinham colados e as moedas que tinha na mão, cheguei à conclusão que havia dois tipos de champôs que não podia comprar porque não tinha dinheiro suficiente comigo. - Só podes escolher um destes três afinal. Não tenho moedas suficientes para pagar dos outros.

Annie
Localização: Jardim (casa do Rumble)

Tudo o que Annie menos queria era ir ajudar a fazer o almoço, por isso decidiu esgueirar-se de ao pé delas e dizer timidamente enquanto se afastava:
- Eu vou estar à frente de casa, no jardim. Se precisarem de alguma coisa... Ahm... Chamem...
E virou-lhes as costas saindo pelo portão da oficina em direção ao pequeno jardim que a família de Rumble tinha à frente de casa. Estava um dia bastante agradável e agora seria uma boa oportunidade para Annie apreciar o tempo com Tibbers. A pequena chegou então ao jardim e descalçou as sabrinas ficando só com as meias-calças brancas. Ela adorava a sensação da relva quando estava descalça! Depois de dar umas pequenas corridas que percorriam toda a área do jardim, Annie sentou-se na relva ao pé de um canteiro de flores bastante bonito ao pé do pequeno portão que levava à entrada de casa.
- Olha que flores tão bonitas Tibbers! - disse Annie para o seu urso de peluche.

Gisele
Localização: Cozinha (casa do Rumble)

- Ninguém nasce ensinado. - disse Gisele com um sorriso enquanto entravam para a cozinha.
Gisele pousou as compras em cima da mesa e ficou alguns segundos a pensar no que iria fazer para o almoço. Se calhar a receita vegetariana iria ficar para o jantar, pois já passava do meio-dia e a receita que tinha idealizado demorava demasiado tempo.
- Vamos fazer um guisado de frango com batatas, courgete, cenoura e ervilhas. Enquanto eu preparo o frango, podes descascar algumas batatas? - disse por fim enquanto se aproximava de um dos sacos onde continha várias carnes.
De lá tirou um frango bem grande e levou-o para a bancada da cozinha onde com um grande cutelo o começou a desmanchar.

Lulu
Localização: Casa da família de Rumble

Acenei perante o pedido da senhora Gisele. Já tinha visto a minha mãe a descascar batatas muitas vezes portanto não devia ser muito difícil. Abri algumas portas dos armários, à procura de um alguidar. Quando finalmente encontrei um, enchi-o com água e fui buscar as batatas. Coloquei-as lá dentro, de molho. Enquanto me preparava, a senhora Gisele estava a cortar um frango. Só esperava que Nami não entrasse na cozinha no meio dos preparativos para o almoço. Se calhar tínhamos mesmo que a proibir de entrar às horas da refeição, se bem que ela provavelmente ia ficar aborrecida connosco.
Sentei-me num banco com o alguidar à minha frente, em cima da mesa. Iria colocar as cascas em cima da mesa e depois deitaria tudo no lixo no fim. Com isso em mente, tirei a primeira batata e fiz força com a faca. Acabei por cortar mais batata do que casca, o que me fez torcer o nariz. Voltei a experimentar e voltou a acontecer a mesma coisa. O meu medo de me cortar não me deixava cortar apenas a casca da batata, levando sempre o resto atrás. Estava a começar a ficar chateada comigo mesma e as batatas estavam a ficar com formas estranhas.

NAMI
Localização: Drogaria St. Matheus

Rumble fez-me sinal para o seguir e eu assim o fiz, regressando às fileiras de prateleiras repletas de coisas que a drogaria possuía. Caminhamos até uma que tinha vários frascos, como a que eu encontrara anteriormente, e reparei que de facto a forma dos frascos era diferente. À primeira vista enganavam mas agora via que quem estava enganada era eu.
Mal Rumble me indicou quais champôs podia escolher, inclinei-me para a prateleira para os ver bem de perto, embora não conseguisse perceber o que cada um tinha escrito, e acabei por tomar uma decisão com base apenas na cor. Azul.
- Pode ser este?
Vendo os pequenos discos brilhantes nas mãos de Rumble, baixei-me para lhe segredar uma pergunta.
- Tens de utilizar isso? Têm de utilizar isso para tudo? Porque é que o senhor Dan não nos deixa simplesmente levar o que precisamos?

Rumble
Localização: Drogaria St. Matheus

Ela lá escolheu um frasco azul e eu acenei em concordância quando ela me perguntou se o podia levar. Contei então as moedas certas na mão e guardei duas moedas que sobravam no bolso. Estava para me dirigir ao balcão quando Nami me pergunta o porquê de usar as moedas.
- Ahm... Isto é para pagar. Tudo o que queiras tem que pagar, porque teve um custo para ser produzido. Por exemplo esse champô foi feito a partir de ervas de... - e olhei para o champô que dizia que era de lavanda - ...de lavanda, ou algo do género. A lavanda, neste caso, teve que ser plantada, cuidada e colhida por alguém. Esse alguém como esteve a trabalhar, ganha estas moedas, uma recompensa pelo cuidado da lavanda. Mas para depois adquirires qualquer coisa, comida, roupa, até os champôs, tens que pagar com esse dinheiro que ganhaste a trabalhar. É um sistema de troca. O valor do champô está escrito nesta etiqueta colada nele, vês? - e apontei para a etiqueta laranja que tinha escrito o preço. Se bem que ela não sabia ler... - Sei que não sabes ler, mas todas as coisas têm um preço composto por números. O senhor Dan teve que pagar para ter este champô à venda também, porque teve que comprar à pessoa que criou o champô e cuidou da lavanda. Ahm, espero não te estar a baralhar...
Não tinha a certeza se a minha aula de economia era esclarecedora. Isto de pagar por algo era tão natural que nunca imaginei que Nami não soubesse como o sistema funcionasse.
- No fundo do mar vocês não têm que trocar as coisas? Comida e assim? É tudo grátis? - perguntei curioso.

Gisele
Localização: Cozinha (casa de Rumble)

Depois do frango cortado, Gisele colocou os pedaços todos num tacho, temperou-o com algumas especiarias e azeite. Juntou-lhe alguma água e pôs no fogão a lenha que ainda estava a arder lentamente desde do pequeno-almoço. Colocou mais lenha no fogão e virou-se para Lulu.
Viu que realmente Lulu não tinha nenhuma experiência na cozinha. Descascou as batatas um bocado desajeitadamente onde havia imensa batata nas cascas. Não ia repreende-la claro, mas Gisele odiava desperdícios, e teria-lhe custado imenso se tivessem colocado os peixes no lixo. No entanto ela já tinha descascado uma grande quantidade de batatas, as suficientes para o guisado.
- Não precisas de descascar mais, estas são suficientes. - disse Gisele. - Podes descascar as ervilhas? São muito mais fáceis que as batatas - e piscou-lhe o olho entregando-lhe um saco cheio de ervilhas por descascar e um outro alguidar para ela colocar as ervilhas.
Gisele pegou de seguida no alguidar das batatas e cortou-as todas em quatro. De seguida voltou-se para o lava-louça, esvaziou a água que lá tinha e voltou a encher para as voltar a lavar. Deixou-as no lava-louça, pois ainda era cedo para as juntar ao guisado, e foi para ao pé de Lulu descascar as cenouras. A rapidez com que Gisele o fazia era admirável, mas também ela já estava habituada a descascar legumes e a cozinhar desde dos seus 8 anos.

Lulu
Localização: Casa da família de Rumble

Apesar de ser uma ajudante de cozinha desastrosa, a senhora Gisele não me repreendeu e até me deu mais tarefas. Animada, comecei a cortar as ervilhas como vira também a minha mãe a fazer há muito tempo atrás: dava-lhe um pequeno corte numa das pontas e depois abria o resto com as mãos e tirava de lá as ervilhas. Era muito mais fácil do que descascar batatas!
Quando dei por mim, estava a entoar uma música ao mesmo tempo que o fazia. O ritmo a que a senhora Gisele descascava as cenouras também batia certo com a melodia que me saía dos lábios, o que me estava a tranquilizar, não sabia bem porquê.

NAMI
Localização: Drogaria St. Matheus

Perante a minha pergunta Rumble tentou explicar-me o porquê de se ter de trocar dinheiro por qualquer coisa que quiséssemos, pegando no champô como exemplo. Continuava sem perceber porque as coisas não eram simplesmente oferecidas, principalmente porque fiquei com a sensação de que até o senhor Dan ter o champô na sua loja, o champô passava por muitas outras pessoas. E isso era partilhar, portanto não fazia muito sentido. Mas se assim era, talvez pudesse recuperar o dinheiro de Rumble mais tarde.
- Humm... Mais ou menos. É um bocadinho complicado.
Tinha outras perguntas a fazer ainda sobre o mesmo assunto mas no meu momento de reflexão Rumble aproveitou para colocar também uma pergunta.
- A comida... está lá. - disse enquanto voltávamos para o balcão. - Não sei se é demasiado simples mas é o que é. Podemos comer quando quisermos nas áreas onde cresce a comida. E quanto a coisas, nós quase não temos coisas nenhumas. O que temos é o que cai de lá de cima. É o que vocês perdem ou o que se afunda.

Gisele
Localização: Cozinha (casa de Rumble)

Sem se dar conta, Gisele começou a acompanhar Lulu na sua música. Apesar de nunca a ter ouvido na vida, era fácil entender e num instante estavam as duas a entoar a desconhecida música enquanto trabalhavam.
Depois das cenouras descascadas e cortadas aos pedaços, pegou em courgete e fez-lhe o mesmo. Esta só iria mais tarde para a panela, ou arriscar-se-ia a derreter, mas mais valia deixa-la já descascada e pronta a juntar ao guisado.
Depois de todos os legumes cortados (deixou ainda Lulu a descascar as ervilhas) foi ao fogão e viu que o frango já fervia bem. Acrescentou-lhe as batatas e cenouras e voltou a tapar o tacho.
- Acho que já chegam de ervilhas. - interrompeu Gisele a música ao mesmo tempo que se aproximava de Lulu. - Estão ótimas, obrigada! - e esperou que Lulu descascasse as últimas levando de seguida a bacia para a pia para as lavar. - Se calhar íamos já preparando a salada, não? Para a Nami. Se bem que eu fiz este guisado com bastantes legumes para ela provar também. Sem frango claro! - e depois de lavar as ervilhas, acrescentou-as ao guisado.

Rumble
Localização: Drogaria St. Matheus


- Sim, é um bocado complicado. - concordei eu. Como é que era tão difícil explicar uma coisa tão óbvia?
Aproximamo-nos no balcão enquanto Nami me explicava que a comida simplesmente apanhavam e comiam, ou seja não havia ninguém para a racionar e distribuir. E se essa comida um dia acabasse? Eles não plantavam? Também eram imensas as minhas questões, mas limitei-me a não nos confundir mais. As coisas no fundo do mar eram demasiado simples e pronto.
- Compreendo. - disse no fim. Depois virei-me para Dan e continuei - vamos levar este champô. Toma, o dinheiro está certo. Agora é melhor irmos andando, já deve estar na hora de fechares para almoço, não Dan?
- Sim, sim. Vou fechar entretanto. - respondeu-me.
- Dan... Aproxima-te. - disse eu inclinando-me por cima do balcão. Ele assim o fez e eu sussurrei-lhe - Não espalhes muito por aí que eu regressei. Estou a tentar passar despercebido...
- Mas posso falar dela? - disse também baixo, mas apontou para Nami.
- Hmm... É melhor não espalhar muito o pânico. Não achas? - e afastei-me quando lhe fiz a pergunta dando-lhe uma pequena pancada no braço.
- Tens razão. Não te preocupes.
- Obrigado Dan. Adeus, até um dia. Talvez ainda cá volte esta semana. - disse enquanto me afastava no balcão em direção à saída.
- Adeus! Voltem sempre! - despediu-se Dan.
Enquanto caminhava para a saída, abri o maço de cigarros e coloquei um na boca. Estava ansioso por um cigarro e tínhamos perdido imenso tempo ali. Felizmente tinha trazido uma carteira de fósforos e mal saimos acendi-o e encostei-o ao cigarro puxando logo o fumo sentindo-o a descer até aos meus pulmões.
- Ahh... - soltei um suspiro. Aquele vício era horrível, mas lá que deixava uma pessoa mais relaxada, deixava. Principalmente depois de tanto tempo sem pegar num. - Vamos andando? - perguntei a Nami.
Assim que iniciamos a marcha comecei a pensar se Dan iria realmente guardar o segredo que lhe pedira. Nunca tive grande confiança com ele, só o conhecia por ser dono da drogaria e além das conversas casuais entre donos de lojas e clientes, nunca tivemos nada mais do que essa relação cliente-dono. Ao menos tentei pedir que ele não espalhasse a palavra. Se não o fizesse, paciência, não haveria de ser pior que o ataque que sofrera há uns meses atrás.

Lulu
Localização: Casa da família de Rumble

A senhora Gisele disse-me que já chegava de ervilhas e eu retirei as últimas para dentro do alguidar, sacudindo as mãos de seguida. Fui até ao lavatório e passei-as por água, observando a mãe de Rumble a meter os ingredientes dentro do guisado.
- Que tipo de legumes tem aí? - perguntei eu. - Ela ainda não provou muita coisa para além de alface, pelo menos que eu tenha visto. Mas podíamos meter tomate, cenoura, milho...
Só faltava o atum e o ovo para ficar perfeito. Mas dar-lhe atum era o mesmo que incentivá-la a comer os seus amigos do mar. E será que ela comia ovo? Provavelmente não, depois de lhe explicarmos que os ovos eram os futuros filhos das galinhas.

Annie
Localização: Jardim (casa de Rumble)

- Oh não! Um urso gigante! Ahhhhh!
- Raaawwwr! Isso tenham medo de mim! Vou pegar fogo a vocês todas, flores malditas! Mwahahaha!
- Oh não alguém nos salve!
- Ninguém vos irá salvar! Irão arder todas!
Annie encaminhava o seu urso Tibbers pelo meio das flores do canteiro da D. Gisele. Para fazer a voz das flores, Annie esganiçava a sua voz, dando-lhes um tom frágil e assustado. Já a Tibbers, Annie fazia um tom forte e grave, parecendo um urso assustador, tal e qual quando ele estava transformado.
- Tibbers! Não podes queimar as flores! Elas são tão bonitas... - disse Annie naturalmente, era a sua vez de entrar em cena e tentar explicar ao seu urso o que estava certo e errado.
- Mas mas... As flores são más! Elas merecem ser queimadas com o nosso poder, pequena Annie. - disse novamente Tibbers com uma voz grossa, ao mesmo tempo que Annie fazia com que o seu urso caminhasse na sua direção.
- Porquê é que elas são más? - perguntou Annie inocentemente olhando fixamente em Tibbers.
- Porque vamos conquistar o mundo! - disseram as flores com a voz esganiçada. Mas pareciam estar a falar a sério, o que fez com que o olhar de Annie se desviasse para as flores bastante abismada.
- Oh não! Estamos em perigo Tibbers! - disse Annie assustada.
- Eu avisei-te! - disse Tibbers - precisamos de as queimar! Agora!
Annie não tencionava realmente queimar as flores, mas tinha saudades de criar fogo. Ela invocou uma pequeníssima bola de fogo, do tamanho da ponta do seu dedo indicador e brincou com ela por entre os dedos. Tibbers incentivava-la a atirar essa pequena bola às flores, pois elas iriam conquistar o mundo e estariam todos condenados. Annie deixou-se hipnotizar pela pequena bola que voava à volta dos seus dedos, mas de um momento para o outro descontrolou-a e deixou-a cair em cima das flores. Uma das flores chamuscou-se de imediato começando um pequeno fogo propagando-se para as seguintes flores. Mas como o tempo estava frio e não havia vento, o fogo não se propagou muito mais acabando por se extinguir sozinho, queimando só uma pequena zona do canteiro. Annie observava, admirada aquilo que fez sem pensar nas consequências. Até sorriu. Um sorriso sádico, desejando atirar uma bola muito maior aos noxianos que conspiraram contra a morte dos seus pais, ou para Diana que matara alguns funcionários na academia, ou ainda para Syndra que a provocara. Mas infelizmente foram só umas meras flores que se queimaram...
- Boa Annie! Salvamos o planeta das flores malditas! - disse Tibbers e Annie abraçou-o, levantando de seguida começando a dançar com ele, festejando aquela vitória.

Gisele
Localização: Cozinha (casa de Rumble)

- Coloquei ervilhas, cenouras, batatas e courgete. Estou a guisar tudo com várias especiarias. Claro que também tem o frango, mas Nami não precisa de o comer. - respondeu Gisele. Lulu acabou por sugerir ainda outros ingredientes - Tomate até que nem era má ideia, mas agora já vamos tarde, metemos na salada para compensar. E milho está fora de época nesta altura, é só no verão. Se fosse comprar agora milho estaria caríssimo. De qualquer das maneiras ainda vamos fazer uma salada para acompanhar, caso ela não goste do guisado. Vamos lavar os ingredientes para a salada? - perguntou aproximando-se de outro saco das compras onde tinha alface, beringela, couve rouxa, pepino e tomate.
Depois de ter tudo pronto para o almoço ainda tinha que arrumar o que sobrasse na despensa. Só esperaria que o filho e Nami não demorassem muito, pois o almoço estava quase pronto.

Lulu
Localização: Casa da família de Rumble

A senhora Gisele aproximou-se de um dos sacos das compras onde tinha os vegetais. A sua intenção era lavá-los para terminarmos a salada. Para aquilo que eu costumava fazer - que era zero -, sentia que já tinha feito bastante.
Mordendo o meu lábio inferior e escondendo as mãos atrás das costas, fiz a seguinte pergunta com a voz mais fofinha que consegui fazer:
- Senhora Gisele, posso ir agora para o jardim enquanto os outros não chegam?
Annie estava por lá, tinha-a ouvido a brincar. E já ajudara bastante!

Gisele
Localização: Cozinha (casa de Rumble)

- Claro, podes ir. Já só falta fazer a salada, por a mesa e esperar que o resto do guisado fique pronto. Quando o almoço estiver feito eu chamo-vos. - respondeu Gisele.

Lulu
Localização: Casa da família de Rumble

Com a devida autorização da senhora Gisele, saltitei até ao jardim. Annie encontrava-se a dançar com Tibbers em forma de peluche. No entanto, algo de errado se passava naquele cenário; cheirava a queimado e algumas ervas estavam negras.
- Annie? - perguntei eu. - O que aconteceu?

Annie
Localização: Jardim (casa de Rumble)

- Lulu! - disse Annie num salto. Tinha-se assustado com a chegada da amiga. - Que aconteceu? Nada... - respondeu Annie confusa, mas alegre.
Ela só esteve a brincar no jardim com Tibbers. Que é que poderia ter acontecido de errado?

Lulu
Localização: Casa da família de Rumble

Annie nem sequer continha uma centelha de mentira nos olhos enquanto me respondia. Desconfiada, aproximei-me do pedaço de ervas que estava negro.
- Cheira a queimado e... bem... Algo se queimou, como dá para ver. - respondi eu, apontando para o chão.

Annie
Localização: Jardim (casa de Rumble)

- Cheira a queimado? - disse a pequena com cara de inocente. - Não me cheira a nada...
E Lulu aponta para o chão, para as flores que Annie tinha queimado. Ela soltou um risinho, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo e disse:
- Ah isso? Hahaha! Não foi nada de mais! Tibbers avisou-me que as flores eram más e que iam conquistar o mundo. Só tratamos de as impedir. - respondeu sentando-se no chão ao lado das flores queimadas. Num gesto rápido, pisou o que restava das flores com a mão livre, espalhando a seguir algumas cinzas pelo ar.

Lulu
Localização: Casa da família de Rumble

A resposta de Annie deixou-me meio sem reacção. Ela parecia estar genuinamente a pensar que o que fizera não era nada de especial. No entanto, a área queimada ainda era considerável. Como é que ela controlara o incêndio eu não sabia; mas algo podia ter acontecido. Além disso, o que diria a senhora Gisele quando visse o seu jardim parcialmente destruído?
- Annie, e se essas flores tivessem sido plantadas pela senhora Gisele de propósito? - perguntei eu. - Por ela gostar muito delas, por exemplo.
Eu comera muitas flores exóticas enquanto estivera em Glade. No entanto, tinha tido a permissão das Faes e das próprias plantas para o fazer. A Natureza tinha-se oferecido para mim, coisa que com certeza não se passara aqui.

Annie
Localização: Jardim (casa de Rumble)

Annie estava a ficar impaciente e aborrecida. Ainda sentada no chão com o Tibbers numa mão e a outra suja de cinza, a pequena olhou-a chateada. Porque Lulu tinha que estar tão chata ultimamente? 
- Ai que exagero Lulu! Foram só umas flores. Estava a brincar obviamente! Não foi um estrago assim tão grande e podem sempre voltar-se a plantar. Tanto drama para nada. - levantou-se do chão e depois fintou a amiga - Ultimamente tens andado muito chata e controladora...
Sem dúvida que a falta dos pais de Annie fazia grande diferença no seu comportamento. Agora que não tinha ninguém para lhe dizer o que era certo e errado, Annie assumia que tudo o que fazia estava certo e odiava ser contrariada. Se a mãe ali estivesse era óbvio que a repreendia como a Lulu estava a fazer, mas Lulu não era a sua mãe! A sua mãe estava morta e não havia ali ninguém para lhe dizer o que podia ou não fazer! Ela é livre de fazer o que quer e ponto final!

Lulu
Localização: Casa da família de Rumble

A resposta de Annie atingiu-me de uma maneira que não estava à espera. Noutra altura, ouvir uma das minhas melhor amiga a chamar-me de chata e controladora iria levar-me a chorar e a sair dali a correr. No entanto, eu sentia-me furiosa com ela. Apetecia-me espetar-lhe um estalo, coisa que eu nunca fizera a ninguém!
Consciente da minha raiva, virei-lhe costas e voltei a entrar na casa de Rumble. Não sabia bem o que se passava comigo. Desde há uns dias para cá que me sentia diferente. E a única diferença que se dera em mim fora o aparecimento da minha primeira menstruação. Seria isso a causa das minhas grandes mudanças de humor e vontades? Não interessava. O que era certo é que Annie também não podia sempre fazer somente o que lhe apetecia e ela teria que aprender isso mais cedo ou mais tarde. Mas se ela não me queria ouvir, eu também não lhe iria dizer mais nada!
Encaminhei-me até à casa-de-banho e tratei de mudar o meu penso. Já falara com a senhora Gisele sobre aquela minha necessidade e ela fora super compreensiva, visto que era uma mulher e me percebia a cem por cento; ela acabara mesmo por me emprestar os seus pensos, visto que eu ainda não comprara uma caixa só para mim.
Apercebi-me entretanto que o fluxo já não era tanto como nos primeiros dias. E também que eu continuava com imensas dúvidas acerca do assunto, mesmo já tendo lido sobre isso. Decidida a ficar um pouco mais esclarecida, voltei a entrar na cozinha.
- Desculpe estar a chateá-la outra vez, senhora Gisele. Mas... Eu nunca cheguei a falar com a minha mãe sobre a menstruação e há muitas coisas que eu não percebo. Acha que me pode ajudar? - perguntei eu, cabisbaixa.

Gisele
Localização: Cozinha (casa de Rumble)

A mesa estava posta, a salada feita e o guisado quase terminado. Não tinha passado muito tempo desde que Lulu tinha saído da cozinha e entretanto já regressara. Gisele limpava as mãos a um pano de cozinha enquanto ouvia a questão de Lulu. Ela tinha-lhe contado mais cedo que lhe tinha vindo o período pela primeira vez e que andava um bocado atrapalhada com tal. Gisele tratou logo de a ajudar comprando-lhe uma caixa de pensos quando saiu mais cedo de casa para ir comprar os peixes. Agora a jovem pedia mais explicações, pois parecia que a sua mãe não tinha tido a oportunidade de falar com ela sobre isso.
- Claro querida! Senta-te. - respondeu-lhe enquanto puxava uma cadeira e se sentava à mesa. - Que dúvidas tens? - e soltou o seu típico sorriso amigável para a deixar mais à vontade.

Annie
Localização: Jardim (casa de Rumble)

Lulu nada disse e simplesmente virou-lhe as costas. Nesse instante Annie atirou-lhe a língua de fora e voltou-lhe também as costas, voltando a sentar-se no jardim com Tibbers a seu colo. Annie fixou as flores queimadas. Será que D. Gisele ia ficar chateada? Poderia até expulsa-la de casa. Não que isso fosse um problema, pois Annie poderia muito bem dirigir-se ao orfanato e ficar por lá. De certeza que não se importariam de acolher uma criança humana, certo? E assim podia aproveitar o resto da semana para brincar com as crianças yordles! 
Com esses pensamentos deitou-se na relva e fintou o céu. Estava frio, mas devido ao seu poder, ela não sentia nada frio e o Sol a bater-lhe na cara até lhe sabia bem. Respirou fundo e fechou os olhos. Sorriu e pensou como lhe apetecia pegar fogo a outras coisas.

NAMI
Localização: Drogaria St. Matheus / Rua

Pelo seu tom de voz, Rumble devia estar tão confuso com o que lhe disse quanto eu estava com o que ele me disse. Os nossos lares eram mundos completamente diferentes e o que era simples para uns, era complexo para outros. A minha vontade era colocar todas as minhas dúvidas para que Rumble me explicasse tudo mas o trajecto entre a estante e o balcão onde se encontrava Dan foi breve demais para podermos dar início a uma conversa dessa natureza. Para além disso, Rumble fez notar que já fazia tempo de irmos embora almoçar.
Assim, e como já estava a prever, Rumble deu umas moedas ao Sr. Dan e depois da última troca de palavras, despedimos-nos.
- Vamos. Prazer em conhecê-lo Sr. Dan! - Disse com um aceno enquanto me encaminhava para a saída da loja.
Uma vez no exterior, eu e Rumble tomamos o mesmo percurso para a casa dos seus pais. Por momentos não falamos quase nada, pois eu estava completamente focada no champô que levava nas mãos e nas suas cores e sarrabiscos, mas mal me apercebi disso mudei a minha atitude.
- Desculpa Rumble, nem cheguei a agradecer-te por isto. Obrigada. Só espero que fique a cheirar tão bem como vocês. Adoro os vossos aromas. - Fiz uma pausa. - Achas que a Lulu e a Annie já voltaram? Hoje de manhã achei que estavam um bocadinho... diferentes.

Rumble
Localização: Rua / Casa de Rumble

Finalmente um momento zen e agradável, aquele vício aliviava qualquer pessoa. Nami disse que queria ficar a cheirar tão bem como nós graças àquele champô novo que compramos, no que eu comentei:
- Tu até tens um cheiro bastante agradável. Faz lembrar o mar e a praia. Por falar em praia, sabias que a nossa cidade fica à beira-mar? Ainda fica longe da minha casa, mas podiamos combinar um dia ou tarde para irmos ver o mar e assim podias nadar um bocado. - e pisquei-lhe o olho.
Ela comentou que Annie e Lulu estavam estranhas naquela manhã, mas não eram só elas! A minha mãe também estava estranhíssima e parecia esconder alguma coisa. Não fazia ideia do que era, mas planeava perguntar-lhe o que se tinha passado assim que chegasse a casa.
- Tens razão, a minha mãe também estava bastante estranha e saiu bastante à pressa. Daqui a pouco já perguntamos o que se passa.
Chegamos finalmente a minha casa e vi Annie no jardim deitada. Abri o pequeno portão que dava acesso ao meu jardim, e reparei que algumas flores da minha mãe estavam queimadas. Terminei o cigarro e atirei-o para o outro lado do portão (para a rua) e aproximei-me de Annie.
- Hey Annie. Que aconteceu com as flores?

Annie
Localização: Jardim (casa de Rumble)

A descontração de Annie terminou quando ouviu a voz de Rumble a perguntar o que tinha acontecido com as flores. Porra! Toda a gente a preocupar-se com as flores porquê?!? Eram umas meras plantas! Ela levantou-se e explodiu:
- Mas porque raio está toda a gente preocupada com as malditas flores? Queimei-as sim! Porque eu quis! Já a Lulu me chateou com o raio das flores e agora vocês?!? Eu faço o que quizer e vocês não são os meus pais para me impedir! Se eu quiser pego fogo a tudo o que ver à frente!
Os seus olhos passaram de verdes para vermelhos, tal e quais quando se irritava com alguma coisa. Felizmente o seu urso ainda se encontrava calmo e inactivo dentro do peluche, mas a qualquer momento podia acordar.

Lulu
Localização: Casa da família de Rumble

Vendo a senhora Gisele disponível para as minhas dúvidas e sentando-se à mesa, decidi fazer o mesmo, ficando frente a frente com ela. Coloquei as minhas mãos em cima da mesa e dei por mim a brincar com os meus próprios dedos, sem saber muito bem por onde começar.
- Bem... Eu estou diferente. Estou sempre irritada e chateada. E muito sensível! Coisas que antes não me fariam diferença, agora deixam-me a pensar. - expliquei eu. - E isto aconteceu já antes de me vir o período. Na altura achei estranho e pensei que estivesse a ficar doente. Quer dizer, sempre que fiquei doente nunca fiquei assim mas não conseguia encontrar outra razão. E depois apareceu o sangue... Sinto-me estranha!

Gisele
Localização: Cozinha (casa de Rumble)

- Hahahaha. - Gisele soltou uma pequena e doce gargalhada. A inocência e a inexperiência de Lulu fez com que ela se risse, mas não o fez por mal. Agarrou uma das mãos de Lulu e explicou - Minha querida, isso é totalmente natural... Pode ser bastante confuso, mas quando estamos menstruadas o nosso humor varia imenso! Há pessoas que ficam tristes e sempre com vontade de chorar, outras que ficam irritadas com qualquer coisinha que aconteça e outras que nem acontece nada. São as hormonas que ficam todas baralhadas e fazem-nos sentir assim. Olha, vou-te contar uma história: eu tenho uma irmã mais velha quatro anos e como é lógico veio-lhe a menstruação primeiro que eu. Ela ficava super chateada com tudo! E eu que era muito chegada a ela... Eu queria falar com ela, brincar com ela, e ela tratava-me muito mal sem eu ter feito nada. Magoava-me um bocado, mas mais tarde a minha mãe explicou-me o porquê das suas reações e eu entendi. Depois todos os meses, eu mantinha a distância da minha irmã naquela altura para ela não ralhar comigo! Hahaha. Eu no entanto, não sinto nada. Não costumo ter grandes mudanças de humor. Só algumas dores, mas nada por aí além. - concluiu.

NAMI
Localização: Rua / Casa de Rumble

- A sério?!? - A possibilidade de voltar ao mar mais cedo do que esperara encheu-me logo de alegria e ansiedade. Apesar de não comentar com os meus novos amigos, estava cheia de saudades de casa e das coisas que eram "normais" para mim. O facto de tudo à superfície ser novo para mim e de me fascinar ajudava muito a não pensar tanto naquilo que tinha deixado para trás, mas a minha natureza provinha do mar e disso sentiria sempre falta.
- Não dá para ser hoje de tarde?
Claro que tínhamos de combinar com Annie e Lulu, portanto era um assunto que tinha de ficar para a hora do almoço. Mas elas hoje estavam tão estranhas! Até Rumble confessou que a D. Gisele estava estranha.
- É melhor, depois perguntamos-lhes.
Regressamos então a casa dos pais de Rumble e vimos Annie no jardim, portanto fomos ter com ela. Foi só quando Rumble mencionou as flores que eu reparei no aglomerado de cinzas. Contrariamente ao que esperava, Annie ficou muito exaltada com a pergunta de Rumble e respondeu-nos agressivamente.
- Calma, Annie... - apelei, surpreendida com o seu comportamento. Quase podia jurar que os olhos da pequena tinham mudado de cor. - O Rumble só perguntou pelas flores porque podia ter acontecido alguma coisa de mal. - expliquei, tentando que com a minha justificação Annie se acalmasse. - Já sabemos que quando estás chateada os teus poderes descontrolam-se um bocadinho. Só queremos saber se está tudo bem.
Falei com a voz calma mas sentia um leve formigueiro no corpo. O discurso de Annie era muito preocupante. A última coisa que queria era que Annie pegasse fogo a tudo!

Rumble
Localização: Jardim (casa de Rumble)

Annie desatou a gritar connosco afirmando que tinha realmente queimado as flores porque quis. Arregalei os olhos e dei um passo atrás, assustado por aquela reação. Para uma criança, Annie era mais alta que eu e era... humana. Confiava nela e vejo-a como minha amiga, mas como é humana, fez o meu coração acelerar ligeiramente e admito que fiquei assustado. Ela até afirmou que iria por tudo a arder se quisesse! Oh porra, quem é que eu trouxe para minha casa? Se a minha mãe já tinha ficado assustada com a ideia do urso, nem imagino quando ela vir as flores!
Com calma, mas nervoso, tentei chama-la à razão:
- Annie, não podes queimar tudo o que te aparecer à frente só porque sim. Eras capaz de magoar os teus amigos? Não consideras a minha mãe tua amiga? Olha que aquelas flores eram dela, e ela gostava muito delas... - olhei para as flores queimadas e abanei a cabeça ligeiramente. A minha mãe ia-se passar quando visse aquele trabalho! - Annie, agora vamos para dentro e vais explicar à minha mãe o que se passou e pedes desculpa, pode ser? Podes dizer que foi um acidente! Ela não se vai chatear.
Era mentira, ela iria ficar chateada mas possivelmente não o iria demonstrar. A minha mãe é louca por jardinagem e ela trata as flores quase como se fossem seus filhos. Mas a minha maior preocupação era se ela iria ficar com medo e não quisesse Annie ali em casa.

Lulu
Localização: Casa da família de Rumble

A senhora Gisele tornou as coisas muito mais fáceis de compreender. No entanto, toda aquela conversa acerca de dores estava a deixar-me um pouco ansiosa. Se eu já odiara o facto de ter a minha primeira menstruação, imaginava como seria ter dores cada vez que ela viesse bater à porta. E eu que sempre quisera crescer! Afinal crescer era uma porcaria.
- Obrigado por tudo, senhora Gisele! - exclamei eu.
Entretanto, o meu estômago fez um barulho bastante audível. Apesar do grande pequeno-almoço que tinha tomado, já estava com fome. Onde estariam Rumble e Nami? O almoço já estava pronto e tudo!
Saltei da cadeira para o chão e aproximei-me da porta que dava para o jardim. Fui encontrá-los aos dois na companhia de Annie. Abri a porta para anunciar que a comida estava pronta mas rapidamente me calei ao ver as suas expressões preocupadas. Provavelmente Annie estava a levar um raspanete por causa do que fizera às flores - nada que eu não estivesse à espera.
Aguardei então na soleira da porta, de braços cruzados.

Annie
Localização: Jardim (casa de Rumble)

A conversa estava igual e Annie estava a irritar-se cada vez mais. Agora teria que pedir desculpas? Ela só esteve a brincar e queimou meia dúzia de flores, por favor! Que exagero!
- Para quê pedir desculpa por causa de umas FLORES? - exclamou Annie apontando para elas. Depois dirigiu-se para Nami - Eu SEI controlar os meus poderes. O que fiz foi de propósito ora essa!
Não precisava de esconder nada. Ela queimou as flores porque isso lhe deu prazer. E não ia pedir desculpas a ninguém.

Rumble
Localização: Jardim (casa de Rumble)

Ela continuava a admitir que tinha queimado as flores porque quis. Eu olhava para ela incrédulo sem saber bem como reagir e agora era eu que estava a ficar bastante irritado com aquela situação.
- Annie, por favor... - disse eu ao mesmo tempo que me aproximava dela. O meu coração palpitava pelo que ia fazer a seguir, mas esperava que resultasse. Coloquei as minhas mãos nos seus ombros e fixei o meu olhar naquela criança humana que um dia poderia juntar-se aos humanos que me torturaram e queimar-me vivo. Porque não? Já com um tom de voz um bocado alterado, continuei - Ouve, a minha mãe adora mais estas flores do que eu, quase... Não imaginas o quanto ela é fanática por jardinagem. Tu vais lá dentro, pedes desculpa e dizes que foi um acidente ou vais estar em verdadeiros sarilhos. - reparei que Lulu observava-nos debaixo da soleira da porta. Cruzei o meu olhar assustado e chateado com ela e depois voltei para Annie novamente - Tu gostavas que eu pegasse no teu urso de peluche e o esmagasse com a Tristy? Se não, vai lá dentro e faz o que te digo! - esta última frase foi mais brusca, mas esperava seriamente que ela não me pegasse fogo ali mesmo.

Annie
Localização: Jardim (casa de Rumble)

Não havia volta a dar. Ou Annie ia pedir desculpas, ou iria dormir na rua esta noite. Ela revirou os olhos, afastou-se de Rumble para que ele a largasse e respondeu:
- Pronto! Está bem! Eu faço o que tu dizes... - disse em tom irónico. Depois aproximou-se bastante dele e acrescentou em tom de ameaça - Tu nunca conseguirias esmagar o Tibbers. Nem. Tentes.
E nisto correu em direção a casa de Rumble passando por Lulu que observava a cena. Ao passar por ela, soltou um sorriso sádico e uma pequena gargalhada.

Rumble
Localização: Jardim (casa de Rumble)

Estava aterrado, tinha que admitir. Se fosse um outro yordle a fazer aquilo comigo, não estava assim, mas aquela miúda era humana e eu já tinha visto os seus poderes. Agora temia pela minha vida e pela a da minha família...
Ela afastou-se de nós a correr e eu soltei um longo e audível suspiro de alívio.
- Esta não é a Annie que conheço! - comentei com Lulu e Nami.

NAMI
Localização: Casa de Rumble

Annie voltou a responder torto para mim e para Rumble, o que não era de todo normal, e isso era algo que me deixava preocupada. Preocupada na medida em que poderia ter acontecido alguma coisa para deixar Annie chateada ao ponto de destruir um ser vivo "de propósito".
Eu e Rumble tínhamos estado ausentes, portanto de nada sabíamos, mas talvez Lulu (que entretanto se juntara a nós no jardim) pudesse esclarecer tudo aquilo.
- Aconteceu alguma coisa, Lulu? Porque é que a Annie está tão... revoltada?

Lulu
Localização: Casa da família de Rumble

Assisti a tudo com uma expressão muda. Annie estava a revelar-se tal e qual como todas as outras crianças que eu conhecera: mimada e cruel, quando confrontada com coisas que não queria fazer. Nunca imaginara que ela escondesse essa faceta, no entanto. Já a vira a chorar várias vezes por causa da morte dos pais e eu sabia o que isso podia fazer a uma pessoa, especialmente numa idade tão tenra. Mas se calhar ela também fora muito mimada pelos pais enquanto eles tinham sido vivos, o que não tinha de todo acontecido comigo. Eram ambientes e perspectivas diferentes. Mas Annie estava um pouco a passar dos limites pois ela tinha acesso a um tipo de magia que ainda nenhum de nós conseguia compreender e as suas ameaças tinham sido demasiado reais para as deixarmos de lado.
- Acho que ela estava habituada a fazer tudo o que queria... Pelo menos é isso que ela dá a entender. E hoje fomos visitar o meu antigo orfanato e ela queria ficar lá à força toda com as outras crianças. - apercebi-me que entretanto eles podiam querer saber o porquê de termos ido lá, especialmente se era um incómodo tão grande para mim. - Eu só queria vir-me embora e ela não estava a respeitar isso. Acabei por ser um pouco mais dura com ela e acho que ela ficou sentida. E agora foi este episódio das flores... Acho que ela precisa de apanhar um sermão de um adulto ou algo parecido.
Esperava que eles não voltassem atrás e me perguntassem o porquê de termos ido ao orfanato.


Última edição por Sanguinia em Seg Out 15, 2018 11:39 pm, editado 2 vez(es)
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Re: Bandle City

em Qui Out 11, 2018 6:03 pm
Gisele
Localização: Cozinha (casa da família de Rumble)

A mesa estava posta e Gisele acabava de colocar o grande tacho do guisado no centro da mesa. Só faltava ir chamar o seu marido e o grupo de Rumble. Mal acaba de pousar o tacho, vê Annie em lágrimas ao pé da porta. Que teria acontecido?
- Que se passa querida? - perguntou Gisele preocupada.
A criança humana sem dizer uma palavra, corre em sua direção e abraça Gisele. Ela chora sem parar com vários soluços pelo meio. Teria acontecido alguma coisa na rua enquanto brincava?
- Annie, calma querida... Que se passou? Magoaste-te? Fala comigo... - dizia a yordle enquanto afagava a cabeça da menina.

Annie
Localização: Cozinha (casa de Rumble)

Antes de Annie entrar na cozinha, ela esforçou-se imenso para começar a chorar. Ela não estava com disposição para levar um sermão! Iria fazer-se de coitadinha e adorável e com certeza que D. Gisele a iria perdoar. Deixou-se ficar um bocado no corredor a pensar na morte dos seus pais e com isso vieram-lhe várias lágrimas aos olhos. Quando achou que já estava bastante convicente, entrou na cozinha desatando a correr para o colo de D. Gisele.
- D-d-desculpe... - fungou a criança - F-foi sem querer!
Depois de D. Gisele pedir uma vez mais para que ela lhe contasse o que tinha acontecido, ela prosseguiu:
- E-eu estava a brincar no seu jardim e s-sem querer... Oh que vergonha! - e escondeu a sua cara no ombro da mãe de Rumble a fungar - Queimei sem querer algumas das suas flores! Peço imensa desculpa D. Gisele! Foi totalmente sem intenção. Eu ainda não controlo bem os meus poderes e às vezes isto acontece. Depois apareceu o Rumble e começou a ralhar comigo porque você gosta muito das flores... Desculpeeeee... - e recomeçou a chorar sem tirar a cara do ombro da yordle.

Rumble
Localização: Jardim (casa de Rumble)

Lulu acabou por explicar o possível motivo de Annie estar assim. Questionei-me porque teriam elas ido ao orfanato de Lulu, mas essa questão seria colocada mais tarde, porque Annie entrou agora para minha casa e podia estar a aprontar alguma coisa para a minha mãe.
- Vamos mas é entrar. Annie pode estar a preparar alguma lá dentro...
E entrei em passo rápido até à cozinha e o que vi deixou-me completamente boquiaberta. Annie estava a chorar baba e ranho abraçada à minha mãe enquanto ela a acalmava. Mal entramos, vi a minha mãe a lançar-me um olhar chateado na minha direção. Que teria aquela miúda dito à minha mãe?

Gisele
Localização: Cozinha (casa de Rumble)

A yordle ficou pálida com as palavras de Annie. Ela queimou-lhe flores? Sem querer? Não controla os poderes? Quem é que o seu filho lhe tinha trazido para casa? Aquela criança humana parecia ser tão perigosa que deixava Gisele com a pele arrepiada...
- N-não faz mal querida... Foi um acidente...
Nisto entrou Rumble na cozinha. Gisele fintou-o friamente enquanto ainda afagava os cabelos de Annie. Gisele tinha medo do que dizer, no entanto Annie estava à espera que ela a protegesse de Rumble, uma vez que afirmou que ele lhe tinha ralhado.
- Ralhaste com a Annie, Rumble? O que ela causou foi só um acidente...
Se bem que o seu coração dizia que não tinha sido um acidente. Gisele ganhou medo daquela criança logo quando o seu marido nomeou o seu urso gigante. Mas teria que jogar o jogo dela, ou as coisas podiam sair para o torto...
- Rumble, pede-lhe desculpas por lhe teres falado mal! A Annie já pediu desculpa pelas flores. - acrescentou Gisele com o coração apertado. Até tinha medo de ir ao jardim ver as suas queridas flores queimadas...

Lulu
Localização: Casa da família de Rumble

Felizmente, nenhum deles fez qualquer tipo de pergunta acerca do orfanato. No entanto, Rumble estava preocupado com o que Annie podia estar a fazer na cozinha com a sua mãe - e com razão. Ao entrar atrás dele, não foi difícil entender que a senhora Gisele estava apavorada. Apesar de estar a segurar Annie nos seus braços e a obrigar Rumble a desculpar-se por algo que devia ter feito, os seus olhos não mentiam.
Toda aquela situação estava a dar-me a volta ao estômago. Odiava mentiras. Odiava pessoas falsas. E não estava à espera que Annie se fosse revelar uma dessas pessoas, apenas para atingir os seus objectivos.
- Não tens vergonha? - acabei eu por perguntar, olhando Annie directamente nos olhos. - O Rumble trouxe-te para sua casa porque tu não tens sítio para ficar, os seus pais acolheram-nos como seus filhos e tu... Tu queimas as flores de propósito e depois ainda vens aqui para dentro fazer um choradinho! Se calhar merecias mesmo estar enfiada naquele orfanato, junto daquelas crianças, para entenderes o que é ser colocada de parte. Talvez assim ganhasses algum tipo de controlo sobre as tuas emoções infantis.
Se calhar tinha sido demasiado dura. Mas eu não era de esconder o que estava a sentir, especialmente em situações de algum stress.

Annie
Localização: Cozinha (casa de Rumble)

Annie sorriu mentalmente quando Gisele pediu explicações a Rumble. No entanto, esse sorriso desapareceu quando Lulu interviu. Ela contou toda a verdade, deixando Annie bastante irritada. Annie já se tinha arrependido de ter vindo para ali. Tanta gente a controla-la porra! Nenhum deles eram seus pais, ela agora era dona de si própria...
- AI PRONTO! - gritou ela irritada. A choradeira cessou logo mal Lulu a enfrentou, mostrando a verdadeira faceta de Annie. - Se calhar nem devia ter vindo! Devia ter ficado na academia com a Kiersta ou assim! Se não querem que eu aqui fique vou-me embora. Sei cuidar de mim sozinha.
E passou pelos seus "amigos" dando-lhes encontrões a cada um deles, até chegar à porta, virando-se para eles uma última vez:
- E sim D. Gisele, queimei as flores de propósito, mas foi a brincar. Essa parte é a verdade... Estava a brincar e puff... Aconteceu.
Terminando assim a conversa, Annie saiu de casa de Rumble e dirigiu-se à rua. Não sabia ao certo o que fazer, mas tinha um destino em mente: o orfanato. Talvez pudesse ficar lá e tentar entrar em contacto com a Kiersta. Ela iria ajuda-la e compreende-la de certeza!

NAMI
Localização: Jardim (casa de Rumble)

A resposta de Lulu deixou-me ligeiramente baralhada. De manhã quando ela, Annie e a D. Gisele tinham saído, tinham em vista ir ao mercado - daí não me terem deixado acompanhá-las - no entanto, Lulu disse terem ido ao orfanato. Eu não fazia a mínima ideia o que era o orfanato mas talvez fosse uma parte do mercado destinado às crianças, pois pelas palavras de Lulu assim o parecia. Só que por outro lado, Lulu deu a entender que se tratava de um local onde não gostava de ir, o que não fazia sentido para mim pois nesse caso podia ter ficado comigo.
Deixando as minhas divagações de lado por momentos, pois para o assunto fulcral isso eram divagações, ouvi com atenção o relato de Lulu e fiquei a matutar nele.
Para todos os efeitos, nenhum de nós era uma criança. No meu entender era perfeitamente natural que Annie procurasse conviver com pessoas da sua idade, especialmente depois de Amumu e Nunu terem abandonado a academia. Compreendia então o porquê de ela ter ficado chateada e até ter queimado as flores da D. Gisele de propósito como uma vingança. Ainda assim, o que podia começar por ser uma birra de criança, poderia tornar-se em algo mais sério dado o poder que Annie possuía. E se para mim, que estava com Annie diariamente, isso era preocupante, para a D. Gisele e o Sr. George deveria ser pior!
Rumble, que parecia partilhar dos mesmos receios apressou-se para o interior da sua casa e eu e Lulu não tivemos outra hipótese que não segui-lo.

NAMI
Localização: Cozinha (casa de Rumble)

Fomos dar com Annie na cozinha a chorar abraçada à D. Gisele. Ao ver-nos, a mãe de Rumble repreendeu o filho de imediato por ele ter ralhado com Annie. Aparentemente Annie contara que tinha queimado as flores acidentalmente, o que não era verdade.
A mentira fez com que Lulu confrontasse Annie, não resultando da melhor forma.
Para meu espanto, Annie parou a choradeira de imediato, como se até então tivesse sido tudo a fingir, e depois de admitir o que tinha feito da forma mais chocante, saiu da cozinha dando-nos encontrões.
Tudo aquilo deixou-me de boca aberta. Quase nem consegui reagir, tal era o meu espanto.
Só quando ouvi a porta principal bater é que consegui proferir algo.
- Onde é que ela vai? Lulu, onde é que ela vai? Para a academia? Assim sozinha?? - perguntei muito rapidamente virando-me ora para Lulu, ora para Rumble, antes de me lanças nas mesmas passadas de Annie.
De novo no exterior, desatei a chamar por Annie, consciente de que apenas a "andar" nunca a conseguiria alcançar.
- Annie! Espera! Annie! Annie, volta!


Lulu
Localização: Casa da família de Rumble

Annie parou imediatamente de chorar e mostrou novamente aquela sua faceta menos agradável. Dando-nos encontrões e demonstrando um grande nível de desrespeito por Rumble e a sua família, Annie saiu porta fora.
Nami era a que parecia mais chocada de todos nós, talvez devido à sua inocência. A sereia ainda saiu atrás da criança e chamou por ela. Eu acabei por me encostar a um dos armários da cozinha e suspirei alto, sentindo um aperto na boca do meu estômago.
Apesar de tudo, para onde iria Annie? Ela mal conhecia Bandle City. E não havia maneira de sequer voltar à Academia.
Fiquei paralisada no mesmo sítio, sem saber muito bem o que fazer. Não gostara nada do que Annie tinha feito e dito. Mas também não queria que algo de mal lhe acontecesse.

Rumble
Localização: Cozinha (casa de Rumble)

Eu estava em demasiado choque para dizer o quer que fosse. Aquela faceta de Annie era desconhecida para mim e eu tinha confiado nela. Confiado numa criança humana, pensando que pela sua inocência nunca me faria mal como os outros humanos me fizeram. Estava enganado e tinha acabado de trazer alguém dessa maldita raça para magoar a minha família.
Mal Annie saiu aos encontrões connosco, eu corri até à minha mãe que se tinha sentado numa cadeira, claramente pálida e em choque.
- Mãe... Des... - comecei por dizer colocando a minha mão no seu ombro, mas fui interrompido por ela.
- Filho... Quem é que tu trouxeste aqui para casa?!? Que criança é aquela? - ela estava a chorar.
- Eu nunca pensei... Oh mãe, eu confiava nela, acredita! Ela até me deu um presente de Natal! Ela sempre foi amigável e de repente parece que se transformou num monstro!
A minha mãe levantou-se bruscamente fazendo com que eu recuasse uns passos.
- Não a quero na nossa casa Rumble! - disse a minha mãe bastante chateada ao mesmo tempo que erguia um dedo, como que a dar-me um sermão.
Engoli em seco e olhei para trás. Lulu ainda ali estava, mas Nami tinha desaparecido. A realidade é que nem eu queria Annie ali, mas tinha medo que as minhas amigas me repreendessem por tal decisão. Mas se ela não ficasse ali, para onde iria?
- A Nami? - perguntei a Lulu. - Foi ter com Annie? Temos que a encontrar antes que a Annie ainda a magoe, vamos. - e agarrei a mão de Lulu puxando-a atrás de mim,
- RUMBLE AINDA NÃO ACABAMOS DE CONVERSAR! - gritou a minha mãe.
E eu fugi dali, fugi do assunto, coisa que no dia a dia nunca faria, eu normalmente enfrentava tudo o que me aparecesse à frente. Mas agora tinhamos que evitar que mais alguém se magoasse.

Lulu
Localização: Casa da família de Rumble

Paralisada no mesmo sítio, assisti à senhora Gisele a chorar e a afirmar que não queria Annie na sua casa. Não podia censurá-la, apesar de tudo. As relações entre humanos e yordles, já na minha altura, eram um pouco complicadas. Apesar de existirem alguns yordles revolucionários que se mudavam para as cidades dos grandes, muitos os temiam. Estávamos num canto escondido do mundo mas sabíamos muito bem das guerras que eles provocavam à nossa volta.
Quando dei por mim, Rumble tinha agarrado a minha mão e tínhamos já saído da cozinha para o jardim. Lá estavam as flores todas esturricadas.
- Espera! - exclamei eu. - É melhor levarmos as nossas armas!
Cruzei um último olhar com Rumble e voltei a entrar dentro da sua casa, indo direita ao quarto. Lá peguei no meu cajado e Pix, que passara a manhã inteira a molengar na sua cama improvisada, sentiu a minha agitação e juntou-se a mim.
Não querendo assustar ainda mais os pais de Rumble, não montei no cajado e simplesmente caminhei até junto de Rumble novamente.
- Agora sim, estou preparada. - disse eu.

Annie
Localização: Rua (não muito longe da casa de Rumble)

Annie estava chateada e Tibbers conseguia sentir isso. Tibbers queria sair e confortar a sua amiga, mas Annie tentou usar as suas forças para o impedir. Se já tinha sido mau o suficiente ter usado o seu poder nas flores da D. Gisele, pior seria se começasse a assustar todos os yordles de Bandle City com um urso das sombras do tamanho das suas casas. Por isso Annie limitou-se a dar festas a Tibbers tentando-o acalmar enquanto andava a passo acelerado. No entanto abrandou quando ouviu chamarem por ela.
- Nami? - disse virando-se para a sereia que ainda estava a alguns metros afastada dela, uma vez que não conseguia andar muito depressa. Annie respirou fundo e aproximou-se da sereia, talvez a conseguisse convencer que ela não era a má da fita. - Então? Falaram muito mal de mim? - começou num tom irónico. Mas depois voltou a falar normalmente e até de maneira doce, para ver se convencia Nami com as suas palavras - Nami, eu não queria realmeeenteee queimar as flores. Foi uma pequena brincadeira que correu mal. Mas toda a gente ficou demasiada chateada com as flores! Porquê?!? Nami... Ajuda-me... Quero voltar para a academia!

Rumble
Localização: Jardim (casa de Rumble)

Lulu parou porque quis ir buscar as suas armas. Eu nem respondi enquanto pensava na sua ação. Será que eu devia levar Tristy também? Tudo o que eu menos queria era dar nas vistas em Bandle City, que os yordles descobrissem que eu estava presente. Mas por outro lado, Annie podia torrar-nos a todos! Tal e qual como fez com as flores. Quando Lulu regressou com o seu bastão e Pix eu disse:
- Não sei se quero levar a Tristy... Não me sinto muito confortável usa-la em Bandle City e para mais... Não queria nada dar nas vistas! Achas que nos consegues proteger aos dois? Ou... - estava seriamente confuso. Olhava para Tristy que se sobressaia por trás de minha casa. Claro que vizinhos mais próximos já sabiam da minha presença, mas preferia não espalhar por toda Bandle City sobre o meu regresso e que tinha trazido comigo uma humana que adorava queimar coisas.

Lulu
Localização: Jardim (casa de Rumble)

Rumble estava receoso em voltar as atenções para si com a sua máquina. Agarrei a sua mão para o confortar.
- Não te preocupes, a Nami também nos pode ajudar. - respondi eu. - Além disso, espero que não chegue ao ponto em que tenhamos de lutar. Annie ainda é nossa amiga. Precisa apenas de perceber que o que fez foi errado e que não deve usar as pessoas da maneira como fez com a tua mãe.
Antes que ele pudesse dizer algo, apertei-lhe a mão. Uma das coisas que eu aprendera em Glade, apesar de toda a magia e felicidade que sentira, fora a dualidade das coisas.
- Rumble, todos nós temos luz e escuridão cá dentro. E amizade significa aceitar essas duas facetas, custe o que custar.

NAMI
Localização: Rua (não muito longe da casa de Rumble)

Felizmente Annie ouviu-me e veio ter comigo, evitando que eu continuasse a correr atrás dela. Estava ofegante e como tal não consegui falar logo, pelo que dei essa oportunidade a Annie. Pela maneira como começou a falar notava-se que continuava chateada, mas depois o seu discurso suavizou e pude perceber que afinal Annie tinha queimado as flores sem querer e que no meio da discussão disse coisas que não sentia.
Respirei fundo e olhei para ela, um pouco mais descansada por saber que o seu comportamento chocante fora fruto da zanga apenas. Ainda assim, da última vez que lhe tinha tentado explicar porque devia pedir desculpas à mãe de Rumble a coisa não tinha corrido bem. Não sabia, portanto, o que lhe dizer, mas depois olhei para o seu amigo inanimado nos seus braços e tentei outra abordagem.
- Sabes, Annie, acho que... às vezes, aquilo que é importante para nós pode não parecer aos olhos dos outros. Por exemplo, quem não souber que o Tibbers é um urso verdadeiro e o teu melhor amigo, vai pensar que é só um brinquedo. Se o emprestasses a alguém e essa pessoa o rasgasse sem querer também ficavas triste e zangada. Se calhar as flores da D. Gisele significam mais para ela do que possamos imaginar...

Annie
Localização: Rua

As palavras de Nami quase que fizeram com que Annie soltasse uma enorme gargalhada. Rasgarem Tibbers? Essa era boa! Ninguém conseguiria fazer tal mal ao seu "simples" urso de peluche. O seu feitiço era tão forte que qualquer um que lhe tentasse fazer mal iria arrepender-se para sempre. Mesmo tendo sido esse feitiço feito por ela quando tinha só 2 anos! Se alguém tentasse propositadamente fazer mal ao seu urso ele transformaria-se de imediato em urso das Sombras e faria frente à pessoa que lhe fizera mal. Sem pensar duas vezes! Mas Annie não ia partilhar essa informação com Nami. Ela sabia que os seus amigos já se encontravam demasiado assustados com ela e isso deixava-a... Satisfeita. Era estranho, mas ela estava a adorar aquela sensação de poder e do medo que causava às pessoas. Mas talvez fosse sensato se acalmar.
- É, acho que tens razão... - disse Annie com um pequeno tom de indiferença. - Eu estava a brincar e queimei as flores como se fizesse parte da brincadeira, como se fosse um jogo. Mas NUNCA pensei que as flores fossem tão importantes para a D. Gisele, a sério!
Quando terminou de falar, viu que Rumble e Lulu se aproximava delas. Será que iriam voltar a ralhar com Annie ou força-la a fazer algo que ela não queria? Ou pior: será que a iriam expulsar de casa de Rumble? Antes que eles chegassem, disse a Nami:
- Será que os pais de Rumble ainda me aceitam em casa deles? Nami, ajuda-me por favor! Tenho medo de ficar a dormir na rua esta noite.

Rumble
Localização: Rua

Se tudo corresse bem não teríamos que lutar, garantiu-me Lulu. Assim o esperava, mas tinha que admitir que encontrava-me um bocado assustado. Não por mim, porque eu já passara por demasiado e sabia bem enfrentar as situações por mais perigosas que fossem, mas pelos meus pais. Eles não tinham como se defender e eu nunca me perdoaria se alguma coisa lhes tivesse acontecido por eu ter trazido uma humana para nossa casa.
Lulu ainda disse uma coisa sensata enquanto me apertava a mão. Aquele aperto de mão fez-me corar ligeiramente e além de prestar atenção ao que ela dizia, fixei o meu olhar nos seus olhos verdes bastante bonitos. Aliás, apesar de ela ser quase criança, era bastante bonita e algo me dizia que daqui a uns anos seria uma jovem formidável e atraente. Mas que raio... Porque diabo estava a pensar nisso aqui e agora? Com tanta coisa para me preocupar? Mas o que era certo era que as suas palavras, a sua mão e os seus olhos verdes me fizeram acalmar.
- Tens razão, vamos lá. - disse com o coração aos saltos.
Foi fácil encontra-las. Nami era diferente de toda a gente e mais alta, fazendo-se distinguir bem. Encontrava-se a falar com Annie e esperava seriamente que ela tivesse conseguido acalmar aquela maldita criança.
- Annie. - comecei assim que chegamos - Já conseguiste parar com essas atitudes? Podemos falar calmamente e chegar a um acordo?
Assim que ela acenou positivamente, continuei:
- Ouve, vou ser sincero contigo. Aquilo que fizeste deixou a minha mãe assustada. Precisas agora de reconquistar a sua confiança caso queiras ficar em minha casa. A dura realidade é: ela não te quer lá. Tem medo do teu fogo e do teu urso. Mas eu sou teu amigo e quero-te ajudar, pois foi para isso que vos trouxe todas para minha casa. Prometes que te vais portar bem e não queimas mais NADA em minha casa ou em toda a cidade? - dei grande enfâse ao nada, para que ela entendesse que não estava a brincar.

NAMI
Localização: Rua (não muito longe da casa de Rumble)

A gargalhada de Annie foi bastante inesperada. Mesmo tendo ficado mais contida logo de seguida, dando-me razão e insistindo que nada do que fizera fora propositado, a sua primeira reação ficou-me gravada no pensamento. Ela andava mesmo diferente ultimamente.
- Não sei, Annie... - comecei por dizer em resposta à sua última pergunta. - Acho que deixaste a D. Gisele um bocado assustada. Mas é por isso que o teu pedido de desculpas sincero é importante.
Ainda que as coisas não se tivessem desenrolado da melhor forma, não conseguia imaginar-me a dormir pacificamente na garagem do Sr. George enquanto Annie deambulava sozinha pelas ruas de Bandle City sem um sítio onde ficar. Obviamente que se chegasse a esse ponto iria ficar com Annie mas de momento não lhe queria dizer isso, pois já que ela tinha medo de ficar sozinha, talvez essa possibilidade fosse o suficiente para lhe dar a lição que merecia.
Rumble e Lulu juntaram-se a nós de repente (deveriam ter-me seguido pouco depois de eu ter disparado da cozinha), o que me causou um pequeno sobressalto. Principalmente porque Rumble desatou logo a falar com Annie, ainda eu mal tinha dado pela sua presença.
As poucas dúvidas que haviam sobre o estado de espírito da D. Gisele dissiparam-se com o discurso de Rumble. Era mesmo a valer. Ou Annie atinava e começava a agir de forma correta ou iria mesmo ficar sem teto. E a semana estava só a começar.

Lulu
Localização: Rua

Não precisámos de andar muito até as encontrarmos às duas. Annie parecia um pouco mais calma; talvez falar com a sereia até nem tivesse corrido assim tão mal. O meu receio era que ela se aproveitasse da ingenuidade de Nami para a convencer a fazer algo que não era assim tão correcto. No entanto, parecia que ela estava disposta a ouvir Rumble até ao fim, o que o fez desbobinar tudo.
Enquanto isso, Pix voava à volta da cabeça de Annie mas sem nunca pousar no seu ombro ou nos seus cabelos como antigamente já fizera. Parecia cuidadosa e ciente da mudança na criança.
«Ela é parecida contigo.» disse-me Pix mentalmente. Eu nunca fora mimada ao ponto de assustar as pessoas só para ter aquilo que queria. Como é que ela podia fazer uma afirmação daquelas? «A vossa escuridão é compatível.», disse Pix, numa nota final.
Torci o nariz mas decidi que não iria deixar que os outros se apercebessem do meu desconforto.
- Annie, nenhum de nós te quer longe. Somos amigos e os amigos ajudam-se uns aos outros. É por isso que ninguém pensou duas vezes em convidar-te mesmo quando existe tanta gente com medo do Tibbers. Nós vamos vos defender até ao fim mas para isso tu precisas de mostrar que não existem razões para sentirem medo de vocês. - rematei eu.

Annie
Localização: Rua

Não tardou muito até o grupo estar todo reunido outra vez de modo a tentar chamar Annie à razão. Ela estava cansada (e com fome) o que não ajudava a sua paciência. Rumble falou com a criança e não omitiu nada: D. Gisele tinha medo dela e de Tibbers e não os queria em sua casa. Definitivamente tinha que mudar de comportamento ou iria dormir na rua. 
O que surpreendia Annie é que eles continuavam a querer ajudá-la e queria continuar a ser seus amigos. Annie também queria continuar a ser amiga deles, mas eles são todos praticamente adultos! Que falta que Nunu e Amumu lhe faziam... Eles eram crianças (se bem que Amumu não sabia ao certo) e com certeza a compreenderiam e brincariam com ela. Agora Rumble, Lulu e Nami... Rumble só pensava em trabalho, Lulu tivera a menstruação o que significava que já era mulher, e Nami era adulta também apesar da sua ingenuidade. 
- Muito bem. - respondeu Annie com calma. - Vou pedir desculpas pelo meu comportamento e juro que me vou portar bem. Há alguma coisa que possa fazer pela tua mãe, Rumble? Além de lhe pedir desculpas...

Rumble
Localização: Rua

O meu discurso e o da Lulu (e possivelmente a conversa que ela teve anteriormente com Nami) ajudaram a acalma-lá e a concordar connosco. Prometeu que ia portar-se bem, mas continuava a ter as minhas dúvidas... 
- Hmm... Só se a ajudares a plantar as flores outra vez. E teres umas aulas com ela de jardinagem. Ela adoraria ter alguém com quem partilhar as suas ideias e experiências. Eu infelizmente nunca me interessei, por muito que a minha mãe me quisesse ensinar. - respondi eu - Mas de qualquer das formas tens que ter cuidado com ela, pois como te disse, ela ficou com medo. 
Esta história toda fez com que tivesse ficado bastante nervoso e ansioso. Precisava de outro cigarro para me acalmar. Maldito vício! Com estas situações a darem cabo da minha cabeça, nunca iria largar o tabaco! Tirei então uso maço do bolso, coloquei um cigarro na boca e acendi-o com um fósforo. Depois dirigi-me a elas:
- Vamos para casa? 
Esperei por uma resposta positiva e dirigimos-nos novamente para minha casa.

Gisele & George
Localização: Jardim (casa do Rumble) 

O casal encontrava-se agora no jardim de casa. Gisele estava de joelhos a avaliar os estragos do seu precioso jardim, enquanto o seu marido fumava o seu cachimbo por trás dela com uma das suas mãos pousada no ombro da sua mulher. 
- Tenho medo, George. - confessou ela - Estou feliz por ter o nosso Rumble connosco, mas aquela criança humana... Ele sempre odiou humanos, como é que fez uma amizade com um? 
- Como ela é criança, ele conseguiu confiar nela, acho eu... - respondeu George tirando o cachimbo da boca. - Mas olha querida, não acho bem a deixarmos na rua. É só uma criança órfã. Ela ainda não distingue o certo do errado porque não tem adultos para a educarem. E ela não tem onde ficar esta semana. Se ela pedir desculpas sinceras, o que acredito que o faça, damos-lhe abrigo. Mas sempre atentos, claro. 
O casal foi interrompido pela chegada do grupo de Rumble. O seu filho encontrava-se a fumar o que não deixava Gisele muito à vontade. Já lhe bastava George e o seu cachimbo. Mas George compreendia a vontade do filho, ajudava a relaxar. Gisele levantou-se é deu a mão ao marido, no que este lha apertou com força de modo a dar-lhe confiança.

Annie
Localização: Jardim (casa do Rumble) 

- Ok, agora é a sério. - começou Annie por dizer aproximando-se dos pais de Rumble. - peço desculpa pelo que fiz, foi uma brincadeira de muito mau gosto. Espero que me perdoem e que possam voltar a confiar em mim. Estou disposta a ajudar a D. Gisele a plantar as suas flores novamente, de modo a recompensa-la.

NAMI
Localização: Rua (não muito longe da casa de Rumble) // Jardim

Depois de escutar Rumble, Annie ouviu o que Lulu também tinha para dizer. A yordle salientou que apesar de tudo nós continuávamos a ser amigos e que os amigos ajudavam-se um aos outros, principalmente nos momentos em que as coisas não corriam tão bem. Isso pareceu ser o suficiente para acalmar Annie de vez, pois quando a pequena voltou a falar, já soava como a Annie que eu conhecia.
Com a promessa de que iria pedir desculpas e tentar fazer algo para compensar D. Gisele, demos por terminada a conversa e regressamos a casa de Rumble, onde os seus pais nos esperavam no jardim de mãos dadas. Por essa altura, a D. Gisele certamente já teria visto o que acontecera às suas flores.
Tal como nos prometera, Annie aproximou-se da D. Gisele e do Sr. George e apelou pelo seu perdão e confiança, demonstrando-se disposta a ajudar a replantar as flores. Ansiosa, aguardei pela reacção do casal, esperando que tudo corresse bem, caso contrário poderíamos ter de passar o resto da semana na rua.

Lulu
Localização: Jardim (casa do Rumble)

O acordo tinha sido estabelecido: Annie voltava connosco mas pedia desculpa aos pais de Rumble e ajudava a senhora Gisele a plantar novas flores. Parecia-me justo. Mas provavelmente teria de me juntar a elas devido ao receio que a senhora Gisele agora tinha da criança humana. Ciente dessa minha responsabilidade, deixei Annie falar primeiro depois de voltarmos. A seguir, rematei:
- Eu posso ajudar também. Além disso, adoro flores! E conheço alguns feitiços para as ajudar a crescer mais depressa e mais saudáveis. - disse eu.
Aprendera tantas coisas em Glade! Uma delas tinha sido a tratar da natureza da melhor maneira possível, mesmo sendo uma dimensão diferente. Eu já testara aqueles feitiços quando voltara e funcionavam da mesma maneira - menos na parte da coloração e dos cheiros, que em Glade eram diferentes. Aqui, as flores ficavam apenas com cores mais vivas e cheiros mais fortes, mas nada fora do normal.

- TERÇA-FEIRA, TARDE -

Gisele & George
Localização: Jardim (casa de Rumble)

Annie pediu desculpas e ainda disse que pretendia ajudar Gisele a plantar flores no lugar das estragadas. Gisele nada disse, manteve-se calada, a encarar o seu filho e as suas amigas enquanto agarrava a mão do seu marido. Ainda tinha dúvidas perante as palavras da criança humana, uma vez que em tão pouco tempo mostrou várias facetas e mentiras. Desta vez parecia honesta, mas Gisele não sabia quando Annie voltaria a engana-los.
- Parece-me uma ótima ideia, não é querida? - disse George, uma vez que Gisele continuava sem responder. - Ainda para mais Lulu até pode ajuda-las a crescer mais rápido.
- S-sim... Podemos tentar ser amigas outra vez, acho. Agradeço a ajuda pelas flores. Hoje durante a tarde podemos tratar disso então. - respondeu finalmente Gisele ainda nervosa.
- Ótimo! Vamos almoçar que já é tarde? - disse George em tom animado para ver se quebrava o gelo.
Gisele não tinha fome nenhuma, mas o almoço estava pronto há algum tempo e a mesa posta. Só teria que o aquecer um bocado, pois possivelmente já estaria frio.
- Sim, vamos para dentro. - respondeu Gisele em tom neutro.

Rumble
Localização: Jardim / Cozinha (casa de Rumble)

Observei Annie a pedir desculpas como prometido enquanto terminava o meu cigarro. A minha mãe estava tão focada nela que ela nem reparou como deve de ser que estava a fumar, mesmo que de vez em quando passasse o seu olhar em mim. E eu honestamente nem me lembrei que a minha mãe odiava que eu fumasse à sua frente. Mas com o nervosismo da situação, nem liguei.
Apaguei o cigarro e reparei que a minha mãe estava sem grande reação. Possivelmente do choque. Ela não ia andar bem o resto da semana, tinha quase a certeza, e tudo por minha culpa. Tanto que eles sofreram comigo e ainda tinha que lhes trazer mais problemas...
Por fim entramos dentro de casa para irmos almoçar. Vi a minha mãe a colocar a panela no fogão a lenha e a colocar mais lenha neste, possivelmente para aquecer o almoço. Enquanto isso o meu pai reacendia o seu cachimbo. Sentei-me no meu lugar e esperei que o resto se sentasse também. Quando assim o fizeram disse ainda nervoso:
- Por favor, vamos aproveitar esta semana para descansar, ok? Sem problemas, sem confusões, sem discussões.

Annie
Localização: Jardim / Cozinha (casa de Rumble)

Bem... Aquilo tinha mesmo afetado a mãe de Rumble. Ela mal reagiu ao pedido de desculpas de Annie! Só depois do Sr. George falar é que ela concordou com a ideia de plantar as flores. Ai... Tanta coisa por causa de umas flores...
Foram todos para dentro de seguida para almoçar. Annie estava cheia de fome e isso fez-la questionar sobre o que iria fazer caso ficasse mesmo na rua. Onde iria comer? Por isso sentou-se em silêncio e pôs-se a pensar nas consequências dos seus atos. Mesmo não estando de todo arrependida.
Rumble quebrou o silêncio pedindo que ninguém criasse confusões.
- Ok. - disse simplesmente Annie.
Entretanto, D. Gisele colocou a panela no centro da mesa e começou a servir-se e ao Sr. George, sendo Rumble o próximo. Annie ficou quieta sem se servir. Ela preferia ser a última.

NAMI
Localização: Jardim / Cozinha (casa de Rumble)

A D. Gisele não pareceu muito convencida com o pedido de desculpas de Annie, pois mal reagiu ao mesmo. Se não fosse o Sr. George a falar e a lembrar-nos do almoço, talvez tivéssemos todos ficado no silêncio à espera da resposta da D. Gisele um bom bocado de tempo.
Acabamos por nos encaminharmos todos para a cozinha, onde (apercebi-me eu pela primeira vez, embora já lá tivesse estado momentos antes) a mesa já estava apetrechada com todos os objectos que os terrestres utilizavam para comer. Sentei-me no mesmo lugar que tomara no dia anterior para jantar e mantive-me em silêncio, incerta sobre se seria boa ideia iniciar uma conversa ou não.
Rumble foi o único que falou, mas apenas para recair uma última vez no assunto, pedindo que ninguém causasse confusões. Anui e fitei a panela que D. Gisele colocou no centro da mesa. O que estaria dentro dela?
- O que cozinhou, D. Gisele? - arrisquei eu, não só por franca curiosidade (pois não queria comer nenhum ser vivo), mas também para aliviar o ambiente pesado que se instalara.

Gisele
Localização: Cozinha (casa de Rumble)

Com tanta coisa, Gisele tinha-se esquecido por completo de Nami e no almoço que tinha preparado de modo a que ela pudesse comer também. Assim que ela perguntou o que era o almoço, Gisele levantou-se pegando no prato da sereia e respondeu ao mesmo tempo que lhe servia unicamente legumes da panela.
- Fiz um guisado com vários legumes. Tem carne também, mas para ti sirvo-te só legumes, não te preocupes. Tudo produtos da terra!
E depois de a servir, pousou o prato à sua frente com vários legumes misturados com um molho alaranjado que tinha sido temperado com várias especiarias típicas de Bandle City.

NAMI
Localização: Cozinha (casa de Rumble)

Assim que questionei D. Gisele sobre o almoço, vi o meu prato ser-me retirado para serviço. A mãe de Rumble colocou-me guisado com legumes, que vinham da terra. A única coisa que me parecia estranha era a cor. Pensei que a vegetação era verde e no entanto a comida tinha uma cor alaranjada.
- Ah, da terra é bom, D. Gisele. Obrigada. - comentei com um sorriso quando o prato voltou para a minha frente. - Mas o que é guisado? É esta parte laranja?

Lulu
Localização: Cozinha (casa de Rumble)

Acabámos por nos sentar todos à mesa. O meu estômago já estava a doer devido à fome, mesmo depois do pequeno-almoço reforçado que tinha comido. Notava-se pela posição do sol que a hora de almoço já passara e que provavelmente nenhuma família de yordles estaria de momento a almoçar - só mesmo nós.
Quando a panela foi colocada em cima da mesa, Nami perguntou o que seria a comida. Só esperava que ela não ficasse chateada com o que iria ser a nossa refeição. A senhora Gisele acabou por lhe colocar apenas legumes no prato, misturados no caldo do guisado. Ela devia estar a esquecer-se da salada que preparara, se bem que agora devia estar um pouco murcha depois de tanto tempo pousada em cima da bancada.
Acabei por me levantar e ir buscar o prato que a senhora Gisele preparara para ela, colocando-o ao lado do outro que estava em frente a Nami.
- A senhora Gisele também te fez uma saladinha fresquinha para não ficares com fome. Já não sei é se está assim tão fresca pois já passou algum tempo... - disse eu, tentando não mencionar o porquê de tal ter acontecido. - Um guisado é todo o cozinhado que está dentro da panela, incluindo o caldo que tens no prato. É feito de água e especiarias aqui da zona. É óptimo, tens de provar!
Enquanto isso, o meu prato também já tinha sido servido. Sentei-me e levei a primeira garfada à boca, saboreando a comida fantástica que a senhora Gisele tinha feito à última da hora.

NAMI
Localização: Cozinha (casa de Rumble)

Quem acabou por me explicar o que era um guisado foi Lulu. Anui em sinal de compreensão mas na verdade fiquei a saber praticamente o mesmo, pois o dito guisado era tudo o que estava dentro da panela. A única coisa que me soou a algo familiar foi água mas mesmo essa estava misturada com ingredientes típicos de Bandle City.
- E-então isto laranja é água? Que estranho.
Para meu alívio (um pouquinho, vá) a D. Gisele também tinha preparado uma salada e isso sim eu já conhecia. Assim, caso não gostasse do que tinha no prato, sempre havia um plano B. Ou um prato B.
- Vamos lá provar. Bom apetite a todos! - desejei antes de levar à boca com as mãos uma porção dos legumes do prato.

ELORA
Localização: Casa de Elora // Casa de Rumble

- Onde andará a Gisele? Ela não se costuma esquecer de nada... - resmoneou Elora ao mesmo tempo que batia nas almofadas do sofá para ficarem com o enchimento nivelado. - Não gosto nada que durmas aqui Joel, deformas-me estas almofadas todas!
Um som abafado veio do quarto que Elora partilhava com o marido. Nada de perceptível, mas o que quer que fosse não era importante pois o recado estava dado.
Como acontecia com qualquer dona de casa eficiente, por esta altura do dia Elora já tinha tudo limpo e arrumado e aguardava apenas pela sua querida amiga Gisele para irem ao cabeleireiro, como haviam combinado. Faltava pouco para a hora que tinham agendado e por norma Gisele nunca se atrasava, o que era estranho.
- Se calhar sou eu que estou adiantada, o Joel também ainda não saiu... - resmoneou uma vez mais enquanto despia o avental e o pendurava por trás da porta da cozinha.
- Oh Joel, não estás atrasado para o trabalho?
- Já vai mulher, já vai! Fogo, um homem não pode nem trocar de camisa que já estás logo a mandar vir... - um yordle bastante gordo apareceu na cozinha e beijou Elora na sua bochecha coberta de pêlo. - Não estás atrasada também?
- Pois, não sei porque é que a Gisele está a demorar. Acho que vou até casa dela, não vá ter-se esquecido.
Depois de vestir um agasalho e pegar na bolsa, Elora abandonou a sua casa juntamente com o marido, trancando a porta atrás de si. Os dois despediram-se rápida mas carinhosamente e Elora dirigiu-se à casa da vizinha. Ao chegar à porta de entrada, bateu-lhe com os nós dos dedos e abriu-a um pouco para chamar pela amiga.
- Gisele, é a Elora! Posso entrar?

Gisele
Localização: Cozinha (casa de Rumble) 

Gisele andava tão atordoada com tudo o que acontecera que até se esqueceu da salada que fizera para Nami. Lulu além de explicar o que era um guisado, ainda foi buscar a salada para a sereia. 
- Obrigada Lulu. E sim a água está alaranjada por causa dos condimentos e especiarias que coloquei. Todas elas são também à base de plantas, podes ficar descansada. Essas especiarias servem para dar gostos diferentes à comida. Prova e vê se gostas! - incentivou com um sorriso já mais animado. 
Depois de todos servidos, Gisele começou finalmente a comer, mas não tinha grande fome. Toda a comida que injeria fazia um remoinho até chegar ao estômago, e tinha que fazer um grande esforço para a manter lá. 
Toda a refeição foi feita em silêncio. Quando terminou, ainda que deixando alguma comida no prato, ouviu alguém a bater à porta da frente, seguida pela voz da sua amiga Elora. 
O cabeleireiro! Com tanta coisa, Gisele tinha-se esquecido completamente do compromisso que tinha com a amiga! Cruzou o olhar com o seu filho e viu que ele tinha arregalados os olhos. Possivelmente porque não queria que Elora soubesse das suas amigas ou algo do género. Do seu regresso era inevitável, uma vez que a sua monstruosa máquina encontrava-se estacionada atrás de casa e era maior que a própria casa. 
- Venho já! - disse enquanto se levantava.
Foi a correr até à porta de entrada e viu que Elora tinha-a aberto ligeiramente no que Gisele segurou de imediato para que a sua amiga não entrasse em casa - Elora! Eu sei que estou atrasada, desculpa. O meu filho fez-me uma visita e, olha, estamos a meter a conversa em dia! Mas saímos já, não te preocupes. Vou só mudar de roupa rapidinho, ok?

ELORA
Localização: Casa de Rumble

Gisele lá apareceu ao fundo do corredor, mas não parecia estar minimamente pronta para sair. Na verdade, tinha mesmo ar de quem se tinha esquecido mas Elora logo ficou a saber o motivo por trás disso. Inspirou ruidosamente com a surpresa e desatou a falar muito depressa logo de seguida.
- O teu menino está cá?!? Como é que isso aconteceu? Que maravilha Gisele! Já não o vejo há tanto tempo! Sim, vai lá trocar-te que eu aproveito para falar um bocadinho com ele. Está na sala? - perguntou espreitando para dentro da casa de Gisele que, num dia normal qualquer já a tinha convidado a entrar.

Rumble
Localização: Cozinha (casa de Rumble)

A refeição decorreu em silêncio e sem percalços. Observava de tempos em tempos Annie, não fosse ela passar-se outra vez dos carretos e pegar fogo à cozinha. No entanto parecia calma e concentrada na sua refeição.
O silêncio acabou por ser interrompido pelo bater da porta e por uma voz feminina. Reconheci-a logo como a de uma das amigas da minha mãe: Elora. Arregalei os olhos assustados e fintei a minha mãe. Eu não queria que ela contasse o que tinha acontecido! Muito menos quem tínhamos cá em casa! Claro que quem nos visse na rua podia estranhar do meu regresso ou questionar-se do porquê de uma humana e sereia vaguearem por Bandle City, mas isso para mim era-me indiferente. Pior era quando alguém vinha a minha casa e via-nos a todos com os próprios olhos e ia logo a seguir contar a tudo e todos quem lá estava e porquê! Esse era o meu medo: a boca do povo a contar um conto e a acrescentar um ponto. Esperava que o meu olhar fixo na minha mãe esclarecesse que não queria que ela dissesse uma palavra do que aconteceu nesta casa.
Ela pareceu entender e saiu da cozinha. Enquanto isso levantei-me e comecei a levantar os pratos da mesa colocando-os no lavatório. Entretanto ouço a minha mãe a gritar:
- RUMBLE! ANDA CÁ!
- Oh foda-se! - disse eu bem alto. Levei a mão à testa, suspirei e sai da cozinha. De certeza Elora queria falar comigo ou algo assim. Ela sempre foi uma daquelas yordles chatas que quando era criança adorava apertar-me as bochechas e dizer o quanto pequeno e fofinho era. Esperava seriamente que não me voltasse a fazer o mesmo e que não me enchesse de perguntas. Ansioso, caminhei pelo corredor fora até à porta de entrada, vendo a minha mãe cá dentro e Elora ainda na rua.
- Boa tarde Dona Elora. - disse em tom neutro levantando a mão timidamente.

Gisele
Localização: entrada (casa de Rumble)

- Ah sim, ele chegou ontem, fez-nos uma pequena visita. - disse Gisele um bocado nervosa devido a todas aquelas perguntas. Depois ela perguntou se podia falar com ele, no que ela gritou de imediato - RUMBLE! ANDA CÁ!
Era preferível o seu filho ir ali e entretê-la enquanto se ia vestir, do que entrar e ver aquela criança demoníaca! Era o seu único medo, Annie. Por ela, até apresentaria à sua amiga Nami e Lulu, mas Annie... Tudo podia correr mal com aquela estranha criança.
Assim que Rumble chegou e cumprimentou Elora, Gisele disse:
- Metam aí a conversa em dia que me vou arranjar num instantinho!
E Gisele desapareceu do corredor e enfiou-se no quarto para ir mudar de roupa.

Annie
Localização: cozinha (casa de Rumble)

Se não queriam confusão, então ela não iria arranjar! Limitou-se a comer em silêncio, o que lhe soube bastante bem. A mãe de Rumble apesar de ser esquisita com as flores, sabia cozinhar muito bem, isso era um facto. E só de pensar que poderia ser expulsa e não ia comer mais daqueles pratos exóticos e diferentes, deixava-a pensativa.
Os seus pensamentos foram interrompidos pelo bater da porta e por uma voz feminina. Gisele saiu, depois chamou Rumble e ele acabou por sair da cozinha também. Annie não abriu a boca, mas o Sr. George comentou:
- Se querem um conselho, estejam caladas, aquela amiga da minha mulher é uma chata e coscuvilheira de primeira!
Será que ele só quis dizer isso com medo da reação dessa senhora yordle à presença de Annie e de tudo que ela fez, ou será que era verdade? Talvez até fosse verdade, uma vez que Rumble disse um enorme palavrão antes de sair da cozinha. Annie uma vez mais, deixou-se estar em silêncio enquanto observava o seu urso Tibbers no seu colo.

NAMI
Localização: Cozinha (casa de Rumble)

A minha tentativa de atenuar o ambiente pesado à mesa pareceu resultar mas apenas um pouquinho, pois enquanto almoçávamos não houveram grandes conversas. Para além disso, quando estávamos praticamente a terminar, ouvimos alguém bater à porta e a chamar por D. Gisele. Pelo seu ar de choque, a mãe de Rumble não estava à espera que alguém lhe aparecesse em casa. Trocou um olhar cauteloso com o filho, que não me passou despercebido, e ausentou-se.
O silêncio manteve-se até voltarmos a ouvir a voz da D. Gisele a chamar por Rumble, que por sua vez deixou bem claro que não estava contente antes de desaparecer igualmente da cozinha.
Não sabia se me devia deixar ficar no lugar ou não, especialmente depois do Sr. George pedir que ficássemos caladas, mas algo me dizia que era melhor tentar novamente animar a malta, caso contrário iria ser uma semana looooonga. Concluí que o melhor era sairmos da cozinha.
- Que tal irmos até ao vosso quarto? Tenho uma coisa para vos mostrar! - perguntei a Annie e Lulu.

ELORA
Localização: Casa de Rumble

Em vez de convidar Elora para entrar - continuava a ser estranho - Gisele chamou o filho, que não tardou em aparecer. Estava...com um aspecto mais envelhecido do que esperava.
- Rumble!! Estás tão crescido!! - Exclamou Elora ao mesmo tempo que o puxava para si para lhe espetar com um beijo em cada uma das suas bochechas peludas. - Então por onde tens andado? Sim, vai lá, vai lá Gisele, que nós ficamos a pôr a conversa em dia.
Elora enxotou a amiga gesticulando com as mãos, até porque já estavam atrasadas, e saiu para o exterior da casa, pois não fazia jeito nenhum estar ali no entra ou não entra.
- Ora conta-me lá Rumble, onde estás a trabalhar? Presumo que estejas a trabalhar, não é?
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Re: Bandle City

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